"O ecumenismo é a teologia do nosso tempo", afirma cardeal Kasper

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29 Março 2017

Il Vincolo, a carta circular da Igreja Valdense de Pinerolo, hospeda no seu último número uma análise do teólogo italiano Sergio Rostagno sobre a recente conferência do ex-presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper.

O comentário foi publicado por Riforma, 27-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Dois são os fatos sobre os quais o cardeal Kasper entreteve o público que lotou a Igreja Valdense de Pinerolo na noite do dia 16 de março passado: por um lado, ele explicou o desenvolvimento das várias Reformas no século XVI, dentre as quais é preciso situar Lutero e lhe reconhecer um veio espiritual muito intenso; por outro, o cardeal ressaltou que, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, na Europa e em outros lugares, os fiéis de cada Igreja se reaproximaram, e as próprias Igrejas têm cada vez mais características comuns.

Em relação com esse segundo fato, Kasper destacou a importância da música nas Igrejas: são 180 – disse ele – os hinos comuns antigos e novos. Consequentemente, o ecumenismo, que é a grande realidade cristã do nosso tempo, é “a resposta a uma nova situação”.

Além disso, o ecumenismo “leva a sério as diferenças” e mantém a busca de unidade em uma pluralidade de abordagens diferentes. Enquanto, no século XVI, a polêmica se ampliava cada vez mais, e as discussões comuns foram muito poucas, hoje deve prevalecer o sentido inverso: da distância à reaproximação. Alguns empecilhos estão superados, defendeu o cardeal, citando os documentos emitidos juntos por católicos e luteranos.

O discurso do cardeal Kasper sugeriu várias considerações. Há não muito tempo, o papado tinha enunciado a teoria dos “dois pulmões” da Europa, que eram, então, o catolicismo romano e as Igrejas ortodoxas grega e russa. Agora, parece que o problema se deslocou para um novo terreno, o da União Europeia, onde o peso respectivo dos católicos e dos protestantes, teoricamente, é equivalente.

Na Europa, o cristianismo pode se apresentar substancialmente como um elemento histórica e espiritualmente unitário, embora com vozes diversas. Nos debates sobre a cultura europeia, tal fator tem uma importância que não pode ser ignorada. As celebrações da Reforma Protestante se inserem nesse âmbito.

Os dois fatos centrais ilustrados pelo cardeal Kasper são incontestáveis. A verdade cristã vive na história, não só na doutrina. A ênfase que ele coloca no desenvolvimento histórico talvez lhe teria valido há 100 anos o rótulo de padre modernista! As atuais relações hoje entre as Igrejas acontecem, felizmente, em uma atmosfera totalmente diferente. Mas não é óbvio que, em homenagem à nova atmosfera, a diversidade doutrinal deva ser abandonada.

Essa foi a primeira de quatro conferências públicas sobre o tema da Reforma, duas confiadas a católicos e duas a protestantes, proferidas, respectivamente, cada uma em um local do lado oposto. Depois da intervenção de Paolo Ricca (20 de abril), as próximas conferências serão as de Giancarlo Pani (Civiltà Cattolica), sobre “A afixação das Teses de Lutero sobre a indulgência: história ou lenda?” (quinta-feira, 28 de setembro, Igreja Valdense), e de Sergio Rostagno, intitulada “Desculpe, Dr. Lutero, por que só você deveria ter razão?” (em outubro, data e local a serem estipulados).

O cardeal Kasper, assim, deu início ao verão ecumênico de Pinerolo da melhor maneira possível.

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