“As mulheres são mais corajosas que os homens”, opina Francisco

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26 Janeiro 2017

“Esta é minha opinião: as mulheres são mais corajosas que os homens...”. O Papa Francisco acrescentou esta frase, que foi recebida com uma ovação dos fiéis que estavam presentes na Sala Paulo VI, enquanto prosseguiu o ciclo de catequese dedicado à esperança cristã. Desta vez, o Papa narrou, durante a audiência geral, a história de Judite, a “grande heroína do povo” que na Bíblia volta a dar esperança aos habitantes de uma cidade da Judeia assediada pelo rei Nabucodonosor. Atua sem colocar condições ao Senhor: “confiar em Deus – disse – quer dizer entrar em seus desígnios, sem pretender nada” e, inclusive, aceitando que sua salvação e ajuda cheguem de uma maneira distinta de nossas expectativas”. Participaram da Audiência Geral, entre os peregrinos e fiéis, Arnold Schwarzenegger e a viúva, acompanhada de suas filhas, do juiz argentino Alberto Nisman.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 25-01-2016. A tradução é do Cepat.

“Entre as figuras de mulheres que o Antigo Testamento nos apresenta, destaca-se a de uma grande heroína do povo: Judite”, começou Francisco. “O exército de Nabucodonosor, de fato, sob a guia do geral Holofernes, sitiou uma cidade da Judeia, Betúlia, cortando as reservas de água e fragilizando assim a resistência da população”, recordou.

“A situação se torna dramática – continuou o Papa -, a ponto dos habitantes da cidade se dirigirem aos anciãos pedindo para se render diante dos inimigos. Suas palavras são desesperadoras: “Já não há ninguém que possa nos auxiliar, porque Deus nos colocou nas mãos dessa gente para que desfaleçamos de sede diante de seus olhos e sejamos totalmente destruídos”. Chegaram a dizer isto: “Deus nos abandonou. O desespero era grande para essa gente”. Mas, recordou Francisco, “quantas vezes nós chegamos a situações extremas onde não sentimos nem sequer a capacidade de ter confiança no Senhor. É uma feia tentação. E, paradoxalmente, parece que, para fugir da morte, não resta nada mais a não ser se entregar nas mãos de quem assassina. Eles sabem que estes soldados entraram para saquear a cidade, tomar as mulheres como escravas e depois matar todos os demais. Isto é justamente “o extremo”. E diante de tanto desespero, o chefe do povo tenta propor um motivo de esperança: resistir por mais cinco dias, esperando a intervenção salvífica de Deus. Mas é uma esperança frágil, que lhes faz concluir: “Se transcorridos estes dias, não nos chega nenhum auxílio, então agirei como vocês dizem”. Pobre homem: não tinha saída”.

Nesta situação aparece no cenário Judite. “Viúva, mulher de grande beleza e sabedoria, ela fala ao povo com a linguagem da fé. Corajosa, reprova abertamente ao povo dizendo: “Vocês colocam o Senhor todo-poderoso à prova. Não, irmãos, evitem provocar a ira do Senhor, nosso Deus. Porque se ele não quiser vir nos ajudar no término de cinco dias, tem poder para nos proteger quando quiser ou para nos destruir diante de nossos inimigos. [...]. Portanto, invoquemos sua ajuda, esperando pacientemente sua salvação, e ele nos escutará se essa é sua vontade”.

É a linguagem da esperança. Toquemos a porta do coração de Deus, Ele é Pai, Ele pode nos salvar. Esta mulher, viúva, arrisca ficar mal diante dos demais, mas é corajosa! Segue adiante! Esta é minha opinião: as mulheres são mais corajosas que os homens”, afirmou Bergoglio entre os aplausos dos fiéis.

Com a força de um profeta, aquela mulher convida sua gente a manter viva a esperança no Senhor, explicou o Santo Padre, e aquela esperança foi premiada: Deus salvou Betúlia pela mão de Judite.

O Papa concluiu afirmando: “Jamais coloquemos condições a Deus e deixemos, ao contrário, que a esperança vença nossos temores. Confiar em Deus quer dizer entrar em seus desígnios sem nenhuma pretensão, também aceitando que sua salvação e sua ajuda cheguem a nós de modos distintos a nossas expectativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, afetos, felicidade; e é justo fazer isto, mas com a consciência que Deus também sabe trazer vida da morte, que é possível experimentar a paz, também na enfermidade, e que pode haver serenidade também na solidão e também alegria no pranto. Não somos nós os que podem ensinar a Deus aquilo que deve fazer, sobre o que nós temos necessidade. Ele sabe disto melhor que nós, e devemos confiar, porque seus caminhos e seus pensamentos são distintos dos nossos”.

Neste sentido, o caminho que Judite nos aponta, explicou Francisco, “é o da confiança, da espera na paz, da oração e da obediência. É o caminho da esperança. Sem fáceis resignações, fazendo tudo o que está em nossas possibilidades, mas sempre permanecendo no sulco da vontade do Senhor”. E assim uma “mulher cheia de fé e de coragem devolve a força a seu povo em perigo mortal e o conduz sobre a via da esperança, indicando-o também a nós. E nós, se fazemos um pouco de memória, quantas vezes ouvimos palavras sábias, corajosas, de pessoas humildes, de mulheres humildes que se pensa que – sem desprezá-las – são ignorantes. São palavras da sabedoria de Deus. As palavras das avós. Quantas vezes as avós sabem dizer a palavra justa, a palavra de esperança, porque tem a experiência da vida, sofreram muito, confiaram em Deus e o Senhor lhes dá este dom de nos dar conselhos de esperança. E percorrendo esses caminhos, será alegria e luz pascal confiar no Senhor com as palavras de Jesus: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Entretanto, não seja feita a minha vontade, mas o que desejas”. E esta é a oração da sabedoria, da confiança e da esperança”.

Ao final da Audiência, o Papa recordou que hoje se celebra a festa da conversão de São Paulo. Nesta ocasião, Francisco celebra, hoje, às 17h30, as vésperas na Basílica de São Paulo Extramuros, concluindo também a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Entre as pessoas que saudaram o Papa ao final da audiência geral, estava o ex-governador do Estado da Califórnia e estrela de Hollywood, Arnold Schwarzenegger. Além disso, também esteve presente a esposa, Sandra Arroyo Salgano, com suas duas filhas, Iara e Kala, do juiz argentino Alberto Nisman, responsável pela investigação sobre o atentado de 1994 contra o centro judaico da capital argentina e seus vínculos internacionais, que foi encontrado sem vida em sua casa, de Buenos Aires, no dia 18 de janeiro de 2015.

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