St. Joseph School, no Cairo: onde o radicalismo é combatido em sala de aula

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29 Abril 2017

“Quem educa um menino educa um homem, mas quem educa uma menina educa uma nação.” Uma viagem à St. Joseph Language School, uma escola dirigida pelas irmãs combonianas no coração do Cairo, onde se ensina a meninas muçulmanas e cristãs o valor da amizade e do diálogo. O futuro do Egito passa por aqui.

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada pelo Servizio Informazione Religiosa, 26-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sohad Hossam El Din Hasan tem 16 anos, e o seu objetivo é se tornar médica. Marian George Essmat, ela também de 16 anos, quer ser intérprete. A primeira é muçulmana. A outra é cristã. Elas frequentam a mesma sala e compartilham os mesmos sonhos. Olham para a vida com a mesma luz, idêntica aos seus olhos. O futuro do Egito está aqui, nesses dois corações de mulheres.

Estamos na St. Joseph Language School, uma escola dirigida pelas irmãs combonianas no coração do Cairo, mais precisamente no bairro de Zamalek, uma pequena ilha banhada pelas águas do Nilo. Desde 1915, todas as manhãs, a escola abre as suas portas para mais de mil meninas, sem fazer distinção de religião e credo. Ela as acompanha desde o jardim de infância até o exame para entrar na universidade, educa-as nos valores da amizade, a verdadeira, que sabe lançar pontes de fraternidade ao longo das cercas das diferenças.

Todas as manhãs, as meninas se encontram no pátio da escola e, com a mão no peito, cantam o Hino Nacional para prestar homenagem ao país. “Estou pronto para dar a vida pelo Egito.” Mas o país, fora dessas salas de aula coloridas, está atravessando um dos períodos mais difíceis da sua história, marcado por uma série de ataques terroristas que semearam, com sangue, medo e terror.

Imediatamente depois dos atentados desferidos pelos terroristas do Daesh no Domingo de Ramos, o presidente al-Sisi proclamou o estado de emergência. As ruas adjacentes às Igrejas cristãs estão fechadas ao tráfego, vigiadas 24 horas por dia pela polícia. E, embora a vida pelas ruas continua correndo caótica como sempre, o povo egípcio vive com a esperança de que este país possa ter um futuro melhor e com a convicção de que o presidente al-Sisi está trabalhando por isso.

“Na escola St. Joseph, nós vamos contra a corrente”, diz a irmã Samiha Ragheb, diretora empreendedora, comboniana da St. Joseph. “O diálogo tornou-se a palavra de ordem do novo modo de entender a missão hoje e a nova fronteira do anúncio do Evangelho. Se o mundo tende ao fanatismo, aqui nós ensinamos a tolerância, o respeito pelo outro, a aceitação da diversidade. Onde colocam ódio, nós semeamos amor, e àqueles que pregam a divisão, nós dizemos que somos todos irmãos e irmãs, filhos do único Pai.”

Aqui todos são aceitos. Não há nenhuma discriminação, ninguém está excluído. E a tudo são propostos os seis pontos-chave que caracterizam a didática dessa escola: cultivar a amizade sincera; escutar; promover o amor que expulsa o medo; ver sempre o melhor nos outros; trata o outro com extraordinário respeito e olhar os outros com os olhos de Deus.

Há uma grande expectativa e emoção na pequena comunidade cristã do Egito. “O papa – diz a irmã Samiha – é um homem de Deus, e aqui, no Egito, há respeito pelos homens de Deus, pelos religiosos e religiosas. O papa é uma pessoa amada por todos, pelos gestos humanos que fez em vários lugares do mundo.

Francisco vai encontrar um país de joelhos economicamente. Uma forte inflação, desde novembro, está causando um aumento nos preços que está pondo as famílias sob dura prova. O Cairo, com os seus 25 milhões de habitantes, é a cidade africana mais populosa depois da capital da Nigéria, Lagos. O analfabetismo também é um flagelo ainda existente, especialmente no Baixo Egito, ao longo da faixa do Nilo, onde as crianças são mandadas logo para trabalhar nos campos. E, se o governo está trabalhando muito para melhorar a situação, a mudança requer processos longos e complexos.

Na St. Joseph, sabem que o futuro de um país passa pela escola e pela educação. Que o país precisa de mentes abertas e pessoas moderadas. Há cursos muito avançados em inglês e francês, laboratórios de física e ciência, programas inovadores de língua árabe. Também lições de moral, nas quais, dentre outras coisas, ensina-se a prevenção da violência contra as mulheres.

As portas dessa escola estão sempre abertas, até mesmo para aqueles que não podem pagar a mensalidade. Nas classes dessa escola, também estudam meninas sudanesas, refugiadas eritreias, sírias e de outras nacionalidades. O futuro aqui assume a cor rosa das mulheres. Às meninas, é ensinado a olhar para o mundo com responsabilidade e otimismo. Serão elas que vão liderar o país. Os olhos de Marian levam a esperar em um Egito novo. Com o seu inglês perfeito, ela diz que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens e são capazes de “lutar para alcançar aquilo que desejarem, sem se render”. No carisma de Comboni, a mulher é família, liderança, é embaixadora da paz, é sempre um elemento de harmonia e moderação.

“Quem educa um menino educa um homem, mas quem educa uma menina educa uma nação.” Sohad e Marian têm que voltar para a sala de aula. Elas têm que estudar para os exames finais que estão ocorrendo agora, já que, em breve, as escolas vão fechar no Egito, antes do que em outros anos, porque o início do Ramadã neste ano cai no fim de maio.

As suas vidas são como as daquelas pombas brancas que estão representadas no logotipo da escola, junto com o planeta Terra. Prontas para alçar voo para levar ao mundo os valores da paz e da fraternidade, que fazem dessa escola o exemplo mais refinado do novo Egito que está nascendo.

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