Movimentos continuam resistência a projetos de hidrelétricas na Amazônia

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02 Setembro 2016

Manifestantes comemoram arquivamento da licença para hidrelétrica. MPF montou grupo trabalho para acompanhar os projetos no Tapajós.

Mesmo com o pedido de arquivamento da licença ambiental da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), movimentos sociais continuam militando contra a realização de novos projetos de construção de hidrelétricas na Amazônia. No sábado (27), uma caravana esteve em Itaituba, oeste do Pará, para manifestar a luta pela preservação do Rio Tapajós.

A reportagem é publicada por G1, 30-08-2016.

De acordo com os movimentos sociais, o momento ainda é de alerta para impedir que novos projetos governamentais que ameaçam a bacia do Tapajós, formada pelo Teles Pires, Juruena, Jamanxim e outros tributários de segunda ordem. Em quase todos, existem dezenas de projetos de construção de hidrelétricas e portos. “Sou filha de Montanha Mangabal, tenho orgulho de ser ribeirinha. Esse rio é minha vida. Sou acostumada com peixe, limão, pimenta e pirão de farinha. Tenho horta e uso muito a terra. Por isso não queremos hidrelétrica de jeito nenhum”, disse Tereza Lobo, moradora da comunidade no alto Tapajós.

Para o professor Alfredo Wagner de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas, mostrou algumas das graves falhas nos estudos de impacto de São Luiz do Tapajós, que estão entre os motivos para o arquivamento do projeto. “As pessoas vão mapear e não são capazes de listar os locais onde estão as riquezas das comunidades, os açaizais, os pontos de pesca. As comunidades têm competência bem maior do que as empresas de consultoria que recebem milhões para mapear os locais”, conclui o educador.

O Ministério Público Federal (MPF) montou um grupo trabalho para acompanhar os projetos governamentais na bacia do Tapajós. O procurador da República, Camões Boaventura e o procurador regional da República, Felício Pontes Jr. Estiveram acompanhando as manifestações. Segundo Felício Pontes, “é hora para festejar, mas não é hora para baixar a guarda”. Ele lembra que nos tributários da bacia estão sendo construídas e planejadas dezenas de barragens. Só no Teles Pires, principal formador do Tapajós, são quatro grandes barragens já em construção. Nos rios menores, como Juruena, Arinos e rio dos Peixes, existem dezenas de projetos de pequenas e médias barragens.

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