Padronização agrícola ameaça animais polinizadores, alerta pesquisa internacional

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12 Agosto 2016

Pesquisa divulgada, nesta terça-feira (9), na revista científica PeerJ, periódico que aborda estudos nas áreas de Biologia e Ciências Médicas, aponta ameaças e oportunidades para abelhas e demais espécies polinizadoras em agricultura, nos próximos 30 anos. A investigação, apoiada pela rede SuperB, financiada pela União Europeia, foi conduzida por um grupo internacional de 17 cientistas, pesquisadores de órgãos de governos e organizações não governamentais liderados pelo Prof. Mark Brown, da Royal Holloway University of London. O Prof. Breno Magalhães Freitas, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará, foi o único representante brasileiro a participar do trabalho.

A reportagem foi publicada por Universidade Federal do Ceará - UFC, 09-08-2016.

Segundo os cientistas, a agricultura de larga escala pode ajudar ou eliminar os animais polinizadores. A partir da expansão desse modelo de cultivo, o desenvolvimento de novas classes de inseticidas e a descoberta de vírus emergentes, as abelhas e demais polinizadores estão enfrentando riscos ainda mais desafiadores. Em resposta, os pesquisadores alertam para a necessidade de políticas globais de prevenção pró-ativa, em vez de mitigação reativa, para assegurar o futuro dessas espécies vitais.

Ameaças e oportunidades 

Para alcançar tais resultados, os pesquisadores usaram um método de "escaneamento do horizonte", que identificou ameaças futuras – que exigem medidas preventivas – e oportunidades a serem aproveitadas, a fim de proteger as abelhas e demais insetos, como também aves, mamíferos e répteis que polinizam flores silvestres e cultivos agrícolas. "Cerca de 35% da produção agrícola mundial e 85% das plantas silvestres com flores dependem de polinizadores que enfrentam as mais diversas dificuldades para sobreviver e prosperar. Estamos adotando cada vez mais práticas que afetam essas espécies. Então, procuramos mitigar essas perdas, ao invés de impedi-las, em primeiro lugar. Esta é uma abordagem de trás para frente e bem cara para um problema que tem consequências muito reais para o nosso bem-estar", explica o Prof. Brown.

De uma lista de 60 riscos e oportunidades identificadas para os polinizadores, a equipe selecionou seis questões de alta prioridade, como o controle corporativo da agricultura em escala global; a sulfoximina, uma nova classe de inseticidas sistêmicos; os novos vírus emergentes; o aumento da diversidade de espécies polinizadoras manejadas; os efeitos de eventos extremos no âmbito das mudanças climáticas; e, ainda, as reduções no uso de produtos químicos em ambientes não agrícolas.

A pesquisa destaca também a consolidação das indústrias agroalimentares como a maior ameaça para os polinizadores, com um pequeno número de empresas tendo um controle sem precedentes do solo. "Esta homogeneização de práticas agrícolas efetivamente implica que empresas estão usando sistemas de produção padronizados em paisagens que são muito diferentes, reduzindo significativamente a diversidade e número de polinizadores nativos", alerta Sarina Jepsen, diretora de espécies ameaçadas e programas aquáticos, da Sociedade Xerces, e coordenadora do grupo de especialistas em abelhas Bombus, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O Prof. Breno Magalhães Freitas, do Departamento de Zootecnia da UFC, destaca a importância de uma ação conjunta, nos âmbitos público e privado, na proteção aos polinizadores. "O estudo mostra claramente que temos duas opções: deixar as coisas continuarem como estão e ficarmos sempre reclamando e correndo atrás com medidas paliativas que geralmente não funcionam, ou chamarmos governos e as grandes corporações, como empresas da indústria agroalimentar e de pesticidas, para que assumam suas parcelas de responsabilidade e atuem em conjunto com os pesquisadores, ONGs e a sociedade em geral na implementação de medidas preventivas, para minimizar ou eliminar os possíveis problemas antes que aconteçam", declara.

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