Diocese de Assis, Itália, está entre 40 grupos católicos a desinvestir em combustíveis fósseis

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05 Outubro 2017

Às vésperas do Dia de São Francisco, a diocese de Assis está cortando laços financeiros com combustíveis fósseis.

A diocese italiana, que abrange a região de Francisco de Assis, juntou-se a mais de 36 grupos católicos para marcar o dia do santo padroeiro da ecologia (dia 4 de outubro) com o desinvestimento em combustíveis fósseis.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada por National Catholic Reporter, 03-10-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

No total, 40 instituições de 11 países nos cinco continentes anunciaram, no dia 3 de outubro, que desinvestiriam. O anúncio conjunto, coordenado pelo Movimento Católico Global pelo Clima, é, de longe, o maior, uma vez que uma rede de mais de 400 organizações formou um grupo de trabalho em desinvestimento logo após a encíclica de 2015 do Papa Francisco, "Laudato Si' sobre o Cuidado da Casa Comum".

Até agora, aproximadamente 60 instituições católicas divulgaram planos de desinvestimentos parciais ou totais na indústria de combustíveis fósseis. Os grupos religiosos representam aproximadamente a quarta parte dos compromissos de desinvestimento, o que, desde que o movimento contra o uso de combustíveis fósseis ganhou força, em 2012, contabilizou cerca de US$ 5 trilhões em cortes a empresas de petróleo, carvão e gasolina.

Em sua encíclica ambiental, o Papa Francisco reconheceu o consenso científico de que o aquecimento global está ocorrendo e escreveu: "Sabemos que a tecnologia baseada no uso de combustíveis fósseis altamente poluentes - principalmente o carvão, mas também o petróleo e, em menor grau, a gasolina - deve ser progressivamente substituída logo".

Os gases de efeito de estufa, principalmente o dióxido de carbono, emitidos pela queima de combustíveis fósseis, são uma causa fundamental do aquecimento global. O Acordo de Paris sobre o aquecimento global exige que quase todos os países do mundo reduzam drasticamente as emissões para manter o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C e, se possível, abaixo de 1,5°C, para evitar seus efeitos mais severos, que afetariam as comunidades pobres e marginalizadas do mundo de forma mais crítica.

"A Igreja, que ouve 'tanto o grito da Terra quanto o grito dos pobres', não pode permanecer indiferente diante das consequências catastróficas do aquecimento global, que afetam injustamente as comunidades pobres e vulneráveis", disse o arcebispo de Assis, Domenico Sorrentino, em um comunicado. "Conforme o exemplo de São Francisco, queremos agir para superar um sistema econômico e energético que está prejudicando demais a nossa casa comum".

A cidade de Assis e o mosteiro do Sacro Convento, que abriga os restos do santo do século XIII, também estão se juntando à Diocese de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino no movimento financeiro sem combustíveis fósseis.

O Pe. Mauro Gambetti, custódio do Sacro Convento, afirmou em uma declaração que a decisão de desinvestimento do mosteiro faz parte de um compromisso mais amplo com questões ambientais e sustentáveis e era inspirada pelo Papa Francisco.

"Nos baseamos em seus gestos para renovar o nosso compromisso de sensibilizar a nós mesmos, à opinião pública e aos que são chamados a governar para garantir que o compromisso com a implementação do Acordo Climático de Paris ocorra em benefício das gerações futuras", disse Gambetti.

As dioceses italianas de Caserta e Gubbio também participaram do anúncio, assim como a Arquidiocese da Cidade do Cabo, na África do Sul, um banco católico alemão e 11 ordens religiosas e congregações em todo mundo - algumas com sede na Bélgica, onde 13 instituições católicas divulgaram seus compromissos de desinvestimento.

Entre elas está a Conferência Episcopal da Bélgica, a primeira conferência episcopal a desinvestir em combustíveis fósseis.

Em abril, os bispos belgas assinaram o Estatuto da Boa Gestão das Propriedades da Igreja, que traz as ideias de Laudato Si' para decisões de políticas de investimento, priorizando as empresas focadas em energia sustentável e renovável e eficiência energética.

"Nos próximos anos, devem ser feitos esforços para substituir completamente os investimentos em exploração de combustíveis fósseis por investimentos em desenvolvimento sustentável, energia renovável e transição para uma economia de baixo carbono", disseram os bispos em comunicado.

