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16 Agosto 2016

Os presos foram transferidos para os Emirados Árabes Unidos. É a maior vaga de saídas da prisão de alta segurança do mandato de Obama.

A reportagem é de João Ruela Ribeiro, publicada por Público, 16-08-2016.

O Pentágono anunciou esta segunda-feira a transferência de 15 detidos da prisão de alta segurança de Guantánamo, em Cuba, para os Emirados Árabes Unidos. Trata-se do maior número de presos transferidos de uma só vez durante os mandatos do Presidente Barack Obama que fez do fecho da prisão uma das grandes promessas da sua Administração.

Entre os detidos estão 12 iemenitas e três afegãos, alguns dos quais detidos durante 14 anos sem terem sido levados a julgamento. Em 2008, dois dos afegãos foram acusados por crimes relacionados com terrorismo, mas as acusações acabaram por ser retiradas, de acordo com o The Guardian. Os restantes permaneceram detidos sem qualquer acusação durante mais de uma década.

Quando em 2009, acabado de chegar à Casa Branca, Obama prometeu o fecho da prisão situada numa base norte-americana em território cubano, estavam 242 suspeitos presos em Guantánamo – hoje permanecem 61. Perto de abandonar a Presidência, deverá ser muito difícil a Obama cumprir a sua promessa, especialmente devido à forte oposição do Congresso dominado pelo Partido Republicano.

Porém, a transferência dos 15 suspeitos aproxima Obama de outro objetivo menos ambicioso: a saída de todos os detidos com transferência aprovada, que passam agora a ser 20. Tratam-se, geralmente, de suspeitos avaliados como pouco perigosos e com uma probabilidade diminuta de voltarem a contatar com células terroristas.

Para este grupo, o maior problema é conseguir acordos de repatriação com outros países. O Governo norte-americano tem tentado convencer os seus aliados no Golfo Pérsico, onde a reintegração e a monitorização dos detidos é mais fácil. Em janeiro, dez iemenitas foram transferidos para o Omã e em abril seis foram enviados para a Arábia Saudita.

Em Fevereiro, Obama levou ao Congresso um novo plano para encerrar Guantánamo, que incluía a detenção dos presos cuja transferência para o exterior não fosse aprovada em prisões norte-americanas. A maioria republicana chumbou o projeto e alguns congressistas ameaçaram bloquear as transferências dos detidos para o estrangeiro.

Foi ainda durante a Presidência de George W. Bush que a maioria dos detidos foi libertada de Guantánamo. De acordo com os serviços secretos, cerca de 21% dos ex-detidos voltaram a envolver-se em atividades terroristas, porém, entre os presos soltos durante a Administração Obama a taxa de reincidência baixou para 5%, de acordo com a BBC.

O futuro da prisão de alta segurança – aberta em 2002 por Bush para deter suspeitos da chamada “guerra ao terrorismo” e onde era usual a prática de tortura – é também um dos assuntos da campanha para a Presidência.

Se Hillary Clinton mostrou apoio à estratégia de Obama, mas pouco mais referiu o tema, já Donald Trump não esconde o seu desejo não só de manter Guantánamo aberta como intensificar o seu uso. O candidato republicano disse pretender encher a prisão de “tipos maus” e “trazer de volta um inferno bem pior que o waterboarding”, uma das torturas mais infames praticadas em Guantánamo e que consiste num afogamento.

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