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18 Outubro 2017

A Igreja está analisando em profundidade o tema da família: dois sínodos (2014-2015), uma exortação pós-sinodal (Amoris laetitia) e um debate que não mostra sinais de diminuir. Divorciados, divorciados recasados, casais vivendo em união estável, homossexuais etc.: cada um encontrou uma referência no recente magistério. A respeito dos celibatários que não o são por opção, como os religiosos, as religiosas ou os padres, não há nenhuma palavra.

O artigo é de Lorenzo Prezzi, publicada por Settimana News, 15-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Por isso merece atenção uma publicação da Secretaria Geral do episcopado francês: Celibatos, celibatários. Quais as perspectivas na Igreja? A surpresa adicional é que se trata de uma reedição. Publicada pela primeira vez em Documents Episcopat (n 3, 2010) agora volta a ser editada, com uma introdução diferente em Documents Episcopat n. 8, de 2017. Um testemunho tanto da qualidade do texto (que leva a assinatura de Claire Lesegretain, jornalista do La Croix e autora de várias obras no tema), como da urgência do problema pastoral.

Visados pelo mercado, ignorados pela Igreja

Os celibatários não por escolha própria "tem a dor de ver seus amigos casar ou se consagrar, enquanto eles permanecem na plataforma à espera de um trem que nunca virá, e vivendo um estado de vida que eles não queriam". "É necessário reconhecer que as palavras eclesiais a respeito deles são pobres, praticamente inexistentes, porque constantemente se referem à preparação de uma vocação mais ‘positiva’".

Nem tudo ficou parado. Desde 2010, na França, ocorrem, em média, cinco ou seis sessões por ano que as dioceses, os religiosos, as novas comunidades ou santuários dedicam a eles, reunindo cerca de dois mil solteiros.

Enquanto isso, mudou profundamente o contexto social. No cartório de registros na França são 16,8 milhões; 8,9 homens e 7,9 mulheres. Eram 36,5% em 2006. Dez anos mais tarde são 41,2%. Mas, do número total, devem ser tirados os padres, as religiosas, as uniões estáveis, as uniões livres reconhecidas, os divorciadas com filhos etc. Então o número reduze-se para 6 milhões.

Eles são sujeitos visados pelo mercado (viagens, encontros, produtos), mas não vivem um sentimento de pertencimento. As atitudes que mais parecem diretamente identificá-los são: ressentimentos dolorosos, necessidade de esperança, busca de fecundidade.

Em um contexto social altamente erotizado a ausência de um parceiro ou de filhos promove sentimentos de abatimento e o questionamento sobre a própria normalidade.

Existem inúmeras discriminações nos seus confrontos: dos jantares para os quais não são convidados por falta de parceiro até uma menor consideração por parte dos pais, da "normalidade" dos serviços de cuidado dos idosos à destinação de férias fora dos períodos "de praxe".

Eles se sentem desvalorizados mesmo na Igreja e não entendem como seu estado possa se combinar com a insistência sobre a vocação.

Uma primeira resposta é falar positivamente do corpo, não como um inimigo a dobrar, mas como um dom a ser desenvolvido. Não é necessário ter relações sexuais para viver plenamente a própria masculinidade ou feminilidade. A vocação vale para todos os estados de vida, incluindo o celibato não escolhido: ela exige a resposta ao chamado à santidade.

Os solteiros cristãos esperam da Igreja uma ajuda para viver a sua condição e o reconhecimento e o amor não só por seus serviços, mas pelo que eles representam.

Esperança ou inútil espera?

A segunda atitude é a sensação de viver na espera, certa incapacidade de assumir o controle da própria vida. Torna-se mais difícil para eles adquirir um apartamento, mudar de emprego, trocar de endereço. O futuro não é cadenciado pela espera dos filhos e de uma velhice assistida. A perspectiva de um encontro decisivo os expõe a erros e a tornarem-se vítimas de um mercado fugaz. Especialmente as mulheres não estão disponíveis para uma relação de amizade que permaneça tal e que tenha em si sua razão.

No lado positivo, vale a pena destacar sua busca de um sentido de vida e sua demanda, muitas vezes implícita, da esperança. Eles também podem mostrar que o presente é ainda assim valioso e pode ser vivido com e para Deus. "Vai ser bom incentivá-los a viver saudáveis relações de amizade, sem seduções nem ciúmes, sem possessividade nem busca de exclusividade".

Uma terceira atitude é a busca da fertilidade. O contexto social aprecia muito valores infantis e juvenis, como a criatividade, a espontaneidade e a ausência de projetos e menos aqueles adultos, como a autoridade, a transmissão do poder e o respeito pela palavra dada. Ter filhos parece ser necessário para a passagem dos valores. Para o solteiro torna-se grande a tentação de substituir o alegado fracasso afetivo com o sucesso profissional, embora nunca vai ser suficiente para dar completude para uma pessoa. Além disso, são poucos os exemplo de domínio público e de amplo conhecimento eclesial que valorizam os solteiros (pode-se pensar em Frassati, La Pira e Schuman).

No lado positivo, deve-se ressaltar que a doação de si vale para o matrimônio, para a consagração e para o celibatário no mesmo grau, e que a fecundidade não é medida apenas pelo número de filhos, sendo mais parte de uma disponibilidade interior e da obediência a Deus. Não é necessária para os celibatários uma pastoral específica, mas talvez algum momento de atenção mais específico (compartilhamento, oração, acompanhamento espiritual etc.). Existem também tentativas de vida em comum, uma espécie de beguinaria masculina moderna.

A 'incompletude' do solteiro enseja uma oração de intercessão maior, especialmente para aqueles que sofrem de isolamento e solidão.

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