"Um mundo que permite o aquecimento global é um mundo que não honra nosso Criador". – Irmão Franciscano Richard Rohr

Na Alemanha, o Banco da Igreja e a Caritas anunciaram que desinvestiriam o valor de suas participações, que representam 4,5 bilhões de euros, em empresas envolvidas na extração de carvão, areia betuminosa e xisto betuminoso.

"Enquanto banco católico, nos sentimos fortemente responsáveis por participar da luta contra o aquecimento global", disse, em um comunicado, Tommy Piemonte, diretor de pesquisas sobre sustentabilidade do banco que representa os católicos, juntamente com instituições e fundações relacionadas à Igreja.

"Temos convicção de que a integração de critérios sustentáveis em todos os nossos investimentos e produtos de poupança é um dos nossos deveres fiduciários", acrescentou.

Fora da Europa, organizações católicas na Argentina, Austrália, Quênia, Serra Leoa e África do Sul também anunciaram intenções de desinvestimento.

"Como país em desenvolvimento, seria fácil continuar aumentando as emissões através do quadro global e achar que estamos fazendo a nossa parte de forma equitativa", disse Kevin Roussel, diretor executivo de Bem-estar e Desenvolvimento Católico, na África do Sul, em um comunicado. "Estamos assumindo um forte compromisso com o desinvestimento para promover uma transição justa na economia, que seja boa para o planeta e para todos nós."

O Irmão Franciscano Richard Rohr, cujo Centro para Ação e Contemplação, com sede em Albuquerque, também prometeu desinvestir, considerou a ação "um ato profundamente espiritual".

"Um mundo que permite o aumento do aquecimento global é um mundo que não honra nosso Criador", disse Rohr em um comunicado.

Duas ordens e duas congregações de religiosas que ministram internacionalmente também anunciaram planos de desinvestimento. As Irmãs Escolares de Notre Dame, com sede em Connecticut, passaram pelo processo de cortar investimentos em combustíveis fósseis de seu fundo de aposentadoria em 2016.

"Parece evidente para mim que os combustíveis fósseis são uma das principais causas do aquecimento global... dizendo isso, penso que não podemos investir em empresas que os produzem. Acho que precisamos ser consistentes", disse ao NCR a Ir. Ethel Howley, que faz a comunicação a respeito de responsabilidade social na congregação.

Ainda assim, a congregação acreditava que era importante manter um pequeno investimento em empresas de combustíveis fósseis para engajar empresas na indústria de extração de energia. Como membros do Interfaith Center on Corporate Responsibility, as Irmãs Escolares de Notre Dame estavam entre os grupos religiosos que assinaram uma resolução aprovada em maio por quase dois terços dos acionistas, que solicitaram que a empresa elaborasse um relatório anual sobre o impacto de políticas climáticas internacionais sobre seus negócios em longo prazo, principalmente em relação ao Acordo de Paris.

"Também é importante que as corporações façam algumas mudanças em suas políticas, para que sejam menos prejudiciais ao clima e ao nosso planeta", disse Howley, dada a dependência das irmãs e de toda a sociedade da energia, ainda amplamente produzida pela queima de gás natural, petróleo e carvão.

Em maio, nove organizações católicas comprometeram-se a desinvestir em combustíveis fósseis. Isso acontece após sete instituições católicas terem assumido compromissos nesse sentido na época do dia de São Francisco no ano passado.

O fato de o número de organizações ter quadruplicado em cinco meses dá "evidências claras de que o movimento de desinvestimento em combustíveis fósseis está crescendo em força e ritmo" entre os católicos, disse Cecilia Dall'Oglio, gerente europeia de programas do Movimento Católico Global pelo Clima, que está liderando a campanha de desinvestimento, por e-mail.

Segundo ela, esses grupos católicos que estão desinvestindo são "proféticos em sua posição contra a energia suja, que alimenta o aquecimento global e prejudica famílias em todo o mundo". Rebecca Elliott, diretora de comunicação do Movimento Católico Global pelo Clima, considerou a ação coletiva um sinal de "união da liderança católica pela proteção da criação".

"Essas instituições representam alguns dos lugares e pessoas mais significativas da Igreja", disse ela ao NCR, acrescentando que a inclusão de Assis forneceu "uma bela conexão" com São Francisco e sua íntima conexão com o mundo natural.

O último anúncio de desinvestimento veio no final do período de Orações pela Criação, uma semana de oração e reflexão para os cristãos, que começa no dia 1º de setembro com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

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