Papa Francisco, um aniversário inquietante: ou ele muda de estratégia ou corre o risco de isolamento

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15 Março 2017

O caso Collins bate à porta do quinto ano de pontificado. Arquivar o episódio para não perturbar a imagem de Francisco-super-homem impede de ver a luta que está ocorrendo dentro da Igreja Católica para impedir ou, pelo menos, retardar o curso reformador do pontífice argentino.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no sítio do jornal Il Fatto Quotidiano, 12-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para Francisco, já com seus 80 anos, começou o segundo tempo do jogo (para usar um termo futebolístico), e o confronto no campo se torna cada vez mais duro. A renúncia da católica irlandesa Marie Collins – que se retirou da comissão vaticana para a proteção dos menores contra os abusos depois da atitude de sabotagem da Congregação para a Doutrina da Fé – demonstra que mesmo os opositores da linha reformista de Bergoglio são capazes de fazer um gol.

A retirada de Collins, católica fiel à Igreja e não contestadora, vítima quando adolescente de um padre, lança uma sombra sobre o restante do caminho das reformas de Francisco nesta fase final. “É devastador – declarou a mulher ao National Catholic Reporter – ver que, em 2017, esses homens [da Cúria] ainda são capazes de dar preferência a outras preocupações em vez da proteção dos menores e dos adultos vulneráveis.”

Por ocasião do quarto aniversário da eleição de Francisco, continua sendo muito alto o consenso de que ele continua desfrutando na opinião pública internacional – católica ou não – em reconhecimento da sua personalidade de líder religioso e geopolítico, da sua mensagem e das mudanças já introduzidas no corpo da Igreja Católica (reformas da organização curial, maior colegialidade, limpeza no banco vaticano, descentralização das causas de nulidade dos matrimônios religiosos, normas mais duras contra a pedofilia e regras para a remoção dos bispos culpados de encobrimento, abertura da discussão sobre o diaconato feminino e sobre os padres casados, abandono da obsessão clerical sobre temas como pílula, divórcio, homossexualidade, coabitação).

Mas o panorama não está completo se não se levar em conta a “guerra civil” em curso na Igreja Católica, um conflito que já explodiu abertamente e que, nos bastidores, é ainda mais duro, por ser uma “guerra de convicções”. Articulada sobre a interpretação do papel da Igreja na sociedade contemporânea, sobre a radical diversidade de visão sobre Doutrina e Pastoral, Tradição e Discernimento das situações concretas.

Não é uma pequena guerra de poder entre “bons” e “maus”. É, de fato, uma guerra ideológica em que cada fronte (como sempre acontece) sente que tem, do seu lado, motivações laterais e históricas.

Depois do ataque aberto dos quatro cardeais à postura misericordiosa de Francisco sobre os divorciados em segunda união, depois da derrota no Sínodo da linha reformista daqueles bispos que queriam um reconhecimento aberto da possibilidade de dar a comunhão também aos divorciados recasados e uma avaliação positiva dos casais homossexuais, depois da deslegitimação pública e zombeteira de Francisco através da afixação de cartazes e a divulgação de um falso L’Osservatore Romano manipulando frases do papa, o caso Collins trouxe à tona uma história ainda mais grave. O fato de a Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo cardeal Müller, ter conseguido bloquear e anular a instituição de um tribunal vaticano, que devia se ocupar (a partir da denúncia das vítimas) daqueles bispos que tivessem se demonstrado negligentes. Um tribunal anunciado oficialmente em junho de 2015.

Descobrir, no aniversário da eleição papal, que um fronte interno da Cúria foi tão forte a ponto de impor um veto a uma iniciativa, decidida por Francisco, em nome da tolerância zero para os abusos é um evento inédito, que levanta sérias interrogações sobre as relações de força dentro da Igreja. E levanta a pergunta sobre quanta força o papa tem para ancorar ainda mais as suas reformas (com o risco de que um sucessor apague o ímpeto reformista).

Muitos defensores de Bergoglio não escondem a sua preocupação e se perguntam se ele vai mostrar a mesma energia inflexível que demonstrou ao romper a oposição dentro da Ordem de Malta. O desafio que se coloca diante de Francisco no início do quinto ano de pontificado, na presença do crescimento da oposição interna, é grande: o papa argentino continuará apontando principalmente para o seu testemunho pessoal, confiando no processo de transformação da Igreja em tempos longos, ou dará início a uma “nova fase” através de um fortalecimento organizacional da sua linha?

Vários de seus aliados, falando reservadamente, esperam que Francisco, neste segundo tempo do pontificado, reorganize a cúpula da Cúria, construindo uma equipe coerentemente reformadora, como aconteceu com Paulo VI depois do Concílio Vaticano II. Ao mesmo tempo, vários de seus aliados desejam que muitas das orientações indicados por Francisco nos seus discursos se tornem instruções precisas dirigidas aos párocos e bispos, “executive orders”, para dizer à la americana, para eliminar incertezas no caminho a ser percorrido.

Até agora, Francisco seguiu a tendência de não dar importância aos opositores, dizendo de dormir “sonos tranquilos”. Mas essa estratégia do silêncio, que visa a não dar evidência às divisões presentes na Igreja universal (não só na Cúria), realmente encoraja a timidez também dos bispos e dos cardeais que o apoiam. Com o resultado de deixar em cena apenas o jogo papa versus adversários. Um espetáculo que não é reconfortante.

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