O apelo de rabinos e escritores: ''Escondamos os refugiados em casa''

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20 Janeiro 2018

Os apartamentos de Tel Aviv, Jerusalém ou Haifa como o alojamento secreto de Prinsengracht 263 em Amsterdã. Os refugiados eritreus e sudaneses a serem protegidos como Anne Frank. Um grupo de rabinos lançou uma campanha para acolher os imigrantes ilegais e evitar que sejam deportados de Israel em alguns meses, devolvidos ao horror que esperavam deixar para trás.

A reportagem é de Davide Frattini, publicada por Corriere della Sera, 19-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A ideia de se inspirar na menina judia morta no campo nazista de Bergen-Belsen – depois de ter ficado escondida com a família por quase dois anos – é de Susan Silverman, rabina progressista que imigrou de Boston em 2006 e irmã da comediante estadunidense Sarah. Ela também é uma das lideranças do movimento que quer permitir que as mulheres preguem como os homens e recitem a Torá em voz alta em frente ao Muro das Lamentações.

No encontro organizado em Jerusalém pela organização “Rabinos pelos Direitos Humanos”, Silverman perguntou às 130 pessoas presentes quantas delas esconderiam um refugiado. Todos levantaram as mãos.

A lei israelense os chama de “infiltrados”, e, na realidade, eles não se infiltraram mais desde 2012, desde que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ordenou a construção da barreira na fronteira com o Egito. Os eritreus foram contrabandeados pelos beduínos – para eles, uma mercadoria como qualquer outra, junto com as drogas e as armas – através da Península do Sinai, marchas forçadas em jejum para fugir da ditadura que, em Asmara, os obriga a prestar o serviço militar sem data de validade.

A Eritreia não está em guerra, mas o presidente, Isaias Afwerki, explora a propaganda de outro possível conflito com a Etiópia para escravizar toda a população através do uniforme.

Em Israel, quase 33 mil imigrantes ilegais ficaram bloqueados (3.000 crianças menores de seis anos nasceram lá), 10 mil pediram asilo. O status e os documentos reconhecidos pelas Nações Unidas permitiriam que eles fossem embora para outro país. Apenas 10 o obtiveram, os outros ainda estão esperando. Presos em um limbo legal e em uma jaula de miséria.

O governo de direita decidiu expulsá-los, mesmo que representem menos da metade do 1% da população: é o número mínimo recordado pelos 35 romancistas que assinaram outro apelo enviado há dois dias ao primeiro-ministro e aos parlamentares. “Imploramos que vocês parem a deportação de homens e mulheres que carregam as cicatrizes no corpo e na alma”, escrevem os intelectuais, entre eles Amos Oz, David Grossman, Abraham Yehoshua, Etgar Keret, Zeruya Shalev. “A nossa história como povo judeu se revira no túmulo, e vocês têm o privilégio de poder interromper essa vergonha.”

Para que vão embora, o Ministério do Interior oferece aos migrantes quase 3.000 euros e a passagem aérea para uma nação africana. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados da ONU advertiu Israel a não os enviar de volta à área subsaariana, onde correm o risco de acabar, novamente, presos pelos traficantes de seres humanos. A alternativa para aqueles que não aceitam embarcar é a detenção sem limite de tempo.

Silverman lembra os não judeus que arriscaram suas vidas para salvar a vida daqueles que eram caçados pelos nazistas. Ela quer acompanhar os requerentes de asilo ao Memorial do Holocausto – onde esses Justos entre as Nações são celebrados – “em uma marcha para despertar a consciência do mundo judaico”.

Ela conta de um jovem eritreu que soube do Holocausto lendo o “Diário” e embarcou na viagem perigosa a Israel convencido de que “o povo de Anne Frank me aceitaria e me protegeria”.

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