Cardeal de Chicago pede a seus sacerdotes que não colaborem com agentes de imigração sem ordem judicial

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03 Março 2017

“Solidariedade com os que vivem nas sombras”. Isso é o que pretende alcançar o cardeal de Chicago, Blase Cupich, mediante uma carta que enviou ao clero da arquidiocese, instruindo-lhes que evitem que as autoridades federais de imigração (ICE) entrem nas igrejas sem uma ordem judicial.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 01-03-2017. A tradução é do Cepat.

As novas diretrizes chegam após a publicação de outra série de normas, dirigidas aos diretores das escolas públicas da cidade, nas quais o arcebispo lhes pediu que não compartilhem os documentos de seus alunos com os agentes federais, que não permitam a entrada em suas escolas a qualquer autoridade que não conte com uma autorização oficial, e que atualizem os contatos de emergência para seus alunos, caso detenham algum de seus familiares.

Na carta enviada a seu clero, nesta segunda-feira, Cupich pediu aos sacerdotes que revisem qualquer ordem judicial ou outros documentos, antes de permitir que agentes federais de imigração ingressem em suas instalações. Também pediu para que contatem o escritório de Serviços Legais da arquidiocese de maneira imediata.

“Se um oficial de imigração quer entrar no recinto (paroquial), antes de deixá-lo entrar, peça para que se identifique, a razão da inspeção, e qualquer documento que tenha, como uma ordem judicial”, exortou o prelado a seus sacerdotes. Caso os agentes, sim, tenham um mandamento, é necessário cooperar com eles, avisou o arcebispo de Chicago, mas entrando em contato com os advogados diocesanos. Contudo, se não possuem esse respaldo legal, prosseguiu, “e não é uma situação na qual alguém está em perigo iminente, diga-lhes... que não podem entrar nas instalações, peça-lhes seus detalhes de contato e avise para que entrem em contato com o escritório de Serviços Legais”.

Estes novos protocolos das paróquias e escolas católicas de Chicago respondem, explica Cupich, a uma necessidade de manter a “solidariedade com muitos de nossos fiéis altamente perturbados com as recentes ordens executivas relacionadas à imigração”. Conjuntura a qual urge oferecer “apoio, direção espiritual e compaixão”, escreve o cardeal.

“Devemos estar juntos e claramente fazer saber que a Arquidiocese de Chicago apoia a dignidade de todas as pessoas, sem importar sua situação migratória”, disse a carta de Cupich, ressaltando que muitas igrejas estão oferecendo informação legal e recursos educativos para imigrantes. Com suas 346 igrejas e mais de 200 escolas, a Arquidiocese de Chicago serve a mais de 2,2 milhões de católicos no condado de Cook e de Lake, dos quais 44% são hispânicos.

No entanto, a carta esclarece que as paróquias da arquidiocese não são “igrejas de santuário”.

“Não nomeamos nossas igrejas como ‘santuários’, pois seria irresponsável criar uma falsa esperança de que possamos proteger as pessoas das ações de cumprimento da lei, por injustas ou desumanas que possamos vê-las... A lei de imigração impõe sanções penais e multas para quem ocultar, em qualquer lugar, um estrangeiro que chegou, entrou ou permanece nos Estados Unidos em violação à lei”, acrescenta a carta. “É oportuno recordar a política da arquidiocese de que só aqueles que foram ordenados e designados a viver em uma reitoria ou outra instituição eclesiástica possam residir ali”, esclareceu o cardeal em sua carta.

Mesmo que o presidente Donald Trump tenha endurecido, ainda mais se possível sua retórica e política anti-imigrantes - ordenando, na semana passada, a contratação de até 15.000 novos agentes de imigração -, o cardeal de Chicago segue convencido que a resposta ao drama dos indocumentados passa por mais humanidade e não por mais lei.

“Meus irmãos bispos e eu... insistimos em que a única resposta justa ao falido sistema de imigração de nosso país é uma reforma compreensiva e compassiva, que reflita nossa herança como nação “sob Deus com liberdade e justiça para todos”, clama Cupich.

“Os bispos seguirão defendendo este objetivo, mas, enquanto isso, temos de permanecer em solidariedade com os que vivem nas sombras”, prometeu o prelado, acrescentando, por último, que a arquidiocese seguirá oferecendo todo tipo de serviços – comida, teto e assistência legal, “independentemente da origem, religião ou status migratório da pessoa”.

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