São João XXIII, festa sob o sinal do Concílio

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12 Outubro 2016

No dia 11 de outubro de 1962, Roncalli abria a cúpula ecumênica e proferia o célebre "Discurso da Lua". Por isso, o Papa Francisco escolheu essa data para a festa litúrgica, ligando a memória do "papa bom" àquele evento profético que abriu a Igreja ao abraço com a modernidade.

A reportagem é publicada por da revista Famiglia Cristiana, 11-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

São João XXIII morreu no dia 3 de junho de 1963. Mas a Igreja o festeja não nessa data, a do dies natalis, o dia do "nascimento ao céu", mas no dia 11 de outubro. Assim quis o Papa Francisco, inscrevendo-o no rol dos santos do Calendário Romano depois da canonização do dia 27 de abril de 2014.

No dia 11 de outubro de 1962, o Papa Roncalli abria o Concílio Vaticano II e, na noite daquele dia, assomando-se à janela do seu escritório, proferiu as palavras que comoveram gerações inteiras de pessoas, não apenas de cristãos: "Voltando para casa, vocês vão encontrar as crianças. Façam uma carícias nos seus filhos e digam: esta é a carícia do papa. Vocês vão encontrar algumas lágrimas para enxugar. Digam uma palavra boa: o papa está conosco, especialmente na hora da tristeza e da amargura". Era o célebre "Discurso da Lua" que Roncalli proferiu de improviso, enquanto o clarão da lua iluminava a multidão reunida na Praça de São Pedro.

"A Igreja usa o remédio da misericórdia em vez das armas do rigor"

No Ofício das Leituras para a festa litúrgica de São João XXIII, foi inserido, não por acaso, o discurso com o qual Roncalli abriu o Concílio: "Quanto ao tempo presente", disse, "a Esposa de Cristo prefere usar o remédio da misericórdia em vez de abraçar as armas do rigor; ela pensa que se deve ir ao encontro das necessidades atuais, expondo mais claramente o valor do seu ensino, em vez de condená-lo".

Depois, acrescentou: "A Igreja Católica, enquanto, com este Concílio Ecumênico, levanta a tocha da verdade católica, quer se mostrar mãe amorosíssima de todos, benigna, paciente, movida por misericórdia e bondade rumo aos filhos dela separados. À humanidade conturbada por tantas dificuldades, ela diz, como Pedro já disse àquele pobre que lhe pedira esmolas: ‘Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, caminha’".

A biografia: de Veneza ao sólio de Pedro

Ele nascera em Sotto il Monte, pequeno vilarejo de Bérgamo, no dia 25 de novembro de 1881, filho de pobres meeiros que o batizaram no mesmo dia do seu nascimento, na igreja local de Santa Maria; a mesma onde, tendo-se tornado padre, celebrou a sua primeira missa, no dia 15 de agosto de 1905, festa da Assunção.

Angelino era muito inteligente e terminou as escolas rapidamente, tanto que, no seminário, era o mais jovem da sua classe. Aos 19 anos, tinha completado os cursos, mas, pela lei eclesiástica, não podia ser ordenado sacerdote antes dos 24 anos. Por isso, foi enviado para Roma para se formar na Gregoriana.

Tendo-se tornado padre, permaneceu por 15 anos em Bérgamo, como secretário do bispo e professor no seminário. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, foi chamado às armas como capelão militar.

Em 1921, Roncalli estava em Roma e, posteriormente, foi enviado para a Bulgária e para a Turquia como visitador apostólico: assim iniciava a sua carreira diplomática. Nomeado núncio em Paris em 1944, tornou-se patriarca de Veneza em 1953.

Uma existência bastante apartada, sem fatos surpreendentes, até a sua eleição ao sólio de Pedro. Ele tinha, então, 77 anos e já tinha feito seu testamento. Pretendia ser sepultado em Veneza e tinha mandado construir o seu túmulo, na cripta de São Marcos. Era natural que considerasse já iminente a sua licença do mundo.

No ano anterior, em 1957, tinha escrito no seu diário: "Ó Senhor, estamos de noite. Ano 76 em curso. Grande dom do Pai celeste da vida. Três quartos dos meus contemporâneos passaram para a outra vida. Portanto, eu também devo me manter preparado para o grande momento...".

Mas os caminhos do Senhor muitas vezes são imprevisíveis. No dia 28 de outubro de 1958, o então cardeal e patriarca de Veneza subiu ao sólio pontifício, como sucessor de Pio XII, e muitos ficaram surpresos. Um velho iria reger a Igreja? Os jornais logo exageraram sobre o fato de vir de uma família de camponeses. "O papa agricultor", começaram a chamá-lo.

Mas Roncalli tinha bem clara a sua missão a realizar. "Vocabor Johannes..." "Vou me chamar João", afirmou, assim que eleito. Era o primeiro ponto firme do seu pontificado. Um nome que já era todo um programa. E não se desmentiu. Em 1959, apenas um ano depois da sua eleição, "tremendo um pouco de comoção, mas, ao mesmo tempo, com humilde resolução de propósito", como ele disse aos cardeais reunidos, anunciou o Concílio Vaticano II. Um evento epocal, destinado a mudar o rosto da Igreja, a marcar um claro divisor de águas na história da cristandade.

O milagre da freira que o levou aos altares

O milagre, a cura "clinicamente inexplicável" de uma freira doente de câncer, graças à qual ele foi elevado à glória dos altares, também se realizou em nome de Maria. A Ir. Caterina Capitani, das Filhas da Caridade, estava sofrendo de um tumor no estômago que a tinha reduzido quase à morte. O Papa João XXIII tinha morrido há apenas três anos, e a pequena freira, com as irmãs, havia rezado por um longo tempo, com grande insistência e confiança.

Naquele dia, 25 de maio de 1966, o "papa bom" lhe apareceu e lhe disse para não ter medo, porque seria curada, acrescentando: "Vocês arrancaram do meu coração esse milagre". Antes de desaparecer, porém, ele lhe fez uma grande recomendação: de rezar sempre o rosário. Era a sua obsessão durante a vida.

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