Cavaleiros de Malta se recusam a cooperar com a investigação papal sobre a Ordem

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12 Janeiro 2017

O líder dos Cavaleiros de Malta está se recusando a cooperar com uma investigação papal sobre a sua decisão de demitir um de seus principais líderes, alegando que o inquérito é "legalmente irrelevante" devido ao estatuto histórico especial da ordem como entidade soberana.

A informação é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 11-01-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O grupo também está alertando membros da prestigiada ordem leiga que, se optarem por participar da investigação, não podem fazer declarações que questionem a demissão.

Em uma carta postada no site oficial da ordem na terça-feira, a liderança afirma que a decisão do Grão-Mestre Matthew Festing de demitir o grão-chanceler Albrecht Boeselager foi "um ato interno por parte do governo da ordem".

Quanto à decisão do Papa Francisco de criar, em dezembro, uma comissão de cinco membros para investigar a demissão, a liderança afirma: "Considerando a irrelevância legal deste grupo e das suas conclusões relativas à estrutura jurídica da Ordem de Malta, a Ordem decidiu que não vai cooperar com ele".

A carta de terça-feira é o mais recente de uma série de eventos que irritaram a ordem, que é normalmente reservada e solene.
Boeselager foi convidado a renunciar no dia 6 de dezembro, logo após relatos de que uma instituição de caridade dos Cavaleiros sob sua liderança tinha distribuído preservativos em Myanmar. Há informações de que a solicitação de renúncia foi feita a Boeselager em uma reunião que contou com a presença do Cardeal dos EUA, Raymond Burke, patrono espiritual da ordem.

Em uma declaração pessoal distribuída aos membros da ordem no dia 23 de dezembro, Boeselager disse que se recusava a renunciar por não haver "nenhuma razão válida" para sua demissão. Ele disse que a decisão de distribuir preservativos foi tomada por líderes locais sem o seu conhecimento, no contexto de três projetos que estavam em andamento e eram destinados a prevenir o HIV/AIDS.

Dois dos projetos foram fechados imediatamente, disse ele. "Um fechamento imediato do terceiro projeto teria terminado de maneira abrupta com todos os serviços médicos básicos de uma região extremamente pobre de Myanmar. Portanto, esta questão foi submetida a uma comissão de ética...", continuou ele. "Posteriormente, o projeto foi fechado."

Somando-se à controvérsia, há relatos de que enquanto a ordem disse a seus membros que a demissão estava "de acordo com a vontade da Santa Sé", o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, havia entrado em contato com Festing esclarecendo que o Papa Francisco não queria que Boeselager fosse demitido.

"Essas medidas não podem ser atribuídas à vontade do Papa ou a suas diretrizes", escreveu Parolin em uma carta no dia 21 de dezembro, como relatado em primeira mão pelo The Tablet.

"Como declarei em minha carta de 12 de dezembro de 2016: ‘quanto ao uso e à difusão de métodos e meios contrários à lei moral, Sua Santidade pediu que o diálogo fosse uma forma de lidar e resolver eventuais problemas", prosseguiu o cardeal.

"Mas ele nunca falou em demissão!'"

Esta série de eventos levou Francisco a criar a nova comissão papal, em 22 de dezembro. A tarefa dos membros dessa comissão, liderada pelo Arcebispo Silvano Tomasi, é enviar um relatório sobre a questão de volta ao Vaticano "o quanto antes".

Tomasi, ex-observador permanente da Santa Sé no Escritório das Nações Unidas em Genebra, disse à ordem, em uma carta divulgada na segunda-feira, que o Vaticano tinha motivos para investigar a situação porque a demissão de Boeselager tinha ocorrido devido a uma suposta "não obediência" de sua parte, como membro de uma ordem religiosa.

"A questão não é a soberania da Ordem, mas a alegação razoável de procedimentos questionáveis e a falta de causa válida comprovada para a ação que se seguiu, conforme levantado pela parte interessada", escreveu Tomasi na carta, conforme noticiado pelo The Tablet.

A liderança da ordem respondeu na terça-feira, afirmando que eles são essencialmente reconhecidos pelo Vaticano não como uma ordem religiosa, mas como um Estado estrangeiro. Foi dito que no Anuário Pontifício do Vaticano, um livro de endereços anual que lista prelados e entidades católicas, eles constam não como uma ordem religiosa, mas como um Estado com uma embaixada junto à Santa Sé.

A liderança então adverte que caso membros individuais colaborem com a Comissão na investigação, eles não poderão se opor à decisão de seu líder.

"A posição do Grande Magistério é que os depoimentos que os membros individuais considerarem realizar para o Grupo não podem contradizer, em seus termos e julgamentos, direta ou indiretamente, a decisão do Grão-Mestre e do Soberano Conselho em relação à substituição do grão-chanceler", afirma a liderança.

A Soberana Ordem Militar dos Cavaleiros de Malta, como é formalmente conhecida, é uma ordem religiosa leiga que foi fundada no final do século XI para defender a fé e ajudar os pobres.

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