“Estejam mais próximos aos leigos. E ajudem os pobres”, pede o Papa aos bispos de Bangladesh

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02 Dezembro 2017

“A comunidade católica em Bangladesh pode estar orgulhosa de sua história de serviço aos pobres [...]. No entanto, especialmente à luz da atual crise de refugiados, vemos o muito que ainda resta a fazer”. É o chamado do Papa aos bispos bengaleses, com quem se reuniu na casa para sacerdotes anciãos, que se encontra ao lado da catedral de Daca, neste penúltimo dia de sua viagem ao Extremo Oriente.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 01-12-2017. A tradução é do Cepat.

Em seu discurso, o Papa pediu aos pastores que demonstrem maior proximidade aos sacerdotes e demonstrem “também uma proximidade aos fiéis leigos”. “É necessário promover sua participação efetiva na vida de suas Igrejas particulares - explicou -, por meio das estruturas canônicas que permitem escutar suas vozes e apreciar suas experiências. Reconheçam e valorizem os carismas dos leigos e leigas, e os animem a colocar seus dons a serviço da Igreja e da sociedade em seu conjunto”. Bergoglio citou como exemplo os “numerosos e dedicados catequistas deste país, cujo apostolado é essencial para o crescimento da fé e para a formação cristã das novas gerações. São verdadeiros missionários”.

Em seguida, Francisco destacou a importância da preparação dos candidatos ao sacerdócio, e se referiu também à atividade social da Igreja em Bangladesh, que “é dirigida à assistência das famílias e, de maneira específica, ao compromisso pela promoção da mulher. As pessoas deste país se distinguem por seu amor à família, seu sentido de hospitalidade, o respeito que demonstram aos pais e avós, e a atenção que dão aos anciãos, enfermos e desamparados”.

O Papa recordou o objetivo central do plano pastoral da Igreja do país, o da opção pelos pobres: “A comunidade católica em Bangladesh pode estar orgulhosa de sua história de serviço aos pobres, especialmente nas regiões mais remotas e nas comunidades tribais. Leva adiante este serviço, cotidianamente, por meio de seus apostolados da educação, de seus hospitais, clínicas e centros de saúde, e de suas múltiplas obras de caridade. No entanto, especialmente à luz da atual crise de refugiados, vemos o muito que ainda resta a fazer”.

Bergoglio expressou o desejo de que a inspiração para as obras de assistência aos necessitados seja “sempre essa caridade pastoral que sabe reconhecer, em seguida, as feridas humanas e que responde com generosidade a cada um pessoalmente”. Para concluir, o Pontífice recordou a importância da comum denúncia dos líderes das religiões diante dos que fomentam o enfrentamento: “Quando os líderes religiosos se pronunciam com uma só voz contra a violência, que pretende se fazer passar por religião, e tratam de substituir a cultura do conflito com a cultura do encontro, vão às raízes espirituais mais profundas de suas diversas religiões”. O Papa também se referiu à vida consagrada como uma “terceira via na Igreja”. E indicou que no mundo somente a metade das dioceses conta com assessores econômicos e legais. Acrescentou que os leigos devem ser envolvidos como conselheiros. Ao final, Francisco pediu para aumentar os contatos entre os seminaristas e os sacerdotes anciãos.

Antes de chegar à catedral, na nunciatura, Francisco recebeu a visita da primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, filha do “pai da nação”, Sheikh Mujibur Rahman, que se salvou do massacre no qual grande parte de sua família perdeu a vida pelas mãos do exército rebelde, em 1975, posto que estava com sua irmã visitando a Alemanha. É primeira-ministra, sem interrupção, desde 1996.

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