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13 Fevereiro 2017

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas neste domingo na capital mexicana para dizer não a Donald Trump e pedir ao Governo de Enrique Peña Nieto dignidade e firmeza para enfrentar sua maior ameaça. As marchas foram convocadas por mais de 80 organizações, entre elas as principais universidades, e respaldadas por dezenas de personalidades. Só se exigia que não fossem exibidas cores partidárias nem se proferissem slogans políticos além da letra do hino nacional. É o primeiro grande protesto do México contra Trump e acontece 92 dias e uma longa lista de insultos depois de sua vitória eleitoral.

A reportagem é de Jacobo García, publicada por El País, 12-02-2017.

Os mexicanos exigiram “respeito” e “dignidade” ao presidente norte-americano e sua Administração. Antes do México, os iranianos tinham protestado na rua contra as políticas de Trump, mas no vizinho do sul, o mais ultrajado pelo republicano, foram massivas e inundaram as principais avenidas do país sob o lema #Vibramexico. Apesar de o lugar mais visível ser a capital mexicana, uniram-se à marcha mais de 20 cidades de todo o México e cerca de 80 organizações. Entre elas a UNAM, a maior universidade da América Latina, uma instituição que não participava de uma manifestações desde dois meses antes do massacre de estudantes de 1968. Intelectuais de destaque, como Enrique Graue, Enrique Krauze, Héctor Aguilar Camín e Enrique Ochoa, presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), se uniram à marcha.

“Inicialmente pensávamos que se tratava apenas de ameaças de campanha, mas o que [Trump] está fazendo desde que venceu as eleições é imoral. Seu discurso racista concentra tudo que nos machuca e nos ofende”, criticou María Elena Morera, dirigente da Causa em Comum, uma das organizações que convocou o protesto. “Passamos do desconcerto inicial a um momento de união. Já estamos mobilizados e já acordamos”, acrescentou.

Além de um rotundo não às políticas de Trump, os organizadores incluíram uma lista de exigências ao Governo de Peña Nieto em sua errática relação com a Casa Branca. Pediram que defendesse o México e os mexicanos diante das ameaças da nova Administração republicana. E exigiram do Executivo do PRI que “evite a dissimulação e assuma ações concretas e imediatas para combater a pobreza, a desigualdade, a corrupção e a impunidade”.

O México está em plena adaptação depois da aterrissagem ciclônica de Trump, que está há quase tantos dias na Casa Branca quanto os insultos proferidos. Ao desconcerto inicial se soma agora a ira contra um governante que ofendeu o México desde seus dias de candidato à presidência e que dedica a seu vizinho do sul as ofensas mais racistas e desagradáveis.

No aspecto diplomático, Trump insistiu em construir um muro na fronteira entre os dois países. No econômico, com apenas um punhado de tuítes impediu a criação de milhares de postos de trabalho no México, ameaçando subir os impostos das empresas que ali se instalassem. A Ford, de fato, recuou e desistiu da construção de uma nova fábrica em San Luis Potosí.

No aspecto social, o México se prepara para uma deportação em massa de centenas de milhares de mexicanos sem documentos que vivem na ilegalidade nos Estados Unidos, ameaçados por uma nova política migratória que intensificou as batidas na população latina de Los Angeles.

Para fazer frente a Trump, Peña Nieto pediu insistentemente unidade aos mexicanos, mas a rua e a oposição se adiantaram ao presidente. No fechamento desta edição, previa-se que Andrés Manuel López Obrador, candidato líder nas pesquisas para as eleições de 2018, falasse em Los Angeles diante de centenas de pessoas sem documentos que se sentem ameaçadas.

Denisse Sucilla, de 30 anos, usa uma camiseta em que pede respeito para o México. “É o momento de unir os mexicanos. Trump nos serviu de desculpa para encarar nossos problemas internos.

Temos de enfrentar o desafio mas sem corrupção, sem mau governo e unidos.” Denisse tinha chegado à marcha com vários cartazes na mão para distribuir a suas amigas e em um deles se dê “Eles não são Trump assim como não somos Peña”.

Impressionado com os gritos da manifestação da capital, Ignacio Maz, aposentado da Ford, acompanhou muito preocupado o que aconteceu com sua antiga empresa. No entanto, de tudo que se ouviu até agora o que mais o incomoda é o polêmico muro que Trump pretende construir entre México e Estados Unidos. “Quantos latinos vão morrer tentando cruzar esse muro? Quantas vidas essa idiotice vai custar?”, se pergunta. “Os demais países da América deveriam se unir ao México no protesto”, acrescenta.

Não foi a única medida protecionista. O republicano impôs uma renegociação unilateral ao atual tratado de livre comércio mantido entre Canadá, México e Estados Unidos desde 1994, e na bancada republicana há vozes que pedem uma taxação de 2% sobre as remessas que chegam dos Estados Unidos para pagar o muro.

A marcha dividiu também alguns setores da sociedade mexicana. Isabel Miranda de Wallace, presidenta de uma associação contra o sequestro, convocou na última hora uma marcha paralela por entender que a convocada por #Vibramexico era crítica demais com o presidente Enrique Peña Nieto.

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