Colômbia prorroga o cessar-fogo com as Farc até o fim de 2016

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Por: João Flores da Cunha | 15 Outubro 2016

BOGOTÁ: O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou no dia 13-10 que o cessar-fogo com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia – FARC foi prorrogado até o final de 2016 – terá validade até 31-12. “Que fique claro que isso não é um ultimato, nem uma data-limite. Espero que todo o processo para que se tenha um novo acordo termine muito antes [dessa data]”, afirmou Santos no discurso televisado em que fez o anúncio.

O cessar-fogo bilateral havia sido acordado em junho deste ano, e estava em vigor desde agosto, mas seu valor legal foi anulado com a rejeição dos colombianos ao acordo de paz assinado entre a guerrilha e o governo. Esta já é a segunda vez que ele é prorrogado: após a vitória do não no plebiscito do dia 2-10 sobre o acordo de paz, Santos o havia estendido até 31-10.

O resultado do plebiscito deixou o processo de paz colombiano em uma zona cinzenta, em que predominam as indefinições. O líder das Farc, Rodrigo Londoño, o Timochenko, vem defendendo que o acordo pode ser implementado, mesmo com a derrota nas urnas, mas essa posição é rechaçada pelas outras partes envolvidas. Um eventual novo acordo certamente irá conter menos concessões à guerrilha do que o que foi rejeitado pela população do país.

Já na semana seguinte à votação, o governo e as Farc iniciaram conversas sobre o que ocorreria com os membros da guerrilha, uma vez que o cronograma previsto no acordo deixou de ser válido. As forças das Farc permaneceriam concentradas em 23 zonas temporárias, até que se completasse o desarmamento da guerrilha.

A missão da Organização das Nações Unidas – ONU presente no país, que deveria cumprir a função de observador do desarmamento, pediu autorização ao Conselho de Segurança da ONU para permanecer na Colômbia. No momento, a única parte do acordo a ser verificada pela missão é o cessar-fogo.

Uribe, “o homem que bloqueia a paz”

Em editorial do dia 14-10, o jornal estadunidense New York Times criticou o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), a quem tratou como “o homem que está bloqueando a paz na Colômbia”. Contrário ao acordo de paz, Uribe fez campanha pelo não no plebiscito. Após sair vitorioso, ele apresentou suas exigências para aceitar um novo acordo, que incluem penas mais severas para os guerrilheiros envolvidos em delitos lesa-humanidade.

Foi no governo de Uribe, com Santos como ministro da Defesa, que o Estado colombiano intensificou seus ataques às Farc, que acabaram muito enfraquecidas – o que, em certa medida, possibilitou que as duas partes negociassem uma saída pacífica para o conflito. Antigos aliados, os políticos romperam ainda no primeiro mandato de Santos, em parte por conta das negociações com a guerrilha.

Após o plebiscito, Santos se viu obrigado a incluir o ex-presidente nos diálogos pela paz, e ele se reuniu com Uribe pela primeira vez em anos. No entanto, se o resultado do plebiscito fortaleceu a posição de Uribe, o Nobel da Paz conferido a Santos no último dia 7-10, por outro lado, deu novo fôlego à sua liderança no processo.

Desde a derrota no plebiscito, Santos vem se reunindo com diferentes atores do processo de paz, inclusive com vítimas do conflito. O governo tem tratado essas conversas como um “diálogo nacional para a união e a reconciliação”. O processo contou com o apoio da comunidade internacional desde o seu início. Esse apoio foi ratificado na última semana, com os encontros de Santos com os secretários-gerais da Organização dos Estados Americanos – OEA e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE.

Desde a vitória do não no plebiscito, vêm ocorrendo no país marchas em favor da paz, e um acampamento pela paz foi instalado em Bogotá. Essas manifestações encontram eco nos meios de comunicação do país, que, em sua maioria, são favoráveis ao acordo. “Não podemos perder essa oportunidade, e não vamos perdê-la”, afirmou o presidente Santos em seu discurso do dia 14-10.

Além das Farc, o governo também tem o desafio de entrar em um acordo com o Exército de Libertação Nacional – ELN, a segunda maior guerrilha do país. A organização está atuando para libertar reféns, como uma forma de manifestar vontade política para as negociações. O diálogo oficial irá ocorrer em Quito, no Equador, a partir de 27-10.

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