Papa: ''Que tristeza os celulares na missa, até de padres e bispos''

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09 Novembro 2017

Quando o sacerdote diz na missa “Corações ao alto”, “ele não diz ‘os nossos celulares ao alto para tirar uma fotografia’, não: é uma coisa feia. Para mim, dá muita tristeza quando eu celebro aqui na praça ou na basílica e vejo tantos celulares levantados, não apenas fiéis, também sacerdotes, até mesmo bispos!”. O Papa Francisco deu esse primeiro exemplo na Audiência geral desta quarta-feira na Praça de São Pedro, iniciando um novo ciclo de catequeses dedicado a “redescobrir o valor e o significado” da Santa Missa e da Eucaristia na convicção de que os sacramentos são “sinais do amor de Deus” e “vias privilegiadas para nos encontrarmos com Ele”, e no rastro do Concílio Vaticano II e da renovação da liturgia que promoveu.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada no sítio Vatican Insider, 08-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Tentemos fazer algumas perguntas simples”, disse o papa aos fiéis presente na audiência. “Por exemplo, por que se fazem o sinal da cruz e o ato penitencial no início da missa? Vocês viram como as crianças fazem o sinal da cruz: não sabem o que fazem, um sinal da cruz ou um desenho... Ensinar as crianças a fazerem bem o sinal da cruz… Assim inicia a missa, inicia a vida, inicia o dia, com a cruz somos redimidos. Olhem para as crianças e lhes ensinem bem a fazerem o sinal da cruz. E aquelas leituras, por que estão lá? Por que são lidas e o que têm a ver? Ou por que, em um certo ponto, o sacerdote que preside a celebração diz: ‘Corações ao alto’? Ele não diz ‘os nossos celulares ao alto para tirar uma fotografia’, não! É uma coisa feia. Para mim, dá muita tristeza quando eu celebro aqui na praça ou na basílica e vejo tantos celulares levantados, não só fiéis, também padres e bispos! Mas por favor! A missa não é um espetáculo, é ir ao encontro da paixão e da ressurreição do Senhor: por isso, o sacerdote diz: corações ao alto. O que isso significa? Eu recomendo, lembrem-se: nada de celulares.”

Com a Eucaristia, enfatizou o papa, “o Senhor está lá, conosco, presente. Muitas vezes, vamos lá, olhemos para as coisas, conversamos entre nós enquanto o sacerdote celebra a Eucaristia, mas nós não celebramos perto dele. Mas é o Senhor! Se hoje viesse aqui o presidente da República ou alguma pessoa muito importante do mundo, certamente todos estaríamos perto dele e gostaríamos de cumprimentá-lo. Mas pensem que, quando vamos à missa, lá está o Senhor, e você está distraído, você se vira para o outro lado? É o Senhor. ‘Bem, padre, é que as missas são chatas.’ ‘Aquilo que o Senhor diz é chato?’. ‘Não, as missas, não. Os padres.’ Ah, que os padres se convertam! Mas é o Senhor lá!”.

O papa explicou que quer iniciar uma nova série de catequeses depois daquela sobre a esperança cristã, “que apontará o olhar para o ‘coração’ da Igreja, isto é, a Eucaristia”. Porque “é fundamental para nós, cristãos, compreender bem o valor e o significado da Santa Missa, para viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus”.

Nas próximas catequeses, disse, “eu gostaria de responder a algumas perguntas importantes sobre a Eucaristia e a missa, para redescobrir ou descobrir como, através desse mistério da fé, resplandece o amor de Deus”.

Jorge Mario Bergoglio sublinhou a existência de um “grande número de cristãos que, no mundo inteiro, em 2.000 anos de história, resistiram até a morte para defender a Eucaristia”, e “quantos, ainda hoje, arriscam a vida para participar da missa dominical”.

Depois, lembrou que, “no ano 304, durante as perseguições de Diocleciano, um grupo de cristãos do norte da África foi surpreendido enquanto celebravam a missa em uma casa e foram presos. O proconsul romano, no interrogatório, perguntou-lhes por que tinham feito isso, sabendo que era absolutamente proibido. E eles responderam: ‘Sem o domingo não podemos viver’, o que queria dizer: se não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos viver, a nossa vida cristã morreria”.

“Esses cristãos do norte da África foram mortos por celebrar a Eucaristia. Deixaram o testemunho de que se pode renunciar à vida terrena pela Eucaristia, porque ela nos dá a vida eterna, tornando-nos partícipes da vitória de Cristo sobre a morte.”

O Concílio Vaticano II, reiterou o Papa Francisco, “foi fortemente animado pelo desejo de levar os cristãos a compreender a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo. Por esse motivo, era necessário, acima de tudo, implementar, com a orientação do Espírito Santo, uma adequada renovação da liturgia, porque a Igreja continuamente vive dela e se renova graças a ela. Um tema central que os Padres conciliares enfatizaram é a formação litúrgica dos fiéis, indispensável para uma verdadeira renovação. E é também justamente esse o propósito deste ciclo de catequeses que hoje iniciamos: crescer no conhecimento desse grande dom que Deus nos deu na Eucaristia”.

Por esse motivo, “é muito importante voltar aos fundamentos, redescobrir o que é o essencial, através daquilo que se toca e se vê na celebração dos sacramentos”, concluiu o pontífice argentino.

“O pedido do apóstolo São Tomé, de poder ver e tocar as feridas dos pregos no corpo de Jesus, é o desejo de poder, de algum modo, ‘tocar’ Deus para crer nele. O que São Tomé pede ao Senhor é aquilo de que todos nós precisamos: vê-lo e tocá-lo para poder reconhecê-lo. Os sacramentos vão ao encontro dessa exigência humana. Os sacramentos e a celebração eucarística de modo particular são os sinais do amor de Deus, as vias privilegiadas para nos encontrarmos com Ele.”

No momento dos cumprimentos finais, o papa se dirigiu aos peregrinos poloneses, lembrando que, no próximo domingo, por iniciativa da Conferência Episcopal Polonesa e da Associação Ajuda à Igreja que Sofre, será celebrado o 9º Dia de Solidariedade com a Igreja Perseguida, sustentando espiritual e materialmente os irmãos e as irmãs do Oriente Médio: “Obrigado por isso”, disse o papa, “as orações e as ofertas de vocês são uma ajuda concreta e um sinal do vínculo com todos os sofredores do mundo em nome de Cristo”.

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