Entrevistem-me olhando nos meus olhos. Artigo do Papa Francisco

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18 Outubro 2017

Publicamos aqui um texto do Papa Francisco retirado do livro Adesso fate le vostre domande [Agora façam as suas perguntas] (Ed. Rizzoli, 240 páginas), escrito pelo pontífice com Antonio Spadaro. O livro, que estará nas livrarias italianas na próxima quinta-feira, será apresentado no dia 21 de outubro, às 18h, em Roma, na sede da revista La Civiltà Cattolica. Com o Pe. Spadaro, estarão Piero Badaloni e Ferruccio de Bortoli.

O texto foi publicado por La Repubblica, 17-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Eu sou “cara de pau”, mas também sou tímido. Em Buenos Aires, eu tinha um pouco de medo dos jornalistas. Eu pensava que eles poderiam me pôr em dificuldades e, por isso, não dava entrevistas. Mas, um dia, deixei-me convencer por Francesca Ambrogetti, pensando no bem que daí poderia vir. Ela me convenceu, e eu confiei nela. E, assim, uma vez por mês, às 9h, eu via a ela e a Sergio Rubín, e, no fim, saiu o livro-entrevista El Jesuita.

Eu sempre tive medo das más interpretações daquilo que eu digo. Daquela primeira entrevista como arcebispo de Buenos Aires, eu não gostei da capa, mas fiquei muito feliz com todo o resto. A história das minhas entrevistas como arcebispo começou assim. Em seguida, dei outras a Marcelo Figueroa e Abraham Skorka. Sempre na confiança nas pessoas com as quais eu dialogava.

Eu já era papa quando o Pe. Antonio Spadaro veio me pedir uma entrevista. A minha reação instintiva foi de incerteza, como no passado, e eu lhe disse que não. Depois, senti que podia ter confiança, que devia confiar. E aceitei. Com ele, fiz duas longas entrevistas, que estão reunidas neste volume. Spadaro é o diretor da Civiltà Cattolica, revista desde sempre intimamente ligada aos papas. Ele esteve presente nas entrevistas e nas conversas deste livro e se encarregou das minhas palavras.

Capa do livro | Divulgação

Depois daquela primeira entrevista em agosto de 2013, vieram as outras, também aquelas que eu dou no avião, no retorno das viagens apostólicas. Mesmo lá, nessas viagens, eu gosto de olhar as pessoas nos olhos e de responder as perguntas com sinceridade. Eu sei que devo ser prudente e espero sê-lo. Sempre rezo ao Espírito Santo antes de começar a ouvir as perguntas e a responder. E, assim como não devo perder a prudência, também não devo perder a confiança. Eu sei que isso pode me tornar vulnerável, mas é um risco que eu quero correr.

As entrevistas, para mim, sempre têm um valor pastoral. Tudo o que faço tem valor pastoral, de um modo ou de outro. Se eu não tivesse essa confiança, eu não concederia entrevistas: para mim, isso é bem claro. É uma maneira de comunicação do meu ministério. E eu uno essas conversas nas entrevistas com a forma cotidiana das homilias em Santa Marta, que é – digamos assim – a minha “paróquia”.

Eu preciso dessa comunicação com as pessoas. Lá, quatro dias por semana, 25 pessoas de uma paróquia romana vêm me encontrar, junto com outras. Eu tenho uma verdadeira necessidade dessa comunicação direta com as pessoas. Conceder uma entrevista não é como subir à cátedra: significa se encontrar com jornalistas que, muitas vezes, fazem as perguntas das pessoas.

Uma coisa que eu também acho bom é falar com pequenas revistas e jornais populares. Eu me sinto ainda mais à vontade. De fato, nesses casos, eu realmente escuto as perguntas e as preocupações das pessoas comuns. Tento responder de modo espontâneo, em uma conversa que eu quero que seja compreensível, e não com fórmulas rígidas. Eu também uso uma linguagem simples, popular. Para mim, as entrevistas são um diálogo, não uma lição.

Por isso, eu não me preparo. Às vezes, eu recebo as perguntas antecipadamente, mas quase nunca as leio ou penso nelas. Simplesmente, não me vem nada à mente. Outras vezes, no avião, eu imagino as perguntas que poderiam me fazer. Mas, para responder, eu preciso encontrar as pessoas e olhá-las nos olhos.

Sim, eu ainda tenho medo de ser mal interpretado. Mas, repito, quero correr esse risco pastoral.

Isso também me acontece em outros casos. Às vezes, nos meus entrevistadores, eu notei – mesmo naqueles que se dizem muito distantes da fé – uma grande inteligência e erudição. E também, em alguns casos, a capacidade de se deixar tocar pelo “toque” de Pascal. Isso me comove, e eu aprecio muito. [...]

Eu quero uma Igreja que saiba se inserir nas conversas dos homens, que saiba dialogar. É a Igreja de Emaús, em que o Senhor “entrevista” os discípulos que caminham desencorajados. Para mim, a entrevista faz parte dessa conversa da Igreja com os homens de hoje.

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