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21 Janeiro 2018

Em Puerto Maldonado, Peru, na presença de representantes de comunidades indígenas que vivem na Amazônia peruana, boliviana e brasileira, Francisco fez uma homilia destinada a denunciar os abusos cometidos contra os povos indígenas (“ouvimos e vemos as profundas feridas que trazem consigo a Amazônia e seus povos”) e sua cultura, mas, ao mesmo tempo, resgatou os principais aspectos

da sua encíclica Laudato Si’ (2015) para afirmar que “a defesa da terra não tem outra finalidade senão a defesa da vida”.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 20-01-2018. A tradução é de André Langer.

Para dizer isso, o Papa arrastou atrás de si as câmeras até o coração da Amazônia para que as imagens servissem de apoio às suas palavras. Dali, junto com os povos originários que são as principais vítimas da devastação, mas também os mais ignorados por muitos discursos ecologistas (“a perversão de certas políticas que promovem a ‘conservação’ da natureza sem levar em conta o ser humano”, disse Francisco), tentou mostrar ao mundo o que está acontecendo neste território.

Desde que Bergoglio escolheu Francisco como seu nome para exercer o governo da Igreja católica, ficou claro que a defesa do ambiente seria uma das suas preocupações. Porque este também foi o carisma do santo de Assis. A Laudato Si’ foi seu documento fundamental sobre este assunto, em que se denunciam os ataques contra a natureza e o meio ambiente.

Mais uma vez, o Papa retomou o conceito ancestral de “bem viver” (ou “bom viver”) das comunidades originárias, que supõe o cuidado “da casa comum”: o território, com seus habitantes e sua cultura. E, de acordo com o mencionado texto pontifício, Francisco recordou que a Amazônia está ameaçada pelo “neoextrativismo e pela forte pressão de grandes interesses econômicos que apontam sua avidez para o petróleo, o gás, a madeira, o ouro, as monoculturas agroindustriais” e pela “devastação da vida que vem com esta poluição ambiental”.

Mas, juntamente com a denúncia, o Papa falou da ameaça que hoje paira sobre os povos amazônicos nativos e para evitar isso, afirmou: “devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados sem levar em consideração seus habitantes”.

Os representantes indígenas pediram ao Papa no mesmo ato que os defendesse. Porque “atualmente muitos estrangeiros invadem nossos territórios: os madeireiros, os garimpeiros de ouro, as companhias de petróleo”, disse um deles falando na cerimônia. “Eles entram em nossos territórios sem nos consultar e nós sofreremos muito e morreremos quando os estrangeiros perfurarem a terra para tirar a água negra metalizada, sofreremos quando eles envenenarem e destruírem os nossos rios transformados em águas negras da morte”, acrescentou outro.

Francisco chegou a Puerto Maldonado disposto a ouvir e a conversar com os povos indígenas. Também para se tornar o porta-voz da denúncia desta situação diante do mundo. Suas palavras nesta ocasião deram continuidade à sua pregação magisterial sobre a questão ambiental, mas com ênfase na defesa das comunidades originária e de sua cultura, como únicas e verdadeiras garantias e protetores da terra em que habitam.

O objetivo, de acordo com o Papa, só pode ser alcançado reconhecendo as próprias comunidades como interlocutoras e protagonistas na defesa do ambiente. E comprometeu a própria Igreja, os seus bispos e comunidades nesta tarefa.

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