O'Malley afirma que papa continua comprometido com a erradicação de abusos sexuais do clero

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24 Março 2017

Em meio a um mês em que levantou-se a eficácia das medidas do Papa Francisco para combater o abuso sexual clerical, o Cardeal de Boston, Sean O'Malley, declarou na quinta-feira que o pontífice ainda está "completamente comprometido em erradicar os desastres dos abusos sexuais".

O'Malley, líder da Comissão Pontifícia para a Tutela de Menores, criada por Francisco, disse aos participantes de um seminário de formação organizado pelo grupo que "nos tempos atuais não há justificativas para não adotar medidas concretas de proteção para as nossas crianças".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 23 -03- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

"Para não restar dúvida: nenhum outro tópico é mais importante para a vida da Igreja", disse o cardeal. "Se a Igreja não está comprometida com a proteção das crianças, nossos esforços pela evangelização serão ineficazes; perderemos a confiança do nosso povo e ganharemos o opróbrio do mundo."

A Comissão Pontifícia, criada por Francisco em 2014, sediou um seminário educacional nesta quinta-feira, 23 de março, na Pontifícia Universidade Gregoriana, apresentando diferentes perspectivas sobre a proteção das crianças por defensores da Argentina, Austrália, Colômbia, Itália, México e Estados Unidos.

O evento acontece apenas três semanas depois que um dos membros da comissão, a vítima de abuso Marie Collins, saiu do grupo em 1º de março. Em um artigo publicado naquele dia, Collins disse que estava se demitindo devido à frustração pela relutância de autoridades do Vaticano em cooperar com o trabalho da comissão para proteger as crianças.

Collins destacou especificamente que o Vaticano não conseguiu implementar duas medidas que o Papa havia aprovado sobre a recomendação da Comissão: que seja criado um novo tribunal para julgar bispos acusados de agir inadequadamente frente a abusos sexuais e que todos os escritórios do Vaticano respondam às cartas enviadas por vítimas de abuso.

Collins, que é irlandesa, era a última sobrevivente de abuso a ter papel ativo na comissão. O inglês Peter Saunders, o outro sobrevivente, está em licença do grupo desde fevereiro de 2016.

Em seu discurso de abertura do evento de quinta-feira, O'Malley pareceu reconhecer que a sua comissão precisa reavaliar como pode funcionar sem uma vítima de abuso entre os membros. O cardeal disse que essa questão seria discutida pelo grupo em sua próxima reunião, que acontecerá neste fim de semana em Roma.

"Mesmo os melhores programas e melhores práticas serão em vão se não conseguirmos colocar as vítimas e sobreviventes de abuso sexual em primeiro lugar", disse O'Malley.

"Nossa comissão adotou o 'princípio da prioridade' - vítimas em primeiro lugar -, que será tema central da nossa assembleia plenária desta semana", continuou. "Como as vítimas/sobreviventes podem continuar tendo voz ativa em nosso trabalho e ajudar a nos guiar?"

Ao passo que O'Malley comprometeu-se a um diálogo que dá voz aos sobreviventes no trabalho da comissão, já pareceu por várias vezes nos últimos dias que alguém dentro de seu grupo vem trabalhando para abafar a voz da sobrevivente Collins. A pessoa tem sido citada em várias notícias em um véu de anonimato.

Em um exemplo, uma fonte citada como "familiar à situação" disse ao Catholic News Service em 16 de março que a ordem do papa de implementar um novo tribunal para julgar os bispos não era um "decreto papal" para juntar os tribunais, mas uma "luz verde" para formular novos procedimentos.
Em outro exemplo, uma "fonte do Vaticano" disse ao National Catholic Register em 22 de março que os sobreviventes que escrevem ao Vaticano devem receber uma resposta de seus bispos locais, não dos escritórios do Vaticano.

A afirmação no primeiro exemplo desmente a declaração do Vaticano de junho de 2015 que anunciava o novo tribunal, dizendo claramente que o papa havia ordenado um determinado tribunal e estabelecido a sua equipe.

A afirmação no segundo exemplo contradiz a carta de Collins de 1º de março, que declarava: "No ano passado, a pedido [da comissão], o papa instruiu todos os departamentos do Vaticano a garantirem que todas as correspondências de vítimas/sobreviventes recebam uma resposta".

No entanto, o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que julga casos de abuso por parte do clero, disse em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera, da Itália, que seu dicastério delega as cartas das vítimas aos bispos locais por "respeito [ao] princípio legítimo de autonomia diocesana e da subsidiariedade".

A própria Collins manifestou frustração com a forma como seu interlocutor se recusou a dizer seu nome, tuitando, na quinta-feira: "Esconder-se atrás do anonimato de 'fonte do Vaticano' tem funcionado muito nas últimas semanas para combater as minhas declarações. Tem algo a dizer? Assine."

O evento da comissão na quinta-feira contou com os líderes de vários gabinetes do Vaticano, como os cardeais Marc Ouellet, Kevin Farrell, João Braz de Aviz e Peter Turkson. Entre outros palestrantes estava Kathleen McCormack, australiana que lidera o grupo de trabalho da Comissão sobre a educação das famílias e comunidades.

"Nós realmente estamos todos aqui hoje porque temos um problema na nossa Igreja", disse McCormack, antes de delinear o que ela chamou de cinco "estratégias essenciais" para a prevenção de abuso: triagem de pessoal, formação continuada, educação comunitária, criação de estruturas de relatórios e o compartilhamento de informações entre a Igreja e a sociedade em geral.

O último item, disse McCormack, "ajudaria a quebrar o segredo e o silêncio da Igreja".
Francis Sullivan, australiano que lidera o Conselho de Verdade, Justiça e Cura, disse aos presentes que os abusos sexuais pelo clero "quebraram o coração da Igreja Católica".

"Nós nunca realmente aprovamos o fato de que as decisões tomadas pelos nossos líderes para facilitar e encobrir os casos de abuso tenham quebrado o coração do significado de ser católico", disse ele. "E precisamos voltar e confrontar isso."

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