Papel da mulher: prioridade para os bispos irlandeses durante conversas no Vaticano

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27 Janeiro 2017

O papel da mulher na Igreja Católica hoje se fez presente de modo central nas visitas “ad limina”, onde muitos prelados irlandeses foram a Roma para se encontrar reunir com o Papa Francisco. Dom Brendan Leahy disse que o Espírito Santo está “dizendo algo” a nós sobre o futuro da mulher na Igreja e em nossa sociedade.

A reportagem é de Elise Harris, publicada por Crux, 24-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Os bispos irlandeses estão terminando a primeira visita “ad limina” a Roma em 10 anos – período que ficou marcado por um rápido aumento do secularismo, pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e pela crise de abuso sexual clerical do país.

No entanto, apesar da vasta gama de desafios que os prelados irlandeses atualmente enfrentam e os muitos obstáculos que já superaram, um tópico ganha destaque e foi mencionado em todos os encontros que eles tiveram com os diferentes dicastérios vaticanos: o papel da mulher na Igreja hoje.

“Acho que não houve uma congregação [vaticana] em que não se mencionou isso”, disse Dom Brendan Leahy, da Diocese de Limerick ao sítio Catholic News Agency em 20 de janeiro.

Ele considerou a atenção atualmente dada às mulheres e ao papel delas na Igreja como “um dos sinais dos tempos”.

O Espírito Santo “está dizendo algo”, disse Leahy, acrescentando que, embora o que precisamente o Espírito Santo quer é “a grande questão para nós todos”, uma área que continua vindo à tona é o de envolver mais as mulheres nos processos decisórios.

Leahy é um dos muitos prelados irlandeses que estiveram em Roma na semana passada para a visita “ad limina”, que geralmente representa como um período de descanso e oração aos bispos durante o qual se encontram com o papa e onde têm a oportunidade de visitar cada um dos dicastérios (departamentos) do Vaticano.

Leahy foi um dos quatro bispos que falaram com os jornalistas depois do encontro em 20 de janeiro com o Papa Francisco, que durou quase duas horas e cobriu uma ampla variedade de tópicos.

Os outros prelados que falaram foram Dom Eamon Martin, da Arquidiocese de Armagh, na Irlanda do Norte, o presidente da conferência episcopal irlandesa, Dom Diarmuid Martin, da Arquidiocese de Dublin, e Dom Denis Nulty, da Diocese de Kildare e Leighlin.

Em comentários ao National News Agency, Laehy observou que “as mulheres são tão presentes no coração da Igreja irlandesa que, hoje, estão extremamente envolvidas nela”.

No entanto, nos últimos 10 anos de reuniões, assembleias e, em seu caso, um sínodo diocesano, os bispos têm escutado muito, e uma coisa que eles vêm ouvindo constantemente é que elas querem que o papel desempenhado por elas na instituição seja “mais aprimorado”, visível, apreciado e articulado.

Eis uma reflexão que eles levaram a todos os dicastérios vaticanos visitados, bem como na reunião que tiveram com o papa, que “reconhece que essa é uma questão séria”.

Leahy disse que, durante o momento do grupo com o papa, conduzido em forma diálogo – sem texto preparado –, Francisco lembrou o teólogo suíço Hans von Balthasar, o que já fizera no passado, tecendo reflexões sobre duas dimensões específicas na Igreja: a petrina e a mariana.

“Pedro, Maria... esses dois perfis. Porque são complementares”, disse ele. “As mulheres trazem o jeito delas de ver as coisas, o jeito delas de entender, o jeito delas de sentir as questões, a distinção delas para dentro da vida da Igreja”.

Enquanto o tópico em si e o que ele significa para a obra e vida da Igreja requerem uma reflexão mais aprofundada, “nós precisamos apreciar” as qualidades específicas que as mulheres trazem, “e precisamos ver como podemos articular mais isso”.

No entanto, referindo-se ao conselho do Papa Francisco, Laehy advertiu que, embora um aperfeiçoamento do papel da mulher na Igreja deva ser buscado, não se deve abordá-lo “a partir de uma perspectiva simplesmente funcionalista”.

“Não podemos simplesmente sair com soluções simplistas, e eu penso que as próprias mulheres seriam as primeiras a dizerem isso”, completou o prelado, explicando que o próximo passo é explorar juntos “como melhor articular a vida da Igreja de um modo que elas sintam que o papel delas é genuinamente apreciado”.

