Igreja da Inglaterra dá a primeira luz verde ao casamento gay

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19 Fevereiro 2017

“Agora estou orgulhoso de ser cristão”, lia-se nos cartazes arco-íris de alguns ativistas do lado de fora das igrejas do outro lado do Canal da Mancha, onde o Sínodo anglicano tinha acabado de rejeitar o documento preparado pela Câmara dos Bispos, segundo o qual o casamento celebrado na igreja só pode ser aquele entre um homem e uma mulher, e que afirma que as relações entre pessoas do mesmo sexo não podem receber qualquer forma de bênção.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 17-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se os bispos deram a luz verde ao relatório (43 “sim” e apenas um não), a Câmara do Clero reverteu a decisão: 93 “sim” e 100 “não”. Não foi influente, nesse ponto, a aprovação do documento por parte da Câmara dos Leigos, com 106 “sim” e 83 “não”. Para aprovar um texto, é necessário o consentimento de todas as três Câmaras nas quais se divide a Igreja da Inglaterra.

Os proponentes, isto é, o episcopado, tentaram imediatamente sopesar o incidente, jogando água no fogo e lembrando que se tratou de uma votação nada vinculante, mas apenas simbólica. Tentativa efêmera para salvar o irrecuperável, já que se passou a ideia de que a exclusividade do casamento entre heterossexuais em um edifício de culto cristão não é mais tal.

Com efeito, de acordo com o gélido léxico canônico, “a Igreja da Inglaterra não reconhece o documento” proposto. Um grande problema, que torna manifesta a rachadura que, há anos, afeta a realidade anglicana. Até porque, lembram os defensores do relatório, este estava muito pouco marcado por um rígido conservadorismo do passado. Muito pelo contrário, já que, explicitamente, afirmava-se a necessidade de difundir “uma cultura de acolhida e de apoio para os cristãos homossexuais”.

É claro, as uniões do mesmo sexo estavam excluídas. E é justamente isso que se busca – e que a Câmara do Clero, composta por sacerdotes, reitores e vigários, quer –, a reviravolta, “ir mais longe e mais rápido do que é necessariamente possível”, nas palavras do reverendo Pete Broadbent, entrevistado pela BBC. Exultam os ativistas, incluindo muitos sacerdotes defensores da nova linha. Peter Tatchell, há décadas na vanguarda do pedido de abrir as portas das igrejas para os casais gays, ressaltou que “esta votação marca uma vitória para o amor e a igualdade”.

No meio disso, está o primaz de Canterbury, Justin Welby, convencido da necessidade de uma “nova e radical inclusão cristã”. Esse relatório, explicou, “não representa o fim da história. Nós, como bispos, devemos continuar refletindo. Tentaremos fazer melhor”. Nem uma palavra a mais, até porque, agora, cabe reescrever o documento, levando em conta as reivindicações que surgiram no Sínodo.

Tarefa árdua será manter unida a desgastada Igreja da Inglaterra, já provada por uma queda drástica de fiéis e pelas dilacerantes batalhas internas sobre a ordenação episcopal de mulheres, que tiveram o seu ponto culminante no grito do reverendo Paul Williamson, que, durante a consagração da senhora Libby Lane, na catedral de York, gritou com toda a voz que tinha no seu corpo: “Not in my name!” [Não em meu nome].

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