Bartolomeu I: "Eu poderia ir ao Cairo com o Papa Francisco"

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18 Abril 2017

A missa celebrada este ano por Bartolomeu I na sede do patriarcado, a Catedral de São Jorge, no Fanar, o bairro grego de Istambul, é um evento particular. No dia do referendo constitucional sobre os poderes do presidente que decidiu uma virada histórica para a Turquia, as Igrejas do Oriente e do Ocidente também festejam a Páscoa.

A reportagem é de Alberto Negri, publicada no jornal Il Sole 24 Ore, 16-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O patriarca, depois do rito, recebeu com grande cordialidade e calor os seus hóspedes, oferecendo bebidas e os tradicionais ovos coloridos, e nos reservou duas surpresas.

A primeira é uma carta escrita à mão que o papa lhe endereçou há algumas semanas. A assinatura é simplesmente Francisco: “Agradeço-te pela tua amizade e espero revê-lo em breve”, escreve o papa a Bartolomeu. É uma carta de uma página e meia em que Francisco fala da “fraterna amizade” que o liga a Bartolomeu, que, dentre as tantas línguas (grego, turco, inglês, francês, latim), também fala italiano, porque estudou na Gregoriana de Roma.

“A ocasião – esta é a segunda surpresa de Bartolomeu I – poderia ser muito próxima: eu também fui convidado pela Universidade de Al-Azhar no Cairo e, no dia 28 de abril, poderei estar com o Papa Francisco na mesma ocasião.”

“Eu e o papa já nos vimos seis vezes e eu participei da sua posse em março de 2013: foi a primeira vez na história que um patriarca ortodoxo participava dessa iniciativa”, ressalta Bartolomeu. Isso não acontecia desde 1054, quando ocorreu o cisma entre a Igreja de Roma e a do Oriente.

Se o patriarca e o papa – que também verá o general al-Sisi – estarão juntos com o Grão-Mufti al-Tayeb sob a abóbada de Al-Azhar, o centro de referência teológico do Islã sunita, o evento da visita do pontífice ao Egito assumirá um caráter ainda mais histórico do que já tem.

Os dois chefes da Igreja do Ocidente e do Oriente pretendem enviar outro forte sinal de proximidade aos cristãos coptas que, no Egito, no Domingo de Ramos, foram atingidos por dois assustadores atentados reivindicados pelo Isis com dezenas de mortos em Tanta e em Alexandria.

“Nós, ortodoxos – diz Bartolomeu –, reconhecemos o Deus triunfante no Deus sofredor. Essa é precisamente a nossa visão da Ressurreição e a nossa garantia de paz diante das perseguições cristãs do Oriente Médio, mas também em muitas outras partes do mundo: na Europa, no Norte da África e na Ásia. Cristo prometeu que não deixaria órfãos os seus discípulos, que ficaria conosco ‘todos os dias da nossa vida’. Essa é a nossa única esperança e a nossa única fonte de otimismo. A vida – conclui – é mais forte do que a morte; a luz, mais forte do que a escuridão.”

Enquanto o Grão-Arquimandrita Vissarion Komzias, colaborador próximo de Bartolomeu, me acompanha na saída do patriarcado, o olhar se estende para o Chifre de Ouro que separa a antiga Bizâncio de Galata. Atrás de nós, está Fener ou Fanar, o bairro histórico de Istambul. O nome remonta à época bizantina e deriva de um farol ou de uma lanterna. Depois, foi transliterado em língua turca como Fener, depois da conquista otomana da cidade, em 1453.

O Fener pertence ao município de Fatih, a antiga cidade murada de Constantinopla, onde, nestes anos, afluíram também os refugiados da Síria que, no bairro, abriram uma livraria e um café, polo de atração dos refugiados anti-Assad.

É aqui em Fatih que entramos na sede de um Imam Hatip, a escola superior de marca religiosa que, nos últimos 30 anos, foram um dos berços que favoreceram a ascensão do Islã político na Turquia. O afluxo de mulheres veladas, a multiplicação dos turbantes dos taleb, os estudantes de teologia, já dizem que esta parte conservadora da cidade tem um só voto, “Evet”, “sim”, no referendo desejado por Erdogan para tornar a Turquia uma república presidencial na qual ele terá plenos poderes.

Mas justamente Fatih lembra, a cada passo, a antiga Constantinopla e o Império Bizantino com os mosaicos de Fetieh, a antiga igreja que depois se transformou em mesquita e agora em museu, e aqueles, famosos, de São Salvador em Chora. Há um passado que vai além dos impérios e supera também o presente do novo sultão ambicioso.

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