Aqui a terra treme

Revista ihu on-line

Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

Edição: 539

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Mais Lidos

  • Bispos latino-americanos levantam a voz pela Amazônia

    LER MAIS
  • Bolsonaro pode ser responsabilizado por crime contra humanidade

    LER MAIS
  • Enquanto Amazônia arde, governistas e ruralistas aprovam mais incentivos à devastação no Senado

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

21 Junho 2017

Numa região onde os saques das riquezas minerais se contam aos bilhões de dólares, e são transportadas por locomotivas quilométricas que embarcam nossas riquezas para outras terras, brasileiros pobres vivem como sem pátrias, à mercê da violência do estado, este sempre a serviço de todos os ricos, do campo e da cidade, escreve Jorge Neri, ativista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST e do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração – MAM em artigo publicado por MST, 19-06-2017.

Eis o artigo.

No dia 19 de junho, na capital do estado do Pará, Belém, movimentos sociais, organizações políticas, sindicais e populares realizam um Ato pela Democracia e Contra a Violência no Campo, motivados pelo preocupante aumento de assassinatos contra camponeses e suas lideranças no estado. Cerca de 37 só este ano.

O ato acontece ao aproximar-se a data de aniversário (24) do último massacre contra camponeses pobres, desta vez acontecido no município de Pau D`arco , sul do Pará, onde, de acordo com primeiros dados da perícia, nove trabalhadores e uma trabalhadora rural foram barbaramente executados, por um “pelotão de fuzilamento” da Polícia Militar do Pará.

Na região de Carajás, tragédias semelhantes se anunciam. A disputa pela terra que estabelece de um lado trabalhadores rurais Sem Terra, Sem Teto, pequenos agricultores, e de outro, velhas oligarquias rurais latifundiárias, e modernas empresas minerarias, acoitadadas pelo estado brasileiro, criam o combustível para uma escalada sem precedentes de violência contra os pobres.

Sem trabalho, moradia ou terra, centenas de milhares de homens e mulheres ficam à mercê de um presente cruel e um futuro sem qualquer esperança.

O estado, que não garante força policial para desalojar grileiros de terras, como é o caso da Fazenda Fazendinha em Curionópolis, é o mesmo que ameaça cumprir mandato com força policial para despeja o Acampamento da Fetraf, na VS 10, onde mil famílias buscam construir um espaço de esperança sobre a terra. Todos em alerta

Mandatos de reintegração de posse, também se espalham por vários territórios onde acampamentos e comunidades rurais se estabelecem em áreas reivindicadas pela mineradora Vale.

Numa região onde os saques das riquezas minerais se contam aos bilhões de dólares, e são transportadas por locomotivas quilométricas que embarcam nossas riquezas para outras terras, brasileiros pobres vivem como sem pátrias, à mercê da violência do estado, este sempre a serviço de todos os ricos, do campo e da cidade.

O mar revolto de centenas de milhares de pobres se movimenta nas terras de Carajás.

Às margens da ferrovia, por onde passam os vagões de minério, a terra treme.

Às margens de todo e qualquer projeto de desenvolvimento desenhado pelas elites coloniais, regionais e nacionais, centenas de milhares de pobres se movimentam, e também podem fazer a terra tremer.

Diferente de Eldorado dos Carajás, Corumbiara e Pau D`arco, as valas abertas na terra, depois de cada tremor, não levarão só os pobres.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Aqui a terra treme - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV