México. Para Igreja, país vive “uma situação de desastre”

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Por: João Flores da Cunha | 18 Mai 2017

A Igreja Católica do México afirmou que o país vive “uma situação de desastre” por conta da violência. A afirmação consta em editorial do semanário Desde la Fe, da Arquidiocese da Cidade do México, publicado no dia 14-05-2017.

“Nossa história vive um ponto de inflexão muito doloroso”, afirma o Desde la Fe. O Estado mexicano “parece quebrado ante o medo e o terror”, de acordo com a publicação católica.

“O México começou a criar gerações perdidas, produto de uma guerra não declarada”, para o semanário. Há “milhares na qualidade de vítimas”, segundo a publicação.

O semanário fez referência a um estudo recente da Conferência do Episcopado Mexicano sobre desaparecidos no México, o qual “faz um diagnóstico contundente das desaparições forçadas no país”. Para o Episcopado, vítimas e desaparecidos “são um grave problema que nem as autoridades, nem a Igreja, nem a sociedade civil podem ignorar”.

O Desde la Fe faz alusão ainda a um relatório publicado no dia 9-5 pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, que dá conta de que o México é o segundo país mais violento do mundo – o primeiro é a Síria, em guerra civil desde 2011.

O relatório foi desqualificado pelo governo mexicano, que alegou, entre outras coisas, que o estudo “parte de uma base errônea e carente de rigor técnico”, na medida em que considera que todos os homicídios registrados no país estão relacionados ao conflito com o crime organizado.

Independentemente das críticas ao estudo, a violência está aumentando no país: os meses de março, fevereiro e janeiro deste ano foram os três mais violentos do mandato do atual presidente, Enrique Peña Nieto, que está no poder desde 2012. Também contribui para a sensação de insegurança a ocorrência de crimes de alta repercussão.

No dia 15-5, foi morto a tiros o jornalista Javier Valdez. O crime ocorreu em Culiacán, capital do estado de Sinaloa. Valdez reportava as atividades do narcotráfico do cartel de Sinaloa, que atua na região.

Ele era correspondente do jornal La Jornada, que já havia perdido outra profissional, Miroslava Breach, em março. Apenas neste ano, são seis jornalistas mortos por conta do exercício de sua profissão. Desde 2000, são mais de 120 assassinados.

A sequência de mortes contribuiu para que o assassinato de Valdez tivesse grande repercussão no México. O presidente Peña Nieto afirmou por meio do Twitter que “o governo do México condena o homicídio do jornalista Javier Valdez”. Ele expressou suas condolências aos familiares e companheiros de Valdez, e prometeu apoio da Procuradoria-Geral da República às autoridades locais no esclarecimento do crime.

Andrés Manuel López Obrador, pré-candidato da oposição à presidência do país, criticou o presidente, e o convocou a “chamar à paz, deter a guerra e mudar a fracassada estratégia de segurança”. Ele expressou “pesar por Javier e outras vítimas do irracional”.

O México é o país mais perigoso da América Latina para o exercício da profissão de jornalista, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH. Segundo a Repórteres sem Fronteiras, o país é o terceiro mais perigoso do mundo para jornalistas – apenas Síria e Iraque estão à sua frente.

A sequência de mortes de jornalistas neste ano evidencia um padrão: jornalistas que investigam o crime organizado são assassinados por conta disso, em circunstâncias que acabam não sendo resolvidas. Nenhum dos seis crimes ocorridos neste ano foi solucionado.

Para protestar contra esse quadro de impunidade, diversos meios de comunicação mexicanos realizaram uma paralisação no dia 16-5. Também houve uma manifestação de jornalistas na Cidade do México.

A Conferência do Episcopado Mexicano se referiu ao crime, lamentando “que a violência siga presente em nosso país. Nos unimos à dor pelo assassinato do jornalista Javier Valdez Cárdenas”.

Não foi a primeira vez que a entidade teve que se referir à violência nos últimos dias. No dia 11-5, o órgão publicou a mensagem “nos unimos à dor pelo lamentável assassinato de Miriam Rodríguez; elevamos nossas orações por seu eterno descanso”. Rodríguez era uma ativista pela busca de pessoas desaparecidas no país desde 2012, quando sua filha foi sequestrada e morta.

Em 2014, ela encontrou os restos mortais de sua filha em uma fossa comum. Os responsáveis pelo crime foram condenados e presos. Rodríguez foi morta a tiros no dia 10-5 em sua casa, em San Fernando, no estado de Tamaulipas.

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