Prêmio Nobel da Paz para Santos. Impulso para o processo de paz na Colômbia

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09 Outubro 2016

Os especialistas concordam em que representa um apoio para Juan Manuel Santos e uma contribuição da comunidade internacional para fomentar a negociação. No entanto, alguns advertem que deveria ter sido entregue também às FARC.

A reportagem é de Florença Garibaldi e publicada por Página/12, 08-10-2016. A tradução é de André Langer.

O processo de paz na Colômbia recebeu, na última sexta-feira, um impulso com o prêmio Nobel da Paz concedido ao presidente Juan Manuel Santos, segundo analistas consultados por este jornal. Eles concordam em que representa, além disso, um apoio da comunidade internacional para fomentar a negociação. No entanto, alguns acreditam que deveria ter sido entregue também às FARC.

“Hoje, o Nobel concedido a Santos é, talvez, a melhor forma que a comunidade internacional encontrou para dizer à Colômbia que tem que seguir em frente com o processo de paz. Não há outro caminho”, assegura ao Página/12 o professor da Universidade Di Tella, Juan Gabriel Tokatlian. Mas admite que existe um dilema, pelo fato de que parte da sociedade, embora seja uma pequena parcela, não quer ouvir, nem entender isso. E considera que a reabertura do que já foi pactuado será a morte do acordo. “Santos tem, hoje, uma nova oportunidade para revitalizar o propósito da paz. Mas, sua janela de oportunidades é curta. A combinação do apoio persistente da comunidade internacional e da ativa mobilização pró-paz no país são essenciais, pois alguns, nem todos, os promotores do “Não” pretendem expandir e explodir o processo em andamento”, acrescenta o sociólogo.

De acordo com o Comitê Norueguês do Nobel, decidiu-se premiar com o Nobel da Paz de 2016 o presidente Santos “por seus decididos esforços para acabar, na Colômbia, uma guerra civil que já dura mais de 50 anos”. Uma guerra que custou a vida de pelo menos 220 mil colombianos e deslocou cerca de seis milhões de pessoas. Para o Comitê, o prêmio deve ser entendido “como um tributo ao povo colombiano, que apesar das grandes dificuldades e abusos, não se deu por vencido em encontrar uma paz justa e também para todos os partidos políticos que contribuíram para o processo de paz”. O Comitê, por sua vez, confirmou que é um prêmio para todas as vítimas dessa guerra civil.

Para Gabriel Puricelli, coordenador do Programa de Política Internacional do Laboratório de Políticas Públicas, o fato de Santos ter recebido o prêmio não é uma surpresa, uma vez que é o líder que nos últimos tempos deu passos consistentes na direção da paz para pôr um fim a um processo de tão longo prazo. “O Comitê Nobel toma novamente a decisão de reconhecer e de influir. O prêmio foi dado a uma pessoa com mérito, com o detalhe de que acabava de sofrer uma derrota no plebiscito. Então, constitui um apoio para a consolidação do processo de paz”, afirma a este jornal.

Santos não é o primeiro Nobel a quem se reconhece uma atividade concreta em favor da paz apesar de ter tido protagonismo no conflito anterior, acrescenta Puricelli. “Inscreve-se em uma tradição. O Comitê premia esforços concretos em prol da paz independentemente da trajetória dessa pessoa”, conclui o cientista político.

Nesta linha, o professor da Faculdade de Ciências Sociais da UBA, Mario Toer, remarcou que da parte do presidente colombiano e das pessoas que participaram do processo de negociação durante quatro anos, houve um grande empenho e um acompanhamento nos diferentes compassos que o processo apresentou. “Santos distanciou-se dos interesses que historicamente representou, sem ignorar que quem ganha com a paz são muitos e que também outros fazem negócio. Santos e sua equipe fizeram um esforço continuado. Merecimentos existem”, disse a esta jornalista. No entanto, faz uma chamada de atenção: “Houve um excesso de confiança e subestimou-se o que o ex-presidente Álvaro Uribe plantou na opinião pública. Vão ter que romper, pelo lado da paz, com uma postura implantada em boa parte da opinião pública colombiana”.

Nas análises sobre a concessão do prêmio, existem também as posturas que consideram que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) também mereciam receber o Prêmio Nobel da Paz junto com Santos. A ex-refém da guerrilha Ingrid Betancourt foi uma das vozes que assegurou que, apesar de ser duro para ela, os seus sequestradores mereciam ter recebido o prêmio. “Estou muito, muito, muito feliz. Este reconhecimento dá um impulso extraordinário, cimenta a paz na Colômbia, afoga e diminui as vozes daqueles que queriam ver o processo sendo abortado. Com o prêmio concedido a Santos estão reconhecendo essa extraordinária transformação das FARC, de passar de um grupo terrorista vinculado às drogas a um grupo de seres humanos convencidos de que podem contribuir para a paz”, disse.

Também para o historiador Leandro Morgenfeld o prêmio devia ter sido entregue não apenas ao presidente, mas também aos mediadores e às FARC. “É problemático que seja dado apenas a uma parte. O verdadeiro impulso era que fosse dado a todos. Exatamente no momento de maior responsabilidade de Santos, o prêmio é paradoxal. O prêmio é anunciado justamente quando recebe Uribe e fazem pressão sobre as FARC para que façam mais concessões”, disse ao Página/12. Embora, por outro lado, acredita que o Comitê está dando um apoio ao processo de paz em um momento crítico em que o conflito pode se retomado.

“As FARC também o merecem”, concorda o cientista político Emir Sader. O especialista faz uma relação com a entrega do prêmio para outras negociações, em que as duas partes foram contempladas. “Quando o Prêmio Nobel da Paz foi concedido para as negociações de paz no Vietnã e no Oriente Médio, as duas partes foram contempladas”, assinalou. “As FARC também mereciam receber o Prêmio Nobel da Paz, como a outra parte, sem a qual as negociações não teriam acontecido”.

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