Igreja australiana se prepara para pagar um bilhão de dólares às vítimas de abusos sexuais

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01 Novembro 2017

Um bilhão de dólares australianos. 660 milhões de euros, ou 770 milhões de dólares americanos. Essa é a quantia de dinheiro que a Igreja australiana prevê que terá que pagar como compensação a milhares de vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes e religiosos, segundo divulgou o organismo que coordena a resposta institucional aos escândalos de abusos cometidos em seu seio.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 31-10-2017. A tradução é do Cepat.

Quando terminar o seu trabalho, neste próximo mês de dezembro, a Comissão Real Antipedofilia – que investigou o assunto durante mais de quatro anos – entregará suas conclusões finais sobre o sofrimento, frieza e acobertamentos aos quais foram submetidas cerca de oito milhões de vítimas de abusos, em 4.000 instituições religiosas, estatais e beneficentes do país, dos anos 1950 até o dia de hoje. Desta soma total, cerca da metade dos crimes ocorreu em instalações católicas. Daí a Igreja australiana se preparar para desembolsar tão grande quantidade de indenizações.

Francis Sullivan, diretor executivo da entidade católica estabelecida para enfrentar o escândalo, o Conselho para a Verdade, a Justiça e a Cura, declarou ao Times que “nossa análise é que o programa nacional de reparações proposto pela Comissão Real para um período de dez anos custará cerca de 4 bilhões, e entre aqueles bilhões consideramos que nosso desembolso some um”.

Previsivelmente, o restante dos três bilhões de dólares que serão oferecidos a vítimas de abusos em outras instituições será pago pelas próprias instituições responsáveis ou, então, pelo Governo Federal, dentro do programa nacional de reparações, que foi anunciado em novembro do ano passado. E no que se refere à Igreja católica, não se sabe, no momento, se esses 1 bilhão que admite que terá que pagar no futuro, serão somados ou não aos 300 milhões de dólares que já foi pagando às vítimas até agora.

O ministro australiano de Serviços Sociais, Christian Porter, atualizou o Parlamento nacional sobre os avanços da luta da Comissão Real para a verdade e a justiça sobre as vítimas de abusos. O político anunciou que os números com os quais o Governo agora trabalha sugerem que 20.000 crianças foram abusadas em instituições estatais e outras 40.000 em instituições não governamentais - já fora dos rigorosos termos de referência da Comissão Real -, incluindo 2.000 instalações operadas pela Igreja católica.

Após avançar contra as diferentes Igrejas australianas por sua continuada recusa em enfrentar suas obrigações em termos de compensações, e anunciar que serão aprovadas leis que tornarão obrigatória sua participação no programa nacional, o ministro proclamou que “jamais qualquer criança deve viver o que sabemos que aconteceu”.

“O estabelecimento deste programa [de compensações, por parte do Governo] é um reconhecimento de que o abuso sexual sofrido por crianças em instituições foi um mal, uma traição escandalosa de sua confiança e algo que, simplesmente, nunca deveria ter ocorrido”.

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