Nome por nome, a metamorfose da Pontifícia Academia para a Vida

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15 Junho 2017

Finalmente, após uma longa espera, na terça-feira 13 de junho, foi divulgada a lista dos novos membros da Pontifícia Academia para a Vida, todos nomeados pelo Papa. Falta ainda a lista do conselho diretivo, também nomeado pelo Papa, assim como aquela dos membros “correspondentes”, cuja designação compete ao presidente da Academia, o arcebispo Vincenzo Paglia. Mas o essencial foi feito.

O comentário é de Sandro Magister, publicado por Settimo Cielo, 14-06-2017. A tradução é de André Langer.

Em relação aos 132 membros anteriores por diversas razões da Academia todos demitidos no dia 31 de dezembro de 2016, os atuais membros são 45 mais cinco “ad honorem”. Os que foram reconduzidos são 33, os novos são 17 e seus nomes, com os respectivos títulos, estão em uma lista divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Os eliminados da lista são vários. Entre eles se destacam alguns acadêmicos de grande importância, mas que se distinguiram por criticar publicamente os novos paradigmas morais e práticos que entraram em vigor com o pontificado de Francisco.

Entre eles estão o filósofo alemão Robert Spaemann, amigo de longa data de Joseph Ratzinger; o filósofo australiano John Finnis, autor, com Germain Grisez, de uma “carta aberta” ao Papa Francisco e de forte crítica à Amoris Laetitia; o inglês Luke Gormally e os austríacos Josef Maria Seifert e Wolfgang Waldstein.

Também não foram confirmadas ativistas pró-vida de renome internacional, como a guatemalteca María Mercedes Arzú de Wilson e a venezuelana Christine De Marcellus Vollmer, que estavam entre as primeiras chamadas por João Paulo II para integrar a Academia, agora deixada desguarnecida nesta frente.

Desapareceram também três representantes do Leste europeu que cresceram na escola de Karol Wojtyla e que permaneceram fiéis a ele, como o polonês Andrzej Szostek, o ucraniano Mieczyslaw Grzegocki e o checo Jaroslav Sturma, psicólogo e psicoterapeuta tenazmente contrário à ideologia “gender”.

Assim como se colocou uma cruz sobre Etienne Kaboré, de Burkina Faso, perfeitamente em linha com as posições da Igreja africana sobre o matrimônio, a família e a sexualidade, vistas em ação durante os dois últimos Sínodos.

Da Europa faltarão as contribuições do francês Bernard Kerdelhue, discípulo e grande admirador do professor Jérôme Lejeune – primeiro presidente da Academia e cujo processo de beatificação está em andamento – e dos belgas Michael Schooyans e Philippe Schepens, fervoroso defensor da ética médica inspirada em Hipócrates. Ao passo que entre os acadêmicos latino-americanos não estará mais o chileno Patricio Ventura-Junca, muito próximo a outro ex-presidente da Academia, seu conterrâneo Juan de Dios Vial Correa.

Dos Estados Unidos não se contará mais com a contribuição de Thomas William Hilgers, ginecologista muito comprometido com os métodos naturais de regulação dos nascimentos. Mais que fiel à Donum Vitae e à Humanae Vitae e firme opositor da anticoncepção e da fecundação “in vitro”, é provável que justamente por isso tenha sido excluído, em vista de uma revisão das posições da Igreja sobre estes temas reclamadas insistentemente no Vaticano.

Mas também os confirmados e os novos nomes são reveladores de uma mudança de direção.

Entre os confirmados, os cinco novos membros “ad honorem” representam um necessário tributo ao passado, nas pessoas dos cardeais Carlo Caffarra e Elio Sgreccia, da senhora Birthe Lejeune, vice-presidente da fundação que leva o nome de Jérôme Lejeune, seu esposo e primeiro presidente da Academia em 1994, e dos outros dois ex-presidentes Juan de Dios Vial Correa, chileno, e Ignacio Carrasco de Paula, espanhol.

Obrigatórias também tem sido as reconduções do cardeal Willem Jacobus Eijk e do arcebispo de Sydnei, Anthony Colin Fisher, ambos “conservadores”.

Mas, quando se olha para os outros nomes, pode-se advertir que os ex-membros “correspondentes” agora promovidos a membros “ordinários” estão entre os mais dóceis às aberturas do Papa Francisco e ao novo curso imposto por dom Paglia. Podem-se citar entre estes o bispo canadense Noël Simard, o bispo argentino Alberto Germán Bochatey, o mexicano Rodrigo Guerra López e a católica japonesa Etsuko Akiba.

Além desses, também foram nomeadas figuras de peso, também financeiro, apreciadas por seu caráter de insubstitubilidade e adaptabilidade, como o líder dos Cavaleiros de Colombo, o estadunidense Carl A. Anderson, há muitos anos generoso mecenas tanto da Academia como do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, ou o francês Jean-Marie Le Mené, presidente da Fundação Jérôme Lejeune e financiador do seu processo de beatificação.

Entre os 17 novos membros, três são cristãos: o japonês e prêmio Nobel de Medicina, Shinya Yamanaka, o muçulmano tunisiano Mohamed Haddad e o judeu israelense Avraham Steinberg, diretor da Unidade de Ética da Medicina no Shaare Zedekl Medical Center, de Jerusalém, e diretor do Comitê Editorial da Enciclopédia Talmúdica. Dom Paglia preferiu este último a um outro judeu, Riccardo Di Segni, de Roma e também ele médico e especialista em bioética, vice-presidente do Comitê Nacional Italiano de Bioética, mas com posições mais conservadoras e, às vezes, abertamente críticas do Papa Francisco.

Outra “new entry” reveladora é a de Angelo Vescovi, personagem discutido nos ambientes científicos, mas muito vinculado a Paglia desde quando este era bispo de Terni, onde o ajudou a criar um centro de estudos sobre as células-tronco e propiciou depois sua nomeação para diretor científico da Casa Alívio do Sofrimento de San Giovanni Rotondo, fundada pelo padre Pio [de Pietrelcina].

Mas o novo nome talvez mais emblemático do novo rumo da Academia é o do teólogo moralista Maurizio Chiodi, professor da Faculdade de Teologia de Milão e da Itália Setentrional. Chiodi, durante um longo tempo, vem se manifestando em termos críticos sobre pontos importantes da Humanae Vitae, da Donum Vitae e da Evangelium Vitae. Está também em evidente descontinuidade com a Encíclica Veritatis Splendor de João Paulo II, ao passo que parece em sintonia com as aberturas atuais a um novo “discernimento” sobre questões como a anticoncepção, a fecundação “in vitro”, as orientações sexuais, “gender”, a eutanásia passiva e o suicídio assistido.

Com mais prudência, algumas colunas da Academia, que no passado defenderam posições contrárias, mostram-se hoje dispostas a não obstruir este giro. É o caso de Francesco D’Agostino, filósofo do Direito e presidente honorário do Comitê Nacional italiano de Bioética; de Adriano Pessina, diretor do Centro de Bioética da Universidade Católica de Milão; de John Haas, presidente do Centro Nacional católico de Bioética dos Estados Unidos e amigo do cardeal Kevin J. Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida; de Ángel Rodríguez Luño, professor de teologia moral na Pontifícia Universidade de Santa Cruz e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, muito ouvido pelo cardeal Gerhard L. Müller.

Com uma Pontifícia Academia para a Vida reestruturada deste modo, a oposição que ainda se inspira em Lejeune, Sgreccia, Caffarra, São João Paulo II e Bento XVI não terá vida fácil.

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