Para bispos suíços, Amoris laetitia propõe uma pastoral renovada

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19 Setembro 2017

A exortação Amoris laetitia é um dom para a Igreja, porque representa um convite para repensar a pastoral matrimonial e familiar, e, em certos aspectos, toda a pastoral como um todo. E o motivo é que, com esse texto “que deve ser lido e que se deve fazer ler”, o pontífice exorta a promover um novo estilo de ação eclesial sob o sinal da cultura da acolhida, acompanhamento, discernimento e integração em todos os níveis pastorais. Porque o “princípio da misericórdia” é o “coração” que anima e dá vida à doutrina cristã.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada por Vatican Insider, 13-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É total e, como já aconteceu em outros episcopados, incondicional a recepção da exortação pós-sinodal sobre os temas do matrimônio e da família por parte, desta vez, dos bispos e abades da Suíça.

O texto parece representar o capítulo mais importante da 317ª Assembleia Ordinária da Conferência Episcopal Suíça (CES), que ocorreu de 4 a 6 de setembro no mosteiro de St. Niklausen, no cantão de Obwalden, onde também se discutiu sobre ecumenismo, vida consagrada, bioética e fim da vida, sobre o próximo encontro ecumênico juvenil promovido no fim do ano pela Comunidade de Taizé em Basileia e sobre a participação no questionário em vista ao Sínodo de 2018 sobre os jovens.

Termos como “renovação pastoral” e “conversão” são recorrentes já a partir do título da mensagem dirigida aos agentes de pastoral, padres, diáconos e leigos, “Por uma renovação da pastoral do matrimônio e das famílias à luz da Amoris laetitia: uma boa nova para todos e todas”, que representa uma adesão plena e convicta às reflexões de Bergoglio, seja em relação aos fundamentos, seja em relação às indicações, sinal de uma prática pastoral – em plena sintonia com o espírito do pontífice – que, há anos, já estava sob o sinal da acolhida e do discernimento.

Uma adesão expressada desde as primeiras frases com “um mar de gratidão” ao papa, porque a Amoris laetitia “oferece a possibilidade de agradecer a todos os casais e as famílias que vivem, cada um à sua maneira, o evangelho do amor”, através de uma “linguagem cotidiana e, por isso, acessível a todos”.

Precisamente por essa possibilidade de leitura, que não requer mediações de qualquer tipo, os prelados suíços ressaltam – com uma linguagem igualmente acessível – que as suas reflexões não são uma síntese da Amoris laetitia, mas apenas algumas orientações de caráter geral que, depois, deverão necessariamente entrar no contexto de cada diocese e território, na perspectiva de uma dimensão transversal que deveria caracterizar toda a pastoral, chamada de “um olhar confiante e realista”.

Entre as características salientes que se convida a ressaltar nas comunidades, está, em primeiro lugar, a acolhida, definida como “uma atitude fundamental” em nome dos conceitos de acompanhamento, discernimento e integração, e daquela atitude “geradora de pastoral” que reconhece que o Espírito já está agindo, seja qual for o contexto, ou seja, a valorização daquelas “semina Verbi” de matriz conciliar, evocados também pelo pontífice (são muito frequentes também as citações da Evangelii gaudium).

Não se trataria de reiterar (muito menos de impor) uma doutrina, mas, em uma “lógica da gradualidade”, de acolher as pessoas onde elas se encontram e encorajá-las a crescer na fé e na vida cristã, tornando desejável o “feliz anúncio” do amor de Deus sobre a família.

A esse respeito, a atitude de misericórdia, na base da “pedagogia divina”, representa “o anel de ligação entre a lógica do Evangelho, a doutrina da Igreja e a lógica da pastoral”.

Ou, nas palavras do cardeal Schönborn, “a doutrina sem ação pastoral é apenas um ‘címbalo estridente’ (1Co 13, 1), enquanto a pastoral sem uma doutrina é apenas um pensar ‘segundo os homens’ (Mt 16, 23)”, para que se limpe do campo tanto o laxismo quanto o rigorismo, voltados a si mesmos.

“É necessário – afirma-se – ir ao encontro das pessoas onde elas estão e descobrir os elementos positivos que elas já experimentam, incluindo aqueles que não encarnam mais adequadamente o ideal cristão. Isso para leva-las, depois, a irem além, rumo à plenitude do matrimônio e da família à luz do Evangelho” (AL 294), que sempre representa o ideal do Bem ao qual devemos tender, mas que não deve ser considerado uma barra alta demais que desencoraja as pessoas.

