Francisco promove a bispo o padre italiano paladino dos refugiados

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18 Fevereiro 2017

À espera da próxima eleição do presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que irá ocorrer em maio, Francisco já está modificando o rosto do episcopado italiano ao som de nomeações. Até hoje, a liderança de mais de um terço das dioceses do país foi mudada pelo papa, com solavancos fortes até. A última ocorreu na última quarta-feira, 15, em Ferrara, onde foi nomeado Giancarlo Perego, padre de Cremona, de 56 anos.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 16-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na diocese liderada por Luigi Negri, do movimento Comunhão e Libertação, onde, em outubro passado, parte da comunidade de Gorino tinha erguido barricadas contra a decisão da prefeitura de enviar 12 refugiados (incluindo um cartaz afixado do lado de fora de uma igreja: “Por que vocês não vão para o Califado de vocês?”), Francisco mandou aquele que, desde 2009, é diretor-geral da Fundação Migrantes, o órgão pastoral da CEI que se dedica justamente a eles, aos excluídos.

O sinal de que o papa enviou, em essência, sempre o mesmo desde que se tornou bispo de Roma, fala por si só. E diz mais coisas. Entre elas, que os bispos devem ter algumas características imprescindíveis: devem ser pastores que acolhem as pessoas, especialmente os últimos, que sabem escutar, que não rejeitam, que não escolhem o rebanho que lhes foi confiado.

Sim, o rebanho. Deste, os bispos bergoglianos devem ter, ou ao menos conhecer, o cheiro. Ou seja, o que importa é a proximidade a todos, porque “o episcopado – explicou o papa várias vezes – não é uma honraria, mas um serviço”. E, nesse sentido, um serviço que também pode ser prestado por aqueles que não têm os “graus” que até quatro anos atrás pareciam ser necessários: a maioria dos novos prelados são simples párocos e, salvo exceções, não tinham grandes cargos antes da nomeação, eram isentos de uma particular “carreira” curial.

Antes de Ferrara, muitos outros casos. Acima de tudo, três dioceses de primeiro plano. Pádua, onde Santo Antônio morreu e onde, governada pelo Vaticano, ergue-se a basílica com os seus restos mortais; Bolonha, marcada pelas grandes figuras da Giacomo Lercaro e do seu “oposto”, Giacomo Biffi, a diocese mais rica da Itália; Palermo, a sede siciliana mais importante, cardinalícia por tradição.

Em Pádua, desde 1932, não era designado um pastor que já não fosse bispo. Em 2015, Francisco escolheu o Pe. Claudio Cipolla, por muitos anos diretor da Cáritas da diocese e simples pároco.

Em Bolonha, depois de Carlo Caffarra, chegou Dom Matteo Zuppi, bispo auxiliar de Roma e membro da Comunidade de Santo Egídio, desde sempre comprometido com os sem-teto, os pobres e os refugiados.

Já em Palermo, o papa quis levar o Pe. Corrado Lorefice, este também pároco, amigo do Pe. Ciotti, na linha de frente contra a rede de prostituição.

Francisco deu desde cedo os sinais de uma profunda mudança em curso. Até mesmo dentro da liderança da CEI. A escolha de nomear Nunzio Galantino, quando ele estava à frente da diocese de Cassano all’Ionio, como secretário-geral dos bispos vai nesse sentido. Assim também a decisão de dar a púrpura a bispos como Gualtiero Bassetti (Perugia), Edoardo Menichelli (Ancona) e Francesco Montenegro (Agrigento), pastores de dioceses não tradicionalmente cardinalícias. Mas há muitos outros exemplos, e haverá muitos outros no futuro.

Recentemente, os três novos bispos de Savona-Noli, de Messina-Lipari-Santa Lucia del Mela e de Lucera-Troia foram respectivamente os três párocos Calogero Marino, Giovanni Accolla e Giuseppe Giuliano.

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