“Não pode dizer que não pagará o muro”. O desafio de Trump a Peña Nieto

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05 Agosto 2017

Em sua primeira conversa telefônica em janeiro, o presidente estadunidense Donald Trump pressionou seu homólogo mexicano, Enrique Peña Nieto, para que deixasse de dizer publicamente que seu país não pagaria o muro que deseja levantar na fronteira comum. Foi o que revelou a transcrição da conversa a qual teve acesso o jornal The Washington Post, que ontem a publicou. Trump admitiu que sabe que os fundos para o muro precisam sair de outras fontes, mas defende que publicamente deve instigar que o México pague. “Não pode dizer à imprensa que não pagará pelo muro”, manifestou Trump, repetidamente, no dia 27 de janeiro, e ameaçou cortar qualquer contato com o mexicano, caso este continuasse dizendo publicamente que não pagaria.

A reportagem é publicada por Página/12, 04-08-2017. A tradução é do Cepat.

“Se irá continuar dizendo que o México não pagará o muro, então, não quero me reunir com você, porque não posso aceitá-lo”, alfinetou. “O muro é a coisa menos importante das quais estamos falando, mas politicamente pode ser a mais importante”, disse Trump a Peña Nieto, segundo a transcrição.

Ainda que Trump continue sustentando que o México pagará de alguma forma, há meses, pressiona para conseguir do Congresso 1,6 bilhão de dólares para iniciar a construção do muro, no próximo ano. A Câmara de Representantes deu sinal verde a esse início, na semana passada, mas também precisa conquistar o Senado, onde Trump enfrenta não só a oposição dos democratas, dos quais precisaria do apoio, como também a de alguns republicanos.

A transcrição publicada pelo The Washington Post também demonstra que Trump ameaçou seu homólogo mexicano com a imposição de taxas às importações mexicanas de até 35%, após se queixar do déficit comercial que os Estados Unidos têm com o México (e cuja queda acaba de situar sua administração como o principal objetivo na renegociação do Nafta, que se inicia neste mês). “Coloquemos uma tarifa fronteiriça para que os produtos que chegam do México aos Estados Unidos sejam tributados com uma porcentagem a ser determinada”, disse Trump, que chegou a alegar ter um tremendo poder de impor tarifas. “Poderia ser de 10% ou 15%, ou poderia ser de 35% para alguns produtos que, por exemplo, afetem os empregos”, afirmou.

A conversa telefônica aconteceu um dia após Peña Nieto ter cancelado a reunião que teriam, no dia 31 de janeiro, na Casa Branca, diante da insistência (e os modos de Trump) em dizer que o México pagaria o muro. Após a conversa telefônica, oficialmente, foi informado que os dois presidentes haviam chegado ao acordo de não mais falar publicamente sobre o muro.

O jornal The Washington Post também teve acesso à transcrição da conversa telefônica que Trump manteve com o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, um dia após ter conversado com Peña Nieto. Naquele momento, então, já se soube que não tinha ido bem por pela postura do republicano frente à acolhida de refugiados. Quando o chefe de governo australiano tentou saber se os Estados Unidos iriam cumprir com seu compromisso de aceitar os 1.250 refugiados procedentes da Austrália, Trump transformou a conversa em uma reprimenda por causa do acordo que havia sido acordado com Barack Obama.

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