“O Evangelho de Jesus Cristo ilumina as histórias concretas e particulares”: é à luz da singularidade das diversas situações e da inculturação do anúncio cristão (AL 35-38) que deverá ser organizada toda a pastoral familiar e matrimonial, e, quase como centros concêntricos, toda a pastoral como um todo.

O contexto é um tema que parece ser particularmente importante para os bispos suíços. “Trata-se de encontrar pessoas de maneira autêntica e favorecer uma interiorização, cada um na própria consciência (AL 37), aquilo que o papa chama de pastoral ‘corpo a corpo’ (Carta de Bergoglio aos bispos da região de Buenos Aires, 05-09-2016).”

Portanto, é preciso “aprender a olhar”, entendido como uma mudança de perspectiva que leve a uma verdadeira “pastoral do olhar”, imitando Jesus, conforme os Evangelhos. Um olhar sempre positivo, mas diferenciado, um olhar de amizade e de amor, capaz de “ir além das aparências para alcançar a intimidade das consciências, em interação com a esfera da educação e da cultura, do trabalho e da economia, assim como da política, em colaboração com as ciências humanas, a sociologia, a psicologia, a pedagogia”.

E essa, que é definida como “conversão missionária da Igreja”, não é a única atitude a ser aprendida, porque é igualmente importante “aprender a acompanhar como Deus nos acompanha”. Nessa obra, confiada a toda a comunidade, encontram-se o reconhecimento e uma aberta declaração de confiança em relação aos casais e às famílias consagradas na Igreja: se os cônjuges são os “ministros” do sacramento, eles se tornam os “atores principais da pastoral familiar”. A Igreja deve “apostar” neles porque “a acolhida e o acompanhamento das diversas situações dentro de uma comunidade passa pela presença contagiosa e difusiva do bem dos casais e das famílias”.

À luz da gradualidade e da singularidade dos contextos, aborda-se a oferta de caminhos de preparação ao matrimônio cristão e de acompanhamento dos casais jovens. Sem expectativas muito altas e desencorajadoras, a proposta (discreta) é de um caminho de amadurecimento – uma espécie de “catecumenato ao matrimônio” – que comece desde os anos da catequese de iniciação cristã, para se tornar mais concentrado no tempo do noivado e nos meses que precedem a celebração do sacramento, para continuar depois nos primeiros anos de casamento.

No fundo, escrevem os bispos, trata-se de consolidar e fortalecer aquilo que já existe na Suíça dentro de um marco operacional cada vez mais eficaz, que inclua equipes pastorais, responsáveis locais, colaboradores locais e diocesanos para favorecer uma pastoral de “proximidade”.

Uma ação cada vez mais urgente, para a qual é necessário aprender a “arte do discernimento” (tomada de empréstimo da tradição inaciana), já que as situações concretas são as mais diversas e incluem também as inevitáveis provações, os momentos de crise afetiva, mas também econômica ou de trabalho das famílias, que devem se encarregar do sofrimento dos filhos, especialmente se forem menores, do surgimento de uma doença, de uma separação e de um luto.

Discernir, segundo os bispos, que citam o papa e o Catecismo, significa reconhecer em alguns casos, talvez com uma colaboração interdisciplinar, as “circunstâncias atenuantes” que às vezes permitem “reduzir até anular a responsabilidade pessoal” (AL 302, CCC 1.735).

“Em cada situação, é possível viver na graça de Deus e, em alguns casos, a assistência dos sacramentos pode intervir”: essa é a única referência ao tema do capítulo VIII da exortação, que desencadeou reações, mas cuja intenção dos bispos aparece claramente à luz de toda a mensagem.

Entrevistado pela Agência Católica Suíça, Alain de Raemy, bispo auxiliar de Lausanne, Genebra e Friburgo (58 anos de idade, lema episcopal “Apud Dominum Misericordia”) e membro da equipe que redigiu o texto e da Comissão de Bioética, é ainda mais explícito: “Os bispos encorajam um profundo caminho de discernimento, encarnado em cada situação. E, em alguns casos, embora evitando qualquer generalização, é possível que o acesso aos sacramentos da confissão e à Eucaristia possa ajudar o caminho pessoal”.

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