Padre candidato ao Nobel é acusado de favorecimento à imigração

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11 Agosto 2017

Quem entregou o nome dele aos investigadores foram os dois funcionários da segurança que embarcaram no navio Vos Hestia, da Save the Children, que revelaram a existência de um chat secreto entre os líderes de equipe a bordo dos navios humanitários.

A reportagem é de Alessandra Ziniti, publicada porl La Repubblica, 09-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Pe. Mussie Zerai, sacerdote eritreu que há anos vive na Itália e é um ponto de referência para milhares dos seus concidadãos que enfrentam a viagem para a Europa, está entre os investigados da Procuradoria de Trapani no âmbito do inquérito por favorecimento à imigração ilegal, que já levou à apreensão do navio Juventa, da ONG alemã Jugend Rettet. Para o sacerdote, a acusação também seria a mesma.

De acordo com relatos das duas testemunhas, o sacerdote, que recebia as comunicações dos migrantes que embarcaram nas balsas dos traficantes, teria servido de mediação com os membros das ONGs indicando data, hora e posição das embarcações a serem socorridas.

 

Candidato ao Nobel da Paz em 2015, fundador e presidente da agência de informação Habeshia, definida como o “salva-vidas dos migrantes”, com a qual ele oferece ajuda telefônica aos migrantes em partida, estimulando a intervenção das autoridades nos lugares onde se encontram embarcações em dificuldade, o Pe. Zerai foi notificado pelos homens da equipe móvel de Trapani com uma intimação.

“Eu só soube na segunda-feira sobre a investigação – disse Mussie Zerai – e quero ir até o fim nessa questão. Eu voltei para Roma da Etiópia de propósito. No passado – acrescenta – eu recebia muitos telefonemas todos os dias. Hoje, eu recebo muitos menos, não saberia dizer por quê. Mas a minha intervenção sempre foi para fins humanitários.”

A investigação, de acordo com ambientes judiciais, refere-se a supostas pressões feitas pelo presbítero junto aos órgãos competentes no socorro no mar. “Antes ainda de informar as ONGs – diz o sacerdote –, todas as vezes, eu alertei a central de operações da Guarda Costeira italiana e maltesa. Eu nunca tive relações com a Juventa, nem participo de chats secretos. Eu sempre me comuniquei através do meu celular.”

 

No âmbito das ONGs, na manhã dessa quarta-feira, outra organização que já havia anunciado por e-mail a sua adesão, assinou oficialmente o código de conduta do Ministério do Interior italiano. É a alemã Sea Eye. Por enquanto, são quatro de um total de oito as ONGs que aderiram. A estas, poderia se somar, nesta sexta-feira, a SOS Méditerranée, que pediu uma reunião para esclarecer algumas preocupações que, até agora, levaram a organização a permanecer do lado do “não”.

Ficam de fora ainda a Médicos Sem Fronteiras e as outras duas alemãs, Sea Watch e Jugend Rettet, esta última no centro da investigação de Trapani que, a partir dessa quarta-feira, passa para a coordenação do novo procurador Alfredo Morvillo.

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