Ecumenismo: recomeçar a partir de Trento. Artigo de Luca Maria Negro

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26 Novembro 2016

O pastor batista Luca Maria Negro, presidente da Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI), faz uma síntese do recente congresso realizado em Trento, Itália, reunindo católicos e protestantes, intitulado “Católicos e protestantes a 500 anos da Reforma. Um olhar comum sobre o hoje e sobre o amanhã”.

O artigo foi publicado pela agência Notizie Evangeliche (NEV), 23-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Católicos e protestantes a 500 anos da Reforma. Um olhar comum sobre o hoje e sobre o amanhã”: mais de 300 pessoas, em sua maioria “delegados diocesanos” para o ecumenismo, participaram do congresso promovido em Trento pela Conferência Episcopal Italiana (CEI), em colaboração com a Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI).

Foram três dias muito intensos e muito autênticos. Pessoalmente, estou engajado no movimento ecumênico há mais de 30 anos, e há muito tempo não me acontecia de participar de um encontro tão encorajador. Voltando com a memória, eu diria que vivi a última experiência semelhante há exatamente 15 anos, em Estrasburgo, durante a semana da Páscoa de 2001, no encontro que lançou a Charta Oecumenica: diretrizes para o crescimento da colaboração entre as Igrejas na Europa”.

Obviamente, tratou-se de dois encontros muito diferentes entre si – o de Estrasburgo era um encontro ecumênico europeu; o de Trento, um congresso nacional promovido pela CEI em colaboração com os evangélicos.

No entanto, reencontrei em Trento ao menos dois elementos da Charta Oecumenica: a vontade de realmente se comprometer a levar em frente a colaboração entre as Igrejas (o refrão da Charta é: “Comprometemo-nos”) e um justo equilíbrio entre diálogo no plano teológico e testemunho comum na sociedade, entre ecumenismo “espiritual” e compromisso com a justiça, a paz e a salvaguarda da criação.

É equivocado, de fato, contrapor as diversas “almas” que contribuíram para o nascimento do ecumenismo: a alma teológica (o movimento “Fé e Constituição”), a “prática” (o movimento “Vida e Ação”), assim como a missionária (não por acaso, um dos temas abordados em Trento foi exatamente o da evangelização comum).

O “Lá” bíblico do congresso foi dado – significativamente – por duas teólogas, a católica Marinella Perroni e a evangélica batista Anna Maffei, que nos falaram daquele amor de Cristo nos constrange, nos impulsa, nos possui (2Coríntios 5).

Concluindo o seu discurso, a pastora Maffei nos recordou que, ao fazer memória dos 500 anos da Reforma, devemos estar conscientes de que somos todos mendicantes necessitados de perdão, de acolhida, de repouso. “Precisamos ouvir novamente que Cristo nos ama”; assim “o amor de Cristo se apossa de nós novamente, e nós nos deixamos conduzir pela mão, sorrindo”.

E esse sorriso nos acompanhou durante o congresso, embora não tenha nos impedido de nos falarmos com grande franqueza, sem esconder aquilo que ainda nos divide e aquilo que não está bem no nosso modo de fazer ecumenismo.

Na conclusão dos trabalhos, tanto da parte católica quanto da parte evangélica, foi reiterada a intenção de dar continuidade ao trabalho ecumênico na Itália, criando finalmente um órgão ecumênico nacional: ainda não será um verdadeiro “conselho nacional de Igrejas”, como aqueles que existem há décadas em quase todos os países europeus, mas, por enquanto, uma mais singela “consulta ecumênica”, da qual participam católicos, ortodoxos e protestantes.

Depois do encerramento do congresso, no dia 19 de novembro, a Assembleia da FCEI, reunida em Roma para a sua terceira sessão, se alegrou com a “participação da FCEI, junto com as Igrejas-membro, dos congressos organizados pela IEC para refletir sobre os 500 anos da Reforma” (o plural se refere ao congresso já previsto para 2017) e desejou “que o caminho comum continua também através da criação de um instrumento de consulta ecumênica em nível nacional”.

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