Da Itália à Rússia, a viagem do santo: "Uma graça recebida depois do encontro entre o papa e Kirill"

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23 Maio 2017

Os sinos de todas as igrejas de Moscou tocaram em festa para saudar o evento histórico possibilitado graças ao encontro de um ano atrás, em Havana, entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill: uma parte das relíquias de São Nicolau, nesse domingo, deixou a cidade de Bari pela primeira vez em quase um milênio e chegou à Rússia, onde não há santo mais venerado. A relíquia, um fragmento de 13 centímetros da costela esquerda, “do lado do coração”, foi depositada em uma urna feita especialmente na Rússia.

A reportagem é de Rosalba Castelletti, publicada no jornal La Repubblica, 22-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois de uma liturgia solene na cripta da Basílica de Bari, Itália, presidida pelo Metropolita Hilarion Alfejev, emissário do Patriarca Kirill, uma grande delegação acompanhou o voo da relíquia de Bari até Moscou: o arcebispo de Bari-Bitonto e delegado pontifício para a Basílica de São Nicolau, Dom Francesco Cacucci, o prior da Basílica de São Nicolau, Pe. Ciro Capotosto, o prefeito de Bari, Antonio Decaro, e o presidente da Região Puglia, Michele Emiliano, além de Hilarion e uma delegação do patriarcado.

Em Moscou, o relicário foi transferido para a Catedral do Cristo Salvador, onde o Patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, Kirill, celebrou um rito solene. Protetor dos comerciantes e viajantes, presos e condenados sem culpa, pobres e noivas, São Nicolau, o Milagreiro, Cjudotrvorets, é o único na Rússia a ser chamado também de “portador de santidade”.

O seu culto na Federação, que sobreviveu até mesmo às décadas do ateísmo soviético, espalhou-se com Vladimir, o Grande, muito antes que 62 marinheiros de Bari roubassem, há 930 anos, as relíquias da cidade de Myra e as depositassem, em 9 de maio, em Bari. A Translação das Relíquias, de acordo com o calendário juliano, é festejado na Rússia em 22 de maio. Não por acaso, a procissão dos peregrinos começou nessa segunda-feira. Mais de 2 mil agentes da polícia e da Guarda Nacional, além de 10 mil voluntários, foram mobilizados para ajudar os fiéis que, aos milhares, querem se ajoelhar diante da relíquia, que permanecerá em Moscou até 12 de julho, para depois ser transferida para São Petersburgo e retornar a Puglia em 28 de julho.

“O significado desse evento é inestimável. Uma graça de São Nicolau ao povo russo, mas também um dos resultados do encontro em Cuba entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill no ano passado.” Foi assim que o Metropolita Hilarion Alfejev, o emissário e estreito colaborador de Kirill, o patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, definiu a transferência das relíquias de São Nicolau da capital da Puglia até a Rússia. Tendo partido no sábado para Bari, foi justamente Hilarion, presidente do Departamento de Relações Eclesiásticas Exteriores do Patriarcado de Moscou, que acompanhou um fragmento da costela do santo até a Catedral do Cristo Salvador.

Aqueles que esperam que essa viagem abra o caminho para um próximo encontro em terras russas entre Francisco e Kirill, porém, deverão esperar. “Por enquanto, não há um novo encontro de cúpula na agenda”, disse o metropolita.

Eis a entrevista.

Eminência, por que São Nicolau é tão importante para a Igreja Ortodoxa Russa?

São Nicolau, o Milagreiro, é o santo mais venerado na Rússia. Basta ver o número de igrejas e de ícones consagrados a ele. Nós o celebramos não só em dezembro, mas, já desde o século XI, inserimos no nosso calendário eclesiástico uma festa em maio para recordar a translação das relíquias de Myra para Bari, ocorrida há 930 anos. Ao contrário de outros santos, Nicolau é festejado duas vezes, um reconhecimento especial entre os fiéis russos. A chegada da relíquia é uma graça do santo para o povo russo, mas também um dos resultados do encontro em Cuba entre o Patriarca Kirill e o Papa Francisco.

Que outros fundamentos aquele encontro lançou? Como continua o diálogo entre as duas Igrejas?

Há a vontade de continuar esse diálogo, como confirma a declaração conjunta assinada pelo Papa Francisco e pelo Patriarca Kirill em Havana. O encontro abriu novos horizontes para expandir a cooperação comum. As nossas duas Igrejas se veem enfrentando os mesmos desafios. O diálogo diz respeito sobretudo ao trabalho conjunto para enfrentar essas ameaças.

Há um novo encontro face a face na agenda?

Por enquanto, essa hipótese não está em questão. Neste momento, queremos concluir os temas discutidos durante o encontro de Cuba. Mas, acredite em mim, foi extremamente importante preparar o primeiro encontro entre os chefes das duas Igrejas depois do cisma. O próximo encontro será mais fácil de organizar.

Quais são os desafios que unem as duas Igrejas?

O principal é o desafio do terrorismo sob os slogans islâmicos, desafio que agora são enfrentados pelos povos do Oriente Médio, África e Ásia. Basicamente, assistimos ao genocídio dos cristãos. Acima de tudo, devemos unir os nossos esforços para proteger os cristãos hoje ameaçados. O segundo desafio é, sem dúvida, o secularismo militante e beligerante que está ganhando cada vez mais corpo na Europa e que tenta relegar a religião para as margens. O secularismo tende a minar não só as bases da religião, mas também os fundamentos da vida humana e da família. A proteção da vida humana, desde a fecundação até a morte, é uma das tarefas das duas Igrejas.

A batalha da Igreja Ortodoxa Russa contra o secularismo na Rússia é frequentemente criticada pela sociedade civil, que a considera uma interferência na vida laica. Como vocês respondem a essas críticas?

Nós partimos do pressuposto de que Jesus Cristo também era criticado quando pregava. Como dizia o apóstolo Pedro: “Quem sofre como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus”. Se alguém nos critica porque pregamos as virtudes cristãs, não devemos nos envergonhar. É quando alguém nos critica sobre a substância que devemos prestar atenção.

O papa convocou o embaixador da Ucrânia junto ao Vaticano depois que o Patriarca Kirill lançou um apelo a Bergoglio, à ONU e aos Estados do Quarteto Normandia contra dois projetos de lei em discussão em Kiev. Pode comentar?

O primeiro legalizaria a expropriação das Igrejas. Isso já aconteceu: nos últimos dois anos, já houve 40 casos, mas as dioceses que apresentaram um recurso sempre venceram as causas. Se for aprovada, a lei vai estar do lado dos opressores. O segundo projeto obriga a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou, por ser considerada Igreja de um país “agressor”, a concordar com o governo sobre a nomeação de cada sacerdote. O Estado ucraniano, assim, poderá deslegitimar a Igreja. Leis similares não existiam na Europa do nazismo. Por isso, confiamos no apoio dos nossos irmãos católicos e do Papa Francisco.

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