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06 Dezembro 2016

"Enquanto este problema não for enfrentado e resolvido, até as suas últimas consequências, a Igreja continuará como está agora: deslocada, em alguns casos, e desorientada (sem saber o que fazer) em tantas ocasiões. Os incessantes confrontos (ou desacordos dissimulados) de tantos clérigos com o atual Papa são a prova mais explícita de que esta questão é fundamental e decisiva para a Igreja neste momento", escreve José María Castillo, teólogo espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 03-12-2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis o artigo.

Escrevo esta breve nota em 3 de dezembro, festa de São Francisco Xavier. Acabo de ler o Evangelho que corresponde à missa de hoje, o texto de Mateus 9:35-10:1. 6-8. Imediatamente me lembrei o que o Papa Francisco indicou, há alguns dias: uma das coisas que mais danificam a Igreja é o clericalismo.

O Evangelho afirma que Jesus, ao ver as pessoas pobres da Galileia, "sentia compaixão", porque lhe gerava pena. Pois aquelas pessoas andavam e viviam "como ovelhas sem pastor". Ao dizer isto, o Evangelho não culpa as pessoas. Culpa os "pastores" que, na linguagem dos profetas da Bíblia, eram os "sacerdotes".

Pois bem, ao chegar a este ponto, é inevitável recordar a ameaça impressionante que o profeta Ezequiel dirige (e segue dirigindo) aos sacerdotes, tanto daquele momento quanto os de agora: "Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos;" (Ezequiel 34, 8-7. 10).

Jesus não fundou o clero. Nem fundou sacerdócio algum. Isso não consta em nenhuma parte, em todo o Novo Testamento. E muito menos, para Jesus nem lhe ocorreu instituir um corpo ou companhia de "homens santos", uma espécie de funcionários da "santidade", que vivem disso, e assim saem do anonimato dos homens comuns para se tornarem uma "classe superior". Jesus não pensou em nada disso.

O que Jesus quis eram "discípulos", que o "seguissem", isto é, que vivessem como Jesus viveu. Dedicado a curar doenças, aliviar dores e sofrimentos, a acolher as pessoas mais erradas e perdidas. Assim nasceu o "movimento de Jesus". E assim se expandiu pelo império. Até que, progressivamente, a importância crescente do clero e suas cerimônias, seus templos, suas regras... deslocando o centro, do Evangelho para a Religião. Da compaixão por aqueles que sofrem a penitência e a submissão frente a religiosidade estabelecida.

E assim, paulatinamente e insensivelmente, o discipulado evangélico converteu-se em carreira, em dignidade, em poder sagrado, em classe e hierarquia, em clero, com o consequente perigo de ir derivando até chegar no clericalismo. Justamente o que o Papa Francisco lamentou recentemente. E aproveito a ocasião para insistir, uma vez mais, que os cânones da Sessão VII do Concílio de Trento, sobre os sacramentos, não são definições dogmáticas, vinculativas para a fé católica. Porque os Padres do Concílio não chegaram a concordar sobre se o que condenavam ou proibiam eram "erros" ou "heresias" (cf. DH 1600).

Nos queixamos das falhas do clero, dos abusos de tantos clérigos, dos privilégios que a Igreja lhes concede, da falta de exemplaridade de tantos padres.... Tudo isto pode ser discutido. Tudo isso deve ser clarificado e ajustado à realidade, para não difamar todas as pessoas boas que, a partir de sua vocação religiosa, trabalham para os outros. Isto é verdade. E deve ser levado muito em conta. No entanto, mais importante e mais premente que tudo o que disse, é o fato de que, paulatinamente, gradualmente, o deslocamento do "discipulado evangélico" para o "clero eclesiástico" foi - e continua sendo - a causa raiz da decomposição do projeto original de Jesus. O Evangelho perdeu às custas do poder que foi alcançado e continua a ser exercido pelo Clero e, o que é pior, pelo clericalismo.

Enquanto este problema não for enfrentado e resolvido, até as suas últimas consequências, a Igreja continuará como está agora: deslocada, em alguns casos, e desorientada (sem saber o que fazer) em tantas ocasiões. Os incessantes confrontos (ou desacordos dissimulados) de tantos clérigos com o atual Papa são a prova mais explícita de que esta questão é fundamental e decisiva para a Igreja neste momento.

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