Francisco na Polônia: “Criar comunhão com todos, sem se isolar, nem se impor”

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Por: Jonas | 29 Julho 2016

Diante do Santuário de Nossa Senhora Negra de Czestochowa, a imagem da Virgem ferida, o Papa Francisco celebrou a missa pelo 1050º aniversário de batismo da Polônia e indicou à Igreja qual é o caminho para evangelizar, meditando sobre a maneira como Deus entrou na história.

 
Fonte: http://goo.gl/CnOpjx  

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 28-07-2016. A tradução é do Cepat.

Indicações significativas, que falam de um enfoque anos luz distante de qualquer forma de potência, de poder, de paralelismo. Houve a participação de muitíssimos peregrinos para escutá-lo e participar da liturgia concelebrada com os bispos e com milhares de sacerdotes poloneses neste lugar, considerado o coração pulsante da fé na Polônia. O presidente Andrzej Sebastian Duda e as mais altas hierarquias do Estado estavam na primeira fila. Também estava presente Juan Carlos Varela Rodríguez, presidente do Panamá, onde com toda probabilidade será realizada a próxima edição da Jornada Mundial da Juventude.

Antes de se dirigir a Czestochowa, Francisco visitou o ex-arcebispo de Cracóvia, o cardeal Franciszek Macharski, que se encontra hospitalizado em uma estrutura local. Em sua chegada ao Santuário, o Papa parou para uma oração silenciosa diante do grande ícone bizantino, que se “revelou” ao ser acionado o mecanismo que eleva uma parede em prata e ouro. Como presente à Nossa Senhora, Francisco levou uma rosa de ouro. Os monges paulinos presentearam Bergoglio com uma reprodução de Nossa Senhora Negra. Antes de iniciar a cerimônia no Santuário de Nossa Senhora Negra, o Papa Francisco tropeçou ao subir as escadas do palco fora das muralhas do santuário. Naquele momento, carregava o incensário e estava se aproximando do quadro de Nossa Senhora para venerá-la. Levantou-se imediatamente e, acompanhado pelo séquito, retomou a celebração.

“Surpreende, sobretudo – afirmou o Papa Francisco na homilia –, a forma como acontece a vinda de Deus na história: “nascido de uma mulher”. Nenhuma entrada triunfal, nenhuma manifestação grandiosa do Onipotente. Não se manifesta como um sol deslumbrante, mas entra no mundo do modo mais simples, como uma criança através de sua mãe, com esse estilo que a Escritura nos fala: como a chuva sobre a terra, como a menor das sementes que brota e cresce. Assim, ao contrário do que poderíamos esperar e talvez desejaríamos, o Reino de Deus, agora como então, ‘não vem com ostentação’, mas, na pequenez, na humildade”.

Também o primeiro milagre de Jesus, a transformação da água em vinho, durante as Bodas de Caná, recorda Bergoglio, não é “um gesto assombroso, realizado diante da multidão, nem sequer uma intervenção que resolve uma questão política urgente, como a submissão do povo ao domínio romano. Ao contrário, ocorre um milagre simples, em um pequeno povoado, que alegra as núpcias de uma jovem família, totalmente anônima”. Um sinal que indica que “o Senhor não se mantém à distância, mas é próximo e concreto, está no meio de nós e cuida de nós, sem decidir por nós e sem se ocupar de questões de poder. Prefere se abrigar no pequeno, ao contrário do homem, que tende a querer algo cada vez maior”.

“Ser atraídos pelo poder, pela grandeza e pela visibilidade – observa Francisco – é algo tragicamente humano, e é uma grande tentação que busca se infiltrar em todos os lugares, ao contrário, doar-se aos demais, rompendo distâncias, vivendo na pequenez e preenchendo concretamente o cotidiano, isto é requintadamente divino”.

Deus nos salva, pois “fazendo-se pequeno, próximo e concreto”, prefere “os pequenos, a quem foi revelado o Reino de Deus”. Prefere-os porque se opõem à “soberba da vida”. O Pontífice indicou à Igreja da Polônia os exemplos de “tantos filhos e filhas de seu povo”, de mártires a “pessoas simples e também extraordinárias que souberam dar testemunho do amor do Senhor em meio a grandes provações”, passando pelos “anunciadores mansos e fortes da misericórdia, como São João Paulo II e Santa Faustina”.

O Senhor, recordou Bergoglio, “não deseja que o temam como a um soberano poderoso e distante, não quer ficar em um trono no céu ou nos livros de história”. E lançou uma recomendação concreta à Igreja: “é o que sempre somos chamados a fazer, também como Igreja: escutar, nos comprometer e nos tornar próximos, compartilhando as alegrias e as fadigas das pessoas, de maneira que se transmita o Evangelho da forma mais coerente e frutífera: por irradiação positiva, através da transparência de vida”. Um modelo distante de qualquer poder ou potência, de qualquer reivindicação de privilégios, de qualquer paralelismo.

A história da Polônia, “impregnada de Evangelho, cruz e fidelidade à Igreja, viu o contágio positivo de uma fé genuína, transmitida de família em família, de pai para filho, e sobretudo pelas mães e as avós, a quem é preciso agradecer muito”. Em seguida, Francisco refletiu a respeito da figura de Maria: “Se há alguma glória humana, algum mérito nosso na plenitude do tempo, é Ela. É Ela esse espaço, preservado do mal, na qual Deus se refletiu