A Igreja argentina disponibiliza seus arquivos sobre as vítimas da ditadura

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19 Mai 2017

A Conferência Episcopal Argentina (CEA) anunciou nesta quinta-feira que estabeleceu um protocolo para que as vítimas e familiares diretas das pessoas desaparecidas no país durante a ditadura possam consultar os arquivos da Igreja dessa época (1976-1983).

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 18-05-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

A medida é tomada depois que foram digitalizados 3 mil cartas e documentos, mantidos no Episcopado, na Nunciatura Apostólica e na Secretaria de Estado na Santa Sé, a partir de petições que chegaram à Igreja para que o paradeiro das pessoas detidas e desaparecidas durante a ditadura fosse conhecido e também para reivindicar o gerenciamento de documentos frente aos militares.

"Com esse protocolo inicia-se a possibilidade de consultas e, de acordo com o anunciado apropriadamente, as vítimas, os familiares de pessoas desaparecidas ou detidas poderão solicitar informações e, no caso de clérigos e religiosos, seus respectivos bispos e superiores", disse o Episcopado em um comunicado à imprensa, no qual esclareceu que a consulta "será realizada de acordo com o material que menciona a pessoa sobre a qual busca-se informação".

A partir de agora, com a aprovação do procedimento, os interessados poderão começar a realizar as consultas correspondentes, única e exclusivamente referidas a eles próprios ou a seus familiares desaparecidos.

"Com esse protocolo inicia-se a possibilidade de consultas e, de acordo com o anunciado apropriadamente, poderão solicitar informações: as vítimas, os familiares das pessoas desaparecidas e detidas e, no caso de clérigos e religiosos, seus respectivos bispos e superiores", salientou a Igreja argentina.

Além disso, especificou-se que a consulta dos arquivos eclesiásticos desse período se realizará a partir do material que mencione a pessoa pela qual se está buscando informações. As solicitações de informação serão recebidas na sede episcopal de Suipacha, nº 1032, no bairro de Retiro, em Buenos Aires, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Além disso, o Vice-presidente sênior da CEA, Mario Poli, afirmou que a Igreja "não tem medo" da abertura dos arquivos relacionados à ditadura militar e sustentou que a decisão de colocá-los à disposição das vítimas e dos familiares dos desaparecidos representa "um serviço à pátria para a reconciliação dos argentinos".

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