O bispo disse achar que, depois das reuniões que teve no Vaticano, a preocupação trazida sobre o assunto “foi ouvida” e “para ser sincero, não somos os únicos que estamos dizendo isso”.

O próprio Papa Francisco por vezes diz que o papel da mulher é algo que a Igreja inteira precisa observar, disse ele, explicando que ele e seus companheiros bispos na Irlanda irão voltar com planos para um “engajamento enorme” baseado na escuta e no diálogo.

Referindo-se à ênfase constante do Papa Francisco sobre a importância do discernimento, Leahy disse que não há uma solução rápida, mas que é algo que “precisa de tempo, precisa de reflexão, precisa de exploração para discernirmos juntos”.

Dom Diarmuid Martin, da Arquidiocese de Dublin, ecoou os sentimentos de Leahy, contando aos jornalistas que um dos “grupos mais distanciados” na Irlanda é o “das jovens”.

Segundo ele, especificamente no encontro que tiveram com a Congregação para a Doutrina da Fé, debateram-se as áreas na Igreja onde “uma posição mais firme” não só das mulheres, mas dos leigos em geral, “não apenas é lícita, mas desejável”.

Outros temas lembrados pelos bispos na reunião com o papa foram os jovens, as vocações, o influxo de refugiados no país e, claro, a visita por vir do pontífice à Irlanda em 2018 para o Encontro Mundial das Famílias.

Embora essa visita dos bispos aconteça na esteira do escândalo de pedofilia clerical que abalou o país e após um rápido aumento da secularização, Eamon Martin falou que nenhum dos bispos se sentiu “sob investigação” ou “sob interrogatório” durante a “ad limina”.

Foi uma “atmosfera muito diferente”, em particular no encontro deles com o papa, o qual Martin chamou de um “encontro fascinante”.

“Não recebemos nenhum tipo de castigo”, disse, mas sim foram certificados de que “não estão a sós” nos desafios enfrentados, muitos dos quais derivam do fato de que a voz da Igreja e de sua autoridade na sociedade e na vida das pessoas teve uma queda drástica, em grande parte devido ao escândalo de abuso sexual.

Martin disse que “estamos realistas quanto aos desafios que, no momento, temos enfrentado na Irlanda”, mas que também estão esperançosos de que estão entrando em um “novo espaço de encontro e diálogo com a sociedade irlandesa”, em que a Igreja possui uma voz importante.

“Não a voz dominante ou a voz dominadora que, talvez, tivemos no passado –, mas estamos contribuindo para diálogos importantes” sobre tópicos como a vida, o matrimônio, a família, a pobreza, os desabrigados e a educação.

O diálogo também se centrou sobre o que é ser bispo, com o papa comparando o papel episcopal ao de um goleiro, “em que os chutes vêm de todos os lados e que precisamos estar aí, prontos a tudo o que vier”.

Embora tenha havido “muitas risadas e brincadeiras”, todos os prelados levaram bastante a sério quando se falou sobre os casos de abuso.

Martin disse que o número de abusos na Irlanda “era pequeno se comparado com a sociedade em geral”, e notou que a Igreja tem feito um progresso significativo desde que irromperam os escândalos.

Em referência ao encontro dos bispos irlandeses com a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, Eamon Martin apontou para um modelo em quatro passos que o Papa Bento XVI lhes recomendou quando primeiramente irrompeu o escândalo sexual no país: estabelecer a verdade do que aconteceu, pôr em prática procedimentos preventivos, concordar com a justiça e trazer a cura.

“Temos atuado em todas as quatro áreas”, disse ele, observando que, no o processo de cura aos abusados, “ter eles contando as suas histórias” faz uma grande diferença.

A Irlanda está “agora falando a partir de um senso de maturidade” e pode ser um ponto de referência para o restante da Igreja, disse ele, observando que, enquanto falava, um novo relatório estava sendo publicado em Belfast por investigadores do Inquérito de Abuso Institucional Histórico na Irlanda do Norte sobre abuso infantil em orfanatos, alguns dos quais administrados por ordens religiosas católicas.

No geral, houve o reconhecimento de que a Irlanda passou por “um mau momento – não para nós, mas em especial para as crianças que foram abusadas”, disse ele, acrescentando que houve também um reconhecimento de que “tudo o que fizéssemos seria insuficiente para responder ao sofrimento que elas vivenciaram”.

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