Segundo turno na França entre Le Pen e Macron: "Um país enraivecido foi às urnas"

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25 Abril 2017

Marine Le Pen e Emmanuel Macron. Serão eles dois que disputarão a vitória na corrida final ao Eliseu. No primeiro turno, o centrista levou a melhor, com 23,75%, enquanto a líder da Frente Nacional recebeu 21,53% das preferências (o melhor resultado de sempre para o seu partido).

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada pelo Servizio Informazione Religiosa (SIR), 24-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal católico francês La Croix, 44% dos católicos praticantes votaram no candidato dos Républicains, François Fillon. Foi de 16% a porcentagem dos católicos praticantes que, por sua vez, escolheram Macron e Le Pen. Sobre os resultados desse primeiro turno eleitoral, o SIR contatou por telefone Guillaume Goubert, diretor do jornal La Croix.

Eis a entrevista.

Emmanuel Macron e Marine Le Pen: um segundo turno que poderia ser considerado como óbvio. Ou há elementos que lhe surpreenderam?

Eu salientaria que, a partir desse primeiro turno eleitoral, emergem duas boas notícias. A primeira é a participação relativamente elevada, com uma presença satisfatória nas urnas. A segunda boa notícia é o candidato moderado do centro, Emmanuel Macron, que chegou na primeira posição em relação à candidata Marine Le Pen, da Frente Nacional. São dois eventos positivos ao lado dos quais, porém, há notícias mais preocupantes. Por exemplo, o fato de que 40% do eleitorado francês está irritado.

Os eleitores de Marine Le Pen e de Emmanuel Melanchon são testemunhas de uma situação de sofrimento em que muitos franceses se encontram, tanto em relação à sua condição de vida, quanto à do país. A população está permeada por sentimentos de inquietação, especialmente para o futuro dos seus filhos. Por isso, é muito importante que um candidato moderado como Macron encontre uma solução para responder a essa inquietação. Não podemos não tomar consciência desse sentimento generalizado. Sempre há um risco, ou seja, o alívio de pensar que se evitou o pior. Viveu-se isso também nas eleições nos Países Baixos e na Áustria.

O problema é que, eleição após eleição, o número de franceses “enraivecidos” vai aumentando progressivamente. Macron absolutamente deve encontrar respostas para esse sofrimento e deve dá-las à população que votou nele, especialmente para as pessoas que vivem na zona rural, nas cidades industriais ou até para os seus concidadãos de Amiens, que estão enfrentando a transferência de uma indústria para a Polônia.

E os católicos, como votaram?

Votaram em maior proporção em Fillon. Temos uma pesquisa que será publicada no jornal desta terça-feira que mostra que os católicos praticantes (aqueles que vão à missa pelo menos uma vez por semana) votaram em 44% em Fillon, 16% em Le Pen e mais ou menos igual em Macron. Essa pesquisa indica que a penetração da Frente Nacional entre os católicos praticantes é inferior à média nacional. Houve pesquisas, publicadas há alguns meses, que diziam que os católicos praticantes votariam na Frente Nacional com a mesmo porcentagem dos outros franceses. A nossa pesquisa, no entanto, demonstra que a proporção é de três pontos a menos que a média francesa.

Do que os católicos franceses têm medo em Le Pen e por que votaram em Fillon?

Eles votaram em Fillon porque, tradicionalmente, os católicos franceses são bastante conservadores. Eles votaram em Sarkozy na última eleição presidencial. Portanto, é uma tradição muito antiga ser mais à direita do que a orientação francesa geral. Mas, nesta eleição, o fator do pós-Manif pour tous desempenhou um papel bastante importante, e as posições de Fillon sobre as questões relacionadas com o casamento, a procriação assistida, a GPA [maternidade por substituição] são muito próximas do eleitorado católico da Manif. Mas Le Pen fez declarações controversas sobre o aborto que seguramente diminuíram a simpatia do eleitorado católico. A isso, somam-se também as suas declarações sobre os estrangeiros e sobre a acolhida, com as quais é difícil que um católico concorde.

Na sua opinião, por que o secretário-geral dos bispos franceses tomou a palavra, com um comunicado, logo depois do primeiro turno das eleições? E como você lê a sua posição?

É uma posição clara. Se a lermos com atenção, será difícil pensar que no próximo turno das eleições os católicos vão votar em Le Pen. Isso não está dito claramente, mas se entende. Eu não sei se será a última palavra dos bispos. Veremos. Mas eu acho que Dom Olivier Ribadeau Dumas quis se expressar para evitar pressões sobre o assunto.

Que cenários se abrirão agora?

Acho que, com exceção de um golpe de cena ou de um evento dramático como um atentado, a probabilidade de Macron vencer é muito alta. Mas devemos notar que, em 2002, Chirac tinha vencido com 80% dos votos. Estou bastante certo de que Macron não alcançará tal pontuação. As primeiras pesquisas lhe dão 60%. A situação não é tão boa, mas a probabilidade de uma vitória é alta. No eleitorado católico, eu prevejo, em vez disso, uma abstenção bastante elevada.

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