Papa no Peru. “Aqui está o antídoto contra a globalização da indiferença”

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23 Janeiro 2018

Há um antídoto para a “globalização da indiferença” que vivemos em nossas cidades, sempre cheias de “sobrantes urbanos”, de homens, mulheres e também muitas crianças descartados. É Jesus que, “suscitando a ternura e o amor de misericórdia, suscitando a compaixão”, abre os olhos daqueles que o encontram, como abriu os olhos dos primeiros discípulos, para que “aprendam a olhar a realidade de maneira divina”. Esta é a mensagem que Francisco deixa ao milhão de fiéis presentes na missa na base aérea de Las Palmas, de Lima. É o último ato de sua visita antes de embarcar no voo que o levará de volta a Roma, onde está previsto que chegue depois das 14h desta segunda-feira, 22 de janeiro de 2018.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 21-01-2018. A tradução é de André Langer.

O Papa celebra a missa sob uma estrutura em forma de uma grande tenda; com ele concelebram o cardeal Sean O'Malley, arcebispo de Boston – que, no sábado, fez críticas às declarações de Francisco sobre o caso do bispo chileno Juan Barros –, e outros 60 bispos do Peru. O acesso à área foi aberto à meia-noite. As pessoas esperavam pelo Papa desde a noite anterior, apesar do clima bastante úmido, com 23 graus. De acordo com as autoridades, há um milhão e 300 mil pessoas.

Na homilia, Francisco recorda que Deus “sempre quer estar conosco”, em Lima “ou onde quer que estejamos morando, no cotidiano do trabalho rotineiro, na educação esperançosa dos filhos, entre seus anseios e desejos; na intimidade do lar e no barulho ensurdecedor de nossas ruas. É ali, no meio das estradas empoeiradas da história, que o Senhor vem ao nosso encontro”.
 
Mas nas cidades em que vivemos, “as situações de dor e injustiça que se repetem todos os dias, podemos experimentar a tentação de fugir, de nos esconder, de desertar”. Olhando para a realidade que nos rodeia – continua Bergoglio –, não nos faltam razões. Existem muitos “não cidadãos”, “meio-cidadãos” ou “sobrantes urbanos” que “estão à beira dos nossos caminhos, que vão viver às margens das nossas cidades sem as condições necessárias para ter uma vida digna”. E “dói constatar que muitas vezes entre esses ‘sobrantes humanos’ encontram-se rostos de tantas crianças e adolescentes. Encontra-se o rosto do futuro”.

Ao ver tudo isso, podemos buscar “um espaço de fuga e desconfiança. Um espaço para a indiferença, que nos torna anônimos e surdos para os outros, nos converte em seres impessoais com um coração cauterizado e, com essa atitude, ferimos a alma do povo”. Mas Francisco, citando o antecessor Bento XVI, recorda que “a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana”.

Jesus, explica o Papa, como uma reação à injustiça sofrida por São João Batista, “entra na cidade, entra na Galileia e começa, a partir desse povoado, a semear o que seria o início da maior esperança: o Reino de Deus está próximo, Deus está no meio de nós. Ele veio até nós para se comprometer novamente como um antídoto renovado contra a globalização da indiferença. Com efeito, perante esse Amor, não se pode permanecer indiferente”.

O Nazareno “convidou os seus discípulos a viver hoje o que tem sabor de eternidade: o amor a Deus e ao próximo; e o faz do único jeito que ele sabe fazer, à maneira divina: despertando a ternura e o amor da misericórdia, despertando a compaixão e abrindo os olhos para que aprendam a ver a realidade à maneira divina. Convida-os a gerar novos vínculos, novas alianças portadoras de eternidade”.

Jesus, afirma o Pontífice, “atravessa a cidade com os seus discípulos e começa a ver, a escutar, a prestar atenção àqueles que sucumbiram sob o manto da indiferença, lapidados pelo grave pecado da corrupção. Começa a desvendar muitas situações que sufocavam a esperança do seu povo, suscitando uma nova esperança”. Ensina os discípulos a “ver o que até agora negligenciavam, indica-lhes novas urgências”.

Jesus – conclui Francisco – “continua a passar por nossas estradas, continua, assim como ontem, a bater às portas, a bater aos corações para reacender a esperança e os anseios: que a degradação seja superada pela fraternidade, a injustiça vencida pela solidariedade e a violência calada com as armas da paz”. Desperta “a esperança que nos liberta de conexões vazias e análises impessoais e convida-nos a nos envolver como fermento ali onde quer que estejamos, onde vivemos, naquele cantinho de todos os dias”. É um Deus que “não se cansa nem se cansará de caminhar para estar junto dos seus filhos” e convida você para “caminhar com ele pela cidade, pela sua cidade”.

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