Ministro da Justiça admite que entregou a Funai ao PSC

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25 Abril 2017

A autarquia é subordinada ao Ministério da Justiça, mas Osmar Serraglio diz desconhecer seus rumos pois o responsável por ela é o deputado André Moura, líder do governo.

A reportagem é publicada por CartaCapital, 24-04-2017.

O toma lá, dá cá, a entrega de cargos ou dinheiro públicos em nome da governabilidade, chegou a um novo patamar com o governo Michel Temer. Ao menos no que diz respeito à nitidez com que é realizada.

Depois da revelação de que o Planalto pretende comprar o apoio de parlamentares à reforma da Previdência por meio da compra de publicidade em veículos de imprensa selecionados pelos congressistas, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, admitiu que não controla a Fundação Nacional do Índio (Funai), subordinada a sua pasta.

Na sexta-feira 20, reportagem de CartaCapital revelou que Antonio Fernandes Toninho Costa, o Toninho Costa, presidente da Funai, está esperando há alguns dias ser demitido por Serraglio.

O motivo é a pressão que Costa tem recebido para nomear apadrinhados políticos do PSC, partido que o indicou ao cargo. O principal responsável seria o deputado André Moura (PSC-SE), atual líder do governo no Congresso e investigado por tentativa de homicídio no Supremo Tribunal Federal.

Desde que foi nomeado, em janeiro deste ano, Costa teria recebido pedidos de Moura para que colocasse 25 aliados políticos em cargos estratégicos e de gestão na Funai. Como as nomeações não foram feitas, Moura teria ameaçado retirar Toninho Costa do cargo e afirmado ainda que o cargo é dele.

Horas depois, em declaração ao jornal O Estado de S.Paulo, Osmar Serraglio confirmou. “Não estou sabendo de demissão. Vi pela imprensa que ele seria demitido. Na verdade, a Funai é do PSC, do André Moura”, afirmou Serraglio, acrescentando que a decisão caberia ao deputado. “Se ele [Moura] mandar exonerar… Depende dele lá. Se for exonerado, é do ajuste da base”, disse. Ainda segundo o ministro da Justiça, ele não faz ideia de quem substituirá Costa em caso de demissão. “Não sei quem vem aí, nem se vem”.

Serraglio foi nomeado ministro da Justiça em 23 de fevereiro. Antes, era deputado federal pelo PMDB-PR, ao lado de André Moura. Juntos, ambos faziam parte da tropa de choque de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), artífice do impeachment de Dilma Rousseff que acabou cassado pela Câmara e hoje está preso pela Operação Lava Jato.

Serraglio, por sua vez, também pode se complicar na Justiça. Chamado de "velhinho que está conosco" por fiscal presa pela PF na Operação Carne Fraca, Serraglio atuou para proteger outro fiscal preso na Carne Fraca, este apontado como líder da quadrilha e chamado pelo próprio Serraglio de grande chefe.

Até a publicação desta nota, Costa seguia na presidência da Funai.

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