Papa: que os pastores digam a verdade, mas sejam compreensivos

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16 Dezembro 2016

Ajudar as pessoas a darem o primeiro passo em direção ao Senhor e, então, confiá-los a Deus, que se encarregará do restante. Essa é a tarefa dos pastores. Eles devem indicar a verdade precisamente, mas, depois, devem acolher as pessoas como puderem. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa da manhã de hoje, 15 de dezembro, na capela da Casa Santa Marta.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 15-12-2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Segundo a Rádio Vaticano, o centro da pregação foi a figura de João Batista. Todos buscavam-no e iam até ele, inclusive os fariseus e os doutores da lei, mas "com reservas", para julgá-lo, e não para serem batizados.

No Evangelho de hoje, Cristo pergunta à multidão o que ele tinha ido ver no deserto: "Uma cana agitada pelo vento? Um homem vestido com roupas finas?". O Papa revelou: não a uma pessoa com roupas finas, porque homens assim vivem no luxo, nos palácios do rei, e "alguns no episcopado".

Pelo contrário, foram ver um profeta. Além disso, "mais do que um profeta, (...) entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista", que é "o último dos profetas", porque depois dele está o Messias.

Batista é "o maior", "ele era um homem fiel ao que o Senhor lhe pediu", era “grande porque fiel".

Ele também pregava com "vigor: dizia coisas fortes aos fariseus, aos doutores da lei, aos sacerdotes. Não lhes dizia: Queridos, comportem-se! Não. Dizia-lhes simplesmente: ‘Raça de víboras’, simples assim. Não tinha meias palavras." O motivo para tanta veemência? "Eles se aproximavam para controlar e para ver, mas nunca com o coração aberto: Raça de víboras!". São João Batista arriscava-se, "mas era fiel". E "dizia a Herodes na cara: adúltero, isso não é lícito! Adúltero! Na cara!"

O Bispo de Roma acrescentou que é "garantido que se um pároco, hoje, na homilia dominical, dissesse -'Entre vocês há alguns que são víboras e há também adúlteros'-, certamente o bispo receberia cartas de espanto: 'Mande embora este pároco que está nos insultando', pois João Batista insultava". Por quê? Porque era fiel à sua vocação e à verdade."

Mas é preciso ter cuidado. O Papa observou que João Batista era compreensivo com as pessoas comuns. Ele dizia para os publicanos, pecadores públicos, porque exploravam o povo: “Não peçam mais do que o justo”. O Bispo de Roma salientou que João Batista "começou aos poucos. Logo veremos o que fazer. E os batizava. Primeiro, este passo. Depois se vê o que fazer.

São João pedia aos soldados e policiais para não ameaçar nem denunciar ninguém e para contentar-se com o seu salário. Isso significa "não entrar no mundo da corrupção”, disse o Papa. Esta é a explicação: "Quando um policial para alguém e faz o teste do bafômetro, tem algo por trás: 'Olha, não, mas...' 'Quanto?' Não, isso não!", exclamou o Papa. João batizava os pecadores, mas dava esse "mínimo passo adiante porque sabia que depois o Senhor faria o resto". Assim as pessoas se convertiam.

O Santo Batista, único profeta que teve a graça de indicar o Filho de Deus, era "um pastor que entendia a situação das pessoas e lhes ajudava a seguir em frente com o Senhor".

O Papa recordou que, apesar de João Batista ser forte e ter certeza de sua vocação (era um "gigante da fé"), ele "também teve momentos sombrios, pois tinha suas dúvidas". Na verdade, ele começa a duvidar na prisão, pois, embora tenha batizado a Jesus, "ele era um salvador, mas não como se imaginava". Ele, então, envia dois dos seus discípulos para perguntar-lhe se Jesus era "o verdadeiro Messias. E Jesus corrige a visão de João com uma resposta clara: pede para que contem a ele que “os cegos recuperaram a visão, os surdos recuperaram a audição e os mortos ressuscitaram”.

Francisco comentou que “Os grandes podem se dar ao luxo de duvidar, porque são grandes”. Os grandes podem se permitir duvidar, e isso é belo. Eles têm certeza da vocação, mas sempre que o Senhor lhes mostra uma nova estrada eles têm dúvidas. "Mas isso não é ortodoxo, isto é herético, este não é o Messias que eu esperava." O diabo faz este trabalho e alguns amigos também ajudam, certo?". A grandeza de João Batista é simplesmente esta: "ele é grandioso! O último daquele grupo de crentes que começou com Abraão, aquele que prega a conversão, que não usa meias palavras para condenar os orgulhosos, aquele que no fim da vida se permite duvidar. E este é um bom projeto de vida cristã."

O Pontífice resumiu sua homilia assim: dizer coisas com verdade e, então, acolher as pessoas com o que se consegue fazer. Valorizar os primeiros passos: “Peçamos a João Batista a graça da coragem apostólica, de não faltar com a verdade, do amor pastoral, do acolhimento às pessoas com o pouco que se pode dar, o primeiro passo. E Deus se encarregará do resto". E também "a graça da dúvida. Muitas vezes, talvez no final da vida, alguém pode se questionar: 'Mas tudo isso em que eu acreditei é verdade ou é apenas fantasia?', na tentação contra a fé, contra o Senhor. Que o grande João, invocou o Papa ao final, que é o menor no reino dos Céus, e por isso é grande, nos ajude neste caminho, seguindo os passos do Senhor."

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