A extrema direita sueca quer infiltrar-se na Igreja luterana

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20 Setembro 2017

O Partido dos Democratas da Suécia mobilizou-se para ampliar sua presença em todos os órgãos de decisão da Igreja da Suécia, a instituição protestante de confissão luterana que é a maior organização religiosa do país, durante as eleições de 17 de setembro.

A reportagem é de Anne-Françoise Hivert, publicada por Le Monde, 18-09-2017. A tradução é de André Langer.

Os Democratas da Suécia (SD) conseguiram. Ao obter 9,22% dos votos nas eleições da Svenska kyrkan (Igreja da Suécia), no domingo 17 de setembro, o partido da extrema direita aumenta sua pontuação em mais de três pontos em comparação com a eleição de 2013. Mais do que um teste antes das eleições legislativas de 2018, os Democratas da Suécia esperam aumentar sua influência na Igreja Luterana, majoritária na Suécia (com 6,1 milhões de membros em um país de 10 milhões de habitantes), que eles acreditam estar sob a hegemonia do “establisment liberal de esquerda”.

Esta votação é um dos vestígios do tempo em que o reino escandinavo ainda dispunha de uma Igreja de Estado, antes da ruptura que sobreveio em 2000. Os fiéis votaram para eleger seus representantes para os conselhos paroquiais, as assembleias diocesanas e para o Sínodo, o equivalente ao Parlamento para a Igreja Luterana. Eles podem escolher dentre cerca de 15 listas, três das quais são controladas pelos social-democratas (com 30% dos votos), pelos centristas e pela extrema direita, e outras sete estão ligadas a vários partidos políticos.

Em 2013, os Democratas da Suécia desembolsaram 100 mil coroas (10,5 mil euros) para financiar sua campanha. Este ano, o partido – que tem cerca de 20% das intenções de voto de acordo com as pesquisas – multiplicou seu orçamento por dez, atingindo 1,2 milhão de coroas. Apresentou mil candidatos, contra apenas 130 em 2013.

"O troll que vem surgindo na esquina da rua"

O seu objetivo, explica Aron Emilsson, porta-voz do partido para questões religiosas, é "despolitizar a Igreja Luterana", que, segundo ele, "está passando por uma crise de identidade, pois, em vez de ser o garante da identidade cristã clássica, do patrimônio cultural e das tradições que ela tem, tornou-se uma formadora de opinião política, que tem medo de brigar com outras denominações religiosas".

O partido defende "a evangelização dos subúrbios" e "a defesa dos cristãos oprimidos na Suécia e no mundo". No começo de setembro, Mattias Karlsson, líder do grupo no Parlamento, criticou, diante de militantes, as recitações em voz alta do Corão nas igrejas, que ele comparou com "a leitura de Mein Kampf em uma sinagoga".

Aron Emilsson, por sua vez, criticou o compromisso da Igreja a favor da luta contra as mudanças climáticas, pela acolhida dos refugiados e uma anistia para os imigrantes indocumentados. No outono de 2015, o líder do partido, Jimmie Akesson, pediu a cabeça da presidenta do Conselho da Igreja da Suécia, a arcebispa Antje Jackelén, que defendeu uma política generosa de asilo e fez um alerta contra "o troll que vem surgindo na esquina da rua" – os Democratas da Suécia sentiram-se visados.

Denunciando a "batalha cultural" travada pela extrema direita, seus oponentes mobilizaram suas tropas. No domingo, pela primeira vez em anos, os suecos enfrentaram fila para votar, elevando a taxa de participação para 18%, um recorde em 67 anos. O presidente da organização POSK [Politicamente Independente na Igreja da Suécia], favorável a uma igreja sueca politicamente independente, Hans-Olof Andrén, duvida, no entanto, que a extrema direita consiga exercer alguma influência. A quarentena resiste: "Qualquer proposta que vier dos Democratas da Suécia, seja boa ou não, será rejeitada".

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