Diretor de filme sobre líder nazista: Nada melhor do que rir de Hitler

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04 Novembro 2016

A cena é um ícone da internet: reunido com assessores, Hitler recebe más notícias. Furioso, expulsa alguns deles da sala e dá uma bronca homérica nos poucos que restaram. As imagens são do filme "A Queda" (2004), sobre os últimos dias do líder nazista, mas já renderam tantas paródias e sátiras em vídeos humorísticos do YouTube que muitos nem conhecem a fonte original.

O comentário é de Bruno Ghetti, publicado por portal Uol, 02-11-2016.

"Sempre me perguntam sobre isso", diz, aos risos, o alemão Oliver Hirschbiegel, diretor de "A Queda". O cineasta volta a falar de Adolf Hitler em seu novo filme, "13 Minutos", que estreia nesta semana no Brasil, mas sabe que dificilmente dará uma entrevista sem que lhe peçam para comentar a cena que criou há 12 anos - e que ganhou vida própria.

"As pessoas sempre me enviam links com novas paródias. Tudo começou, eu acho, com um filme sobre um piloto automático feito por uma empresa aérea. Hitler era o piloto, que gritava com os demais. Ou foi o contrário: quem gritava era o criador da tecnologia automática, e os outros apenas ouviam, cabisbaixos. Mas, desde então, a coisa viralizou, e centenas de outros foram feitos", conta o cineasta, que não se incomoda em ser, talvez, mais lembrado pelo meme do que pelo filme em si.

"Muitos vídeos são realmente engraçados. E, cá entre nós, existe algo melhor do que as pessoas rirem de Hitler? Uma das primeiras coisas que aprendemos dos judeus é usar o humor como uma arma e uma defesa ao mesmo tempo, como um remédio", diz.

História verídica

A carreira de Hirschbiegel vai muito além do Hitler viralizado. Desde o sucesso de "A Queda", indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2005, o diretor ganhou reputação e foi chamado para filmar em grandes estúdios. Após o fracasso da última experiência (a cinebiografia "Diana", sobre Lady Di), decidiu voltar à Alemanha para um novo filme.

"13 Minutos" marca não só seu retorno ao país natal como também ao tema do nazismo, mas desta vez Hitler é mero coadjuvante. O foco, agora, é sobre o autor de um atentado contra o führer, ocorrido em 1939. Arquitetado por Georg Elser, um sujeito comum que planejou tudo sozinho, o ato por muito pouco (mais precisamente por 13 minutos) não matou Hitler e a alta cúpula nazista.

"Eu nem pretendia voltar a esse mesmo período histórico, mas foi irresistível. Esse rapaz sempre me fascinou", diz o diretor, ressaltando que a história de Elser é pouco conhecida até mesmo na Alemanha. "Foi um embaraço para a sociedade alemã, para a elite do país. Um rapaz da classe operária, de uma cidadezinha no sul da Alemanha, ter sido o único, ainda em 1938, capaz de perceber a catástrofe para a humanidade que estava prestes a acontecer. Ele sabia que alguma coisa precisava ser feita. Então, sozinho, com as próprias mãos, ele faz uma bomba --muitíssimo bem feita, por sinal-- e consegue deixar no local certo e ativá-la".

O filme já começa mostrando o atentado, ocorrido em uma cervejaria em Munique, onde Hitler fazia um discurso, em novembro de 1939. O führer e seus assessores saíram do local pouco antes da explosão, que deixou oito mortos e 57 feridos. Após largar ali a bomba caseira que havia confeccionado, Elser tenta fugir para a Suíça, mas é detido na fronteira. Em flashback, vê-se como aquele sujeito percebeu bem antes do que muitos compatriotas os caminhos perigosos que o regime político do país estava trilhando.

"Na época, a população em massa celebrava o orgulho de ser alemão: a economia crescia muito, a Alemanha tinha um dos melhores e mais eficientes exércitos do mundo. Não era tão fácil perceber que aquilo acabaria se tornando o que de pior já se viu na história da humanidade", diz o cineasta.

Hirschbiegel diz estar certo de que, se Hitler tivesse morrido no atentado, o Holocausto jamais teria acontecido. "Não havia a menor possibilidade de alguém substituir Hitler. É preciso compreender uma coisa: na época, não havia um só líder político na Europa que tivesse o poder, a energia e o carisma que ele tinha. E além disso, se a bomba de Elser o tivesse matado, teria assassinado também todos os homens importantes ao seu redor, que era a alta esfera do governo nazista".

O cineasta conta que, mesmo hoje, o passado nazista ainda é uma lembrança incômoda, não totalmente superada pelo povo alemão. "Os jovens alemães já não querem mais lidar com essa questão. Mas, claro, sempre seremos responsáveis pela pior catástrofe da história da humanidade. É algo que virou genético, simplesmente não se pode escapar dessa herança", diz. "É parecido com a história de alguém que nasce em uma família mafiosa. A pessoa não pode apenas dizer: 'Foi o meu tio! Não tenho nada a ver com isso'", compara.

"Não somos um país que nega esse passado, mas a verdade é que também não tínhamos outra opção. A única solução foi encará-lo e trabalhar essa questão, tentar superá-la, evitar que [o nazismo] volte. Mas nunca vai passar. Vamos ser para a eternidade o povo responsável por tudo isso. Faço filmes sobre isso, olho por trás das interrogações. Há muito o que aprender com isso", diz.

O filme traz algumas cenas violentas, que incluem torturas físicas. Hirschbiegel diz que é delicado abordar por meio de imagens as atrocidades nazistas. "A responsabilidade é do diretor quando se fala em qualquer tipo de representação de violência. Mas preciso mostrar o que a Gestapo fazia. Tenho que dar uma visão clara sobre como era", explica o diretor.

"Especialmente hoje é importante mostrar o que é ser torturado: é dolorido, é degradante, é bestial. Porque hoje em dia existe uma noção de que, em certas situações, a tortura é aceitável. Fui criado a pensar que a tortura era intolerável, assim como o estupro, o assassinato e qualquer humilhação física. Mas hoje em dia me vejo em um mundo em que é ok, por exemplo, tratar um terrorista dessa maneira [com tortura]. E o pior: ninguém diz nada contra isso."

O filme foi apresentado fora de competição no Festival de Berlim de 2015 e foi bem recebido, embora sem muito entusiasmo. Ainda assim, a aprovação foi bem maior que o longa anterior, "Diana". "O mais engraçado é que, depois de 'Diana', parece que fui redescoberto em meu próprio país. Ficam me convidando para novos projetos. Não sei por quê", conta. "Os ingleses detestaram o filme, como todos sabem. Mas é um belo trabalho, acho que eles apenas não queriam ver aquela história sobre a princesa Diana. Na realidade acho que não queriam ver é história alguma sobre ela".

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