Nigéria. Crise católica em Imo: papa pode fechar 163 paróquias

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21 Agosto 2017

O Papa Francisco está pensando seriamente na possibilidade de fechar 163 paróquias na diocese católica de Ahiara, no estado de Imo, devido à crise prolongada gerada pela nomeação de Peter Okpalaeke como bispo.

A informação é publicada por The Nation, 20-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Sua nomeação, quatro anos atrás, após a morte do bispo Victor Chikwe, encontrou forte resistência dos padres do grupo étnico Mbaise e pelos leigos, o que gerou um impasse.

Uma figura crucial na Secretaria Católica da Nigéria confidenciou a um dos nossos correspondentes que o papa não teria outra escolha a não ser usar de sua autoridade caso o impasse continue.

Declarou que "o que está acontecendo em Ahiala é uma afronta jamais vista na história do catolicismo na Nigéria e na África".

"A nomeação de um bispo jamais foi tão contestada. É uma pena e uma grande vergonha para o Secretariado Católico da Nigéria e para o papa."

Segundo ele, como os gladiadores já indicaram que não vão voltar atrás, o papa teria que fechar as 163 paróquias da diocese.

"Considerando a paciência demonstrada, devemos concordar que não seria fora de contexto o papa agir agora."

"De agora em diante, a qualquer momento, ele pode anunciar que as paróquias não estão mais sob a liderança do Vaticano. Nesse caso, poderiam ir para outro lugar."

"O papa é a autoridade última da Igreja e nada fará ele se voltar a sentimentos étnicos primordiais", afirmou a fonte, que pediu completo anonimato.

Ele sugeriu que alguns padres recalcitrantes que alimentam a oposição ao compromisso do bispado também podem ser depostos para servir como retaliação aos outros.

O tão discutido Okpalaeke, porém, declarou ontem que não está incomodado pela oposição à nomeação.

Disse estar aguardando a posse apesar de protestos da grupo étnico dos sacerdotes de Ahiara.

Ele falou durante a cerimônia de 70 anos do Monsenhor Johnbosco Akam em sua casa de campo de Uga, no Conselho de Aguata, estado de Anambra.

Segundo ele, "o que estão dizendo não diz respeito à minha vocação; minha vocação vem de Deus e é declarada pela Igreja".

"Sou um sacerdote realizado. Onde quer que tenha me encontrado como padre, certamente verei a Deus no último dia. É a minha missão."

Ele se pronunciou apenas quando as investigações revelaram que os padres adotaram novas medidas para combater a nomeação, dizendo não ser transparente.

Embora todos tenham escrito a carta de desculpas conforme foi exigido pelo Papa Francisco, como forma de punição por resistir à autoridade da Igreja, análises revelaram que eles decidiram ficar nos bastidores enquanto pediam que líderes leigos continuassem lutando.

Eles pesaram as consequências de desobedecer o Vaticano e mobilizaram os leigos para rejeitar Okpalaeke.

O presidente da Organização dos homens católicos da diocese de Ahiara, Gerald Anyanwu, disse a jornalistas que a diocese não está se rebelando contra o papa, mas exigindo justiça e equidade.

"Não estamos questionando a decisão do papa, mas não vamos aceitar Okpalaeke como Bispo."

"Esse processo não seguiu os procedimentos estabelecidos para a nomeação de bispos."

Outro membro dos leigos, Sebastian Eke, disse: "Somos a favor da justiça. Não vemos motivos por que alguém desta ou de qualquer outra diocese do estado de Imo não possa ser nomeado como bispo da diocese de Ahiara.”

"O que estamos dizendo é que não queremos Okpalaeke, e tentar forçá-lo a fazer parte da comunidade não é justo".

A vice-presidente da Organização das Mulheres Católicas (Catholic Women Organisation - CWO) da Diocese, Dra. Liona Ohanu, que falou em nome das mulheres, pediu que o Vaticano ouvisse a demanda das pessoas.

Ela afirmou que "respeitamos o papa e não podemos desobedecer sua diretiva como nosso Chefe Supremo, mas a questão de Okpalaeke é uma exceção e ele não será bem recebido como bispo desta diocese. O papa pode nomear qualquer outra pessoa, de qualquer lugar, e vamos aceitar, menos Okpalaeke."

Enquanto os leigos protestavam, os sacerdotes se reuniam em um dos edifícios da catedral, de onde monitoravam o desenvolvimento e a publicação das diretrizes, aparentemente operando nos bastidores para não enfurecer ainda mais o Vaticano.

Mas o principal líder católico em Abuja disse que o Papa poderia agir a qualquer momento para impedir "o constrangimento que esses jingoístas étnicos causaram à Igreja".

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