Primeiro dia do julgamento do Vaticano termina de forma decepcionante, com suspensão do caso até 19 de setembro

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08 Setembro 2017

O interior da sala de audiências do Tribunal do Vaticano, onde um julgamento contra dois leigos italianos acusados de se apropriar indevidamente de US$ 500.000 de um hospital infantil patrocinado pelo papa para financiar a renovação do apartamento de um importante cardeal terminou nesta quinta-feira com uma suspensão até 19 de setembro.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 07-09-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Apesar da aparente esperança do Vaticano de que um julgamento penal contra dois leigos italianos por apropriação indevida de recursos de um hospital patrocinado pelo papa para renovar o apartamento do Vaticano de um importante cardeal fosse encerrado antes de o Papa Francisco retornar da Colômbia, na segunda-feira, o primeiro dia terminou com a suspensão do caso até 19 de setembro devido ao surgimento de novas evidências.

O primeiro dia do julgamento de um caso de destaque do Vaticano, nesta quinta-feira, encerrou de forma decepcionante. Após alguns conflitos legais a respeito de novos depoimentos, os três juízes do caso decidiram deixá-lo em suspenso até 19 de setembro.

Desde o início, a ideia em Roma era que o Vaticano realizasse o julgamento enquanto o Papa Francisco estava fora da cidade, na Colômbia, entre 6 e 11 de setembro, para que que fosse encerrado antes do retorno do pontífice, mas isso obviamente já é carta fora do baralho.

O tribunal entrará em sessão novamente em setembro, nos dias 19, 20 e 21, primeiro para ouvir os próprios réus e depois cerca de 7 testemunhas, quatro convocadas pelos promotores e três pelas duas equipes de defesa.

O período deve dar mais tempo para que todas as partes tenham acesso a cópias autênticas dos novos depoimentos e documentos relevantes. Não foi definida exatamente a data de recebimento, embora um advogado de defesa tenha insistido que não poderia ser na noite do dia 18 de setembro, pouco antes do início do julgamento.

O caso gira em torno do uso de US$ 500.000 em fundos pertencentes a uma fundação que supervisiona o hospital pediátrico Bambino Gesù, patrocinado pelo papa, em Roma, para a renovação do apartamento pessoal no Vaticano do cardeal italiano Tarcisio Bertone, que foi Secretário de Estado durante o mandato do papa emérito Bento XVI e patrono de longa data do hospital.

As despesas em si não estão sendo debatidas. A questão principal é se os dois réus - o leigo e empresário italiano Giuseppe Profiti, que na época era presidente da fundação do hospital; e Massimo Spina, ex-tesoureiro da fundação - foram autorizados a desembolsar os fundos para esse fim.

Ambos os acusados estavam presentes no tribunal na quinta-feira, embora ambos sejam cidadãos italianos e, teoricamente, possam usar isso para afirmar que não estão dentro da jurisdição do Vaticano.

A acusação dos dois homens, lida em voz alta durante a audiência de cerca de 90 minutos na quinta-feira, afirma que essas despesas eram "completamente estranhas" aos fins da fundação, descritos nos estatutos aprovados pelo Vaticano.

Porém, como um dos principais fins da fundação é arrecadar fundos para o hospital e o suposto propósito das reformas era sediar eventos para angariação de fundos no apartamento de Bertone, Profiti afirmou que não fez nada de errado e que faria novamente.

Conforme explicado pelo juiz Paolo Papanti-Peletier no início da audiência suspensa na quinta-feira, novos depoimentos da Dra. Mariella Enoc, atual presidente do hospital, haviam sido colhidos, no tribunal, na manhã anterior. O depoimento foi classificado como um memorando, mas não havia uma visão clara sobre seu conteúdo.

O juiz perguntou o que os advogados queriam fazer a respeito da nova evidência. Tanto a acusação como a defesa pediram tempo para estudá-la antes de prosseguir.

Além disso, perante o tribunal constava um pedido de um advogado de defesa de que outras duas testemunhas do caso - uma que lidera a Autoridade de Informação Financeira do Vaticano, mas citou "exigências da inteligência" como razão do não comparecimento, e a própria Mariella Enoc - fossem convocadas a comparecer ao tribunal.

Caso contrário, afirmou o advogado, sua contribuição seria inócua.

Após cerca de meia hora, os três juízes confabularam em privado, retornando cerca de 40 minutos depois.

Papanti-Peletier anunciou que o tribunal havia aceitado o pedido de adiamento, e que cópias do memorando seriam disponibilizadas juntamente com alguns outros documentos solicitados pela defesa de Profiti.

O resto da audiência ocupou-se da organização d as agendas dos vários advogados para encontrar uma data para um novo encontro, decidido para a manhã do dia 19 de setembro.

No final, o advogado de defesa Alfredo Ottaviani, representante de Spina, reiterou seu pedido a respeito de Tommaso Di Ruzza, diretor da Autoridade de Informação Financeira e Mariella Enoc. Papanti-Peletier disse que o tribunal ainda não havia chegado a uma decisão, e, com isso, a audiência foi encerrada.

Desde o início, quem esteve "ausente" no caso foi Bertone, que não foi investigado pela polícia ou por procuradores, nem acusado de crime algum. Ele também não deve ser testemunha no caso.

Considerando que as despesas contestadas eram para seu próprio apartamento e que ele é amigo de longa data de Profiti e Gianantonio Bandera, o empresário cuja empresa de construção, agora falida, realizaria a obra, tem sido difícil para alguns observadores acreditar que ele não sabia de nada e que Profiti e Spina podem ser acusados de um crime financeiro, mas Bertone pode sair ileso.

Houve apenas uma breve referência a seu nome durante os eventos da manhã, quando um advogado de Profiti pediu documentos relacionados a uma conhecida carta de Bertone, de novembro de 2013, em que ele aceitava o contrato proposto por Bandera e as estimativas de custos, passando-os para a fundação Bambino Gesù.

Esses pedidos estavam entre os aprovados nesta quinta-feira pelo tribunal.

No final, praticamente não foi um grande drama de tribunal.

A audiência ficou quase tanto tempo parada quanto em andamento, e não houve qualquer enfrentamento verbal, confissão emocionada das partes ou testemunhas surpresas. Em vez disso, foi praticamente um procedimento burocrático, com pouca potência de decisão.

O único momento com ligeira tensão foi quando Ottaviani citou Di Ruzza no final, e o promotor Gian Pietro Milano disse que essa questão seria resolvida em momento oportuno.

Talvez o único "vencedor" do primeiro dia tenha sido o tribunal em si, criando pelo menos a impressão de não querer aniquilar o resultado e querer dar tempo para a defesa se preparar.

No entanto, se a verdadeira questão pairando sobre o julgamento era como os resultados poderiam ser apresentados como uma inovação na mídia em relação a responsabilidade financeira e transparência no Vaticano, sem sequer considerar o papel de Bertone no caso, parece que não havia melhor sentido de qual seria a resposta ao final da audiência do que em seu início.

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