O "papa laico" nos antípodas dos yankees que prega a pobreza

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10 Novembro 2016

José "Pepe" Muijca: "Quando você compra algo, você não faz isso com dinheiro, mas com o tempo de vida que você teve que usar para ganhar esse dinheiro. Mas a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se consome. É coisa de miserável consumir a vida para perder a liberdade".

A reportagem é de Gianluca Palma, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 08-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Jornalistas de todas as partes vêm me procurar. Parece que eu tenho um ímã que atrai a atenção, porque eu falo daquilo que eu sou e vivo como eu quero. É incrível que isso pareça estranho. Eu não sou pobre. Pobres são aqueles que buscam o dinheiro, porque vivem como prisioneiros."

Embora tenha sido o chefe do Estado de um dos menores países da América Latina, o Uruguai, cargo detido apenas por cinco anos, como previsto por esse sistema presidencial, José "Pepe" Muijca é conhecido ou, melhor, fez-se conhecer em todo o mundo como o presidente da "sobriedade", anticapitalista e acérrimo defensor dos direitos sociais, em nítida contraposição à outra América, que escolheu o seu novo presidente.

"Una oveja negra al poder", uma ovelha negra no poder, como ele foi definido por Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz, jornalistas da revista uruguaia Búsqueda, no livro publicado na Itália pela editora Lumi e que, nestes dias, estão apresentando, com o seu protagonista, em uma turnê pela Itália.

A primeira parada foi em Roma, onde Muijca, o "papa laico", encontrou-se com o Papa Francisco, seu "amigo político", como ele mesmo afirmou, com o qual compartilha muitas ideias contra o mercado globalizado que privilegia os interesses financeiros em vez dos interesses do indivíduo e contra a exploração do ambiente.

Combatente tupamaro contra a ditadura militar e detido durante 14 anos, "el Pepe" nunca deixou de lutar pelos pobres do seu país. Eleito senador com a Frente Ampla, assim que se tornou presidente da República, recusou-se a morar na residência presidencial, permanecendo no seu chalé em Rincón del Cerro, na zona rural de Montevidéu, e devolveu 90% do seu salário para os pobres. Além disso, promulgou leis simbólicos como a descriminalização do aborto, a regulamentação do casamento gay e da produção e venda de maconha, para combater os cartéis do tráfico de drogas. Na política externa, ele lutou por um reforço da área do Mercosul, fechando-se à hipótese de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.

Como disse Antonello Caporale, seria importante ao mundo um presidente como ele. "Infelizmente, só o Uruguai teve essa sorte."

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