Fim de ano ecumênico: calendário papal repleto de oportunidades de diálogo

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06 Setembro 2016

As esperanças para a unidade dos cristãos podem não estar com o frescor da primavera, mas o calendário do Papa Francisco dos próximos meses está repleto de compromissos ecumênicos.

A reportagem é de Cindy Wooden, publicada no sítio Catholic News Service, 01-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora os desdobramentos dentro das denominações cristãs pareçam estar solidificando diferenças que dificultariam a unidade plena, não há nenhum sinal de que o desejo de se encontrar e de dialogar esteja diminuindo. E, de fato, os cristãos divididos estão encontrando mais oportunidades para rezar juntos e se envolver em um trabalho conjunto para ajudar os pobres e os necessitados.

O Papa Francisco vai abrir a sua temporada de compromissos ecumênicos no dia 20 de setembro, quando se unirá a outros líderes cristãos e representantes de outras religiões em Assis para comemorar o 30º aniversário do encontro inter-religioso pela paz de São João Paulo II.

Dez dias depois, o Papa Francisco voa para a Geórgia, um país predominantemente ortodoxo.

Em outubro, irá se encontrar e rezar com o arcebispo anglicano Justin Welby de Canterbury e, no fim do mês, vai viajar para a Suécia para participar de eventos ecumênicos de lançamento das comemorações do 500º aniversário da Reforma Protestante.

Reconhecer onde as Igrejas e comunidades cristãs divergem é um primeiro passo óbvio para um diálogo voltado a superar as diferenças. Mas uma relação que para por aí dá a impressão errada de que as questões divisivas das Igrejas são mais importantes do que as crenças centrais do cristianismo que elas professam juntos no Credo.

A mensagem que o calendário papal transmite é que "não importa quais sejam as novas ou antigas diferenças, ainda estamos ligados por um batismo comum, por tantos elementos de fé comum e pela obrigação comum de compartilhar o Evangelho", disse o bispo Brian Farrell, secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Em um tempo em que o ritmo dos diálogos teológicos formais parece lento para muitos, Dom Farrell disse ao Catholic News Service que "a vivência das nossas relações espirituais está avançando de uma forma muito positiva".

Criar oportunidades para rezar juntos e fazer compromissos para se envolver em obras sociais e caritativas conjuntas deveriam "criar um clima de maior confiança, que nos ajude a enfrentar as diferenças teológicas com confiança e com uma compreensão melhor uns dos outros", disse o bispo.

A visita do papa a Assis está prevista para durar apenas oito horas. Mas estar ao lado de Dom Welby e do Patriarca Ecumênico Ortodoxo Bartolomeu de Constantinopla – assim como líderes judeus, muçulmanos, budistas, hindus e sikhs – será uma afirmação de uma crença compartilhada de que a verdadeira fé sempre busca a paz.

O clima da sua visita à Geórgia pode não ser tão caloroso quanto ao que o Papa Francisco está acostumado. Embora o Patriarca Ortodoxo Ilia II tenha convidado o papa para visitar o país e se encontrar com ele no primeiro dia, o papa e o patriarca não devem participar das liturgias um do outro, o que se tornou uma prática comum quando o papa visita um país predominantemente ortodoxo.

O Patriarca Ilia, 83 anos, foi eleito chefe da Igreja Ortodoxa da Geórgia em 1977, quando a Geórgia ainda era uma república soviética, e o governo comunista impunha severas restrições à prática da fé. Centenas de igrejas e mosteiros foram fechados, mas, sob a liderança do Patriarca Ilia nos anos 1980, a Igreja começou a se reconstruir e a crescer. Nos seus primeiros anos como patriarca, a Igreja Ortodoxa da Geórgia também se envolveu ativamente no movimento ecumênico, e o Patriarca Ilia atuou como copresidente do Conselho Mundial de Igrejas.

Depois da dissolução da União Soviética e enquanto os georgianos começaram a recuperar a sua identidade étnica e cultural – uma identidade intimamente ligada à Ortodoxia desde o século IV –, houve crescentes críticas ao movimento ecumênico moderno e à sua tendência perceptível de equacionar todas as expressões do cristianismo. A Igreja Ortodoxa da Geórgia se retirou do Conselho Mundial de Igrejas em 1997.

Quando os representantes de 14 Igrejas ortodoxas do mundo estavam se preparando para se reunir em Creta, em junho, a Igreja georgiana foi uma das primeiras a anunciar que não participaria. O Sínodo da Igreja georgiana citou um documento proposto sobre as relações com outros cristãos como uma das razões pelas quais ela ficaria de fora.

Embora as questões teológicas e morais que separam católicos e anglicanos sejam mais profundas do que aquelas que impactam a relação católico-ortodoxa, espera-se que a visita do arcebispo Welby ao Vaticano seja mais calorosa, incluindo uma oração com o Papa Francisco e a assinatura de uma declaração conjunta.

A visita do arcebispo anglicano a Roma marca o 50º aniversário do diálogo formal anglicano-católico romano, o 50º aniversário do Centro Anglicano em Roma e um grande encontro da Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana para a Unidade e a Missão.

Enquanto o diálogo teológico oficial continua, a comissão analisa as formas práticas pelas quais católicos e anglicanos podem dar um testemunho maior da sua fé comum e particularmente como eles podem colaborar na sua missão em relação ao mundo. A declaração conjunta prevista deve se focar na mesma ideia de encontrar formas de dar um testemunho cristão comum ao trabalhar e rezar pela plena unidade.

As atividades ecumênicas do papa neste fim de ano culminarão em Lund, Suécia, no dia 31 de outubro, quando ele participará de uma comemoração católico-luterana pelo 500º aniversário do início da Reforma Protestante.

De acordo com a Federação Luterana Mundial, coanfitriã do evento, o encontro "irá destacar os desenvolvimentos ecumênicos sólidos entre católicos e luteranos e os dons comuns recebidos através do diálogo".

Em 2013, o Vaticano e a federação emitiram um documento sobre as comemorações do aniversário, insistindo que "ninguém que seja teologicamente responsável pode celebrar a divisão dos cristãos".

Em vez disso, o documento "Do conflito à comunhão" insta católicos e luteranos a reconhecerem que Martinho Lutero queria reformar a Igreja, não dividi-la. Depois de 500 anos, afirma-se, os cristãos podem achar mais fácil de ver e experimentar as suas diferenças, mas o mundo está precisando de um testemunho cristão unido, e a hora para isso é agora.

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