A liderança ecumênica do Papa Francisco: três motivos de gratidão, segundo o secretário da Federação Luterana Mundial

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28 Novembro 2016

Três motivos para ser gratos à Igreja Católica e ao Papa Francisco pela sua “liderança ecumênica”: eles são indicados pelo chileno Martin Junge, desde 2010 secretário da Federação Luterana Mundial (FLM), primeiro latino-americano a ocupar tal cargo, que volta a abordar a importância e as perspectivas que surgem das celebrações comuns do quinto centenário da Reforma protestante.

A reportagem é de Fabrizio Contessa, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 27-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em uma entrevista à revista Il Regno, Junge lê a recente participação do pontífice no evento de Lund como mais um “sinal de esperança” e um “encorajamento a continuar” no caminho comum empreendido desde o Vaticano II. Mas não só.

O secretário da FLM expressou “grande respeito pela liderança do Papa Francisco”. Assegurando, de fato, que reconhece “verdadeiramente” essa liderança, Junge explica que, nesses anos, o pontífice pôde se encontrar com diversos líderes de outras confissões e religiões “abrindo diálogos e estabelecendo boas relações. Nós reconhecemos isso e somos gratos por isso”.

Em essência, acrescenta, “o Papa Francisco está dando continuidade a um processo que diversos dos seus antecessores levaram em frente”. Assim, no caso de os luteranos, “ele está seguindo o percurso iniciado pela Declaração de Augsburgo, em 1999, com João Paulo II, e que continuou com o relatório Do conflito à comunhão, de 2013, elaborado no pontificado de Bento XVI. Para mim, é muito importante reconhecer, ao mesmo tempo, a liderança do Papa Francisco e o fato de ele se pôr em continuidade com os seus antecessores”.

Ao lado disso, o expoente luterano reconhece o papel determinante desempenhado pelo pontífice em outras duas questões de grande atualidade: o acolhimento dos migrantes e a defesa do ambiente. No primeiro caso, “somos muito gratos ao Papa Francisco pelo seu papel de guia na questão dos refugiados no mundo. Ele deu tanto aos líderes quanto às pessoas comuns mensagens claras, que também puderam ser captadas por aqueles que estão fora das Igrejas. É uma voz muito importante”.

Na segunda, Junge recorda ter podido constatar pessoalmente, durante os trabalhos da Conferência das Partes de Paris (COP21), “o impacto da Laudato si’ na mentalidade e na estruturação de todo o processo de negociação. O seu apelo urgente aos líderes mundiais a levar a sério o problema foi um dos fatores que contribuíram para o sucesso da negociação da COP21”.

Em suma, é a conclusão, “somos gratos pela liderança do Papa Francisco, sentimos grande respeito por aquilo que ele está fazendo e nos damos conta de que compartilhamos muitas das suas preocupações e prioridades”.

É a partir das celebrações do aniversário da Reforma e, em particular, do evento de Lund que também se inspira o cardeal Walter Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O purpurado, que há poucos dias participou em Trento de um congresso sobre o tema “Católicos e protestantes a 500 anos da Reforma”, promovido pela Conferência Episcopal Italiana, em colaboração com a Federação das Igrejas Evangélicas na Itália, recorda o “carisma particular” do papa e evidencia as “novas perspectivas” das relações ecumênicas.

Em uma entrevista à agência evangélica Nev.it, Kasper observa que “a visita do Papa Francisco a Lund e o seu encontro com os expoentes da FLM é emblemático de uma situação que mudou totalmente”. De fato, “passamos da cacofonia polêmica que acompanhou por muito tempo as nossas relações recíprocas não digo a uma plena sintonia, mas, certamente, a uma aproximação enorme”.

A mensagem é que “hoje, no ecumenismo, não podemos voltar atrás, mas só seguir em frente. Devemos olhar com mais confiança para as coisas que nos unem, que também são os fundamentos da fé em Deus, um dado nada descontado nas sociedades em que vivemos hoje”.

Um diálogo que a Igreja Católica, assegura o purpurado, busca em 360 graus, tanto com os ortodoxos, às vezes considerados mais próximos, quanto com os protestantes. “Ambos os diálogos são importantes e ambos devem ser seguidos. Eu não diria que a Igreja Católica privilegie o diálogo com os ortodoxos. Pode-se dizer que os diálogos com a ortodoxia e com o protestantismo são diferentes, que também podem se completar um ao outro. Ninguém tem a precedência. Em vez disso, entramos em diálogo com qualquer um que se mostre aberto e interessado nele. Além disso, estou convencido de que o protestantismo também pode se beneficiar com o encontro com as Igrejas ortodoxas.”

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