Empresário preocupado com desigualdade é minoria, afirma Oded Grajew

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18 Janeiro 2017

Para diretor da Rede Nossa São Paulo e da Oxfam, crescimento da concentração de renda e da desigualdade social é um risco enorme para toda a humanidade, por acirrar conflitos.

A reportagem foi publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 17-01-2017.

O acesso desigual à educação é um dos fatores que explica a disparidade de renda no mundo e no Brasil, avalia o empresário Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa SP e presidente do conselho deliberativo da organização Oxfam no Brasil. Em entrevista a Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual, Grajew comentou o estudo divulgado pela ONG internacional nesta segunda-feira (16) que aponta o crescimento da desigualdade social e econômica no mundo.

De acordo com a Oxfam, oito homens possuem a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade. No Brasil, a realidade não é diferente. Os seis maiores bilionários concentram a mesma riqueza que mais de 50% da população, o equivalente a 100 milhões de pessoas.

Os problemas locais e globais decorrentes da concentração não são obras de uma autoridade divina, ironiza o empresário. “É um sistema de produção que se reflete nesse poder dos mais ricos nas políticas públicas”, observa ele. “A influência dos poderosos na formulação de políticas é muito grande, haja vista o que estamos vendo hoje no Brasil, o que faz com que essas políticas sejam cada vez mais orientadas para aumentar a concentração de riqueza.”

Grajew cita como efeito dessa influência o sistema tributário, em que mais ricos pagam muito menos impostos, proporcionalmente, dos que os que têm menos renda. Quem ganha até três salários mínimo, segundo o diretor da Oxfam, paga o correspondente a 30% de sua renda em impostos “invisíveis” que estão embutidos nos preços dos produtos, enquanto para quem acima de 30 salários mínimos esses impostos correspondem a apenas 10% de sua renda. “O sistema fiscal e tributário é perverso. E a política econômica de juros altos só favorece quem tem mais patrimônio e mais condições de obter uma fatia maior desses juros. E assim por diante. Se a gente não olhar para essas causas, a riqueza vai ser cada vez mais concentrada.”

Oded Grajew lamenta que apenas uma minoria dos empresários se preocupa com a necessidade de promoção da redução da desigualdade social no Brasil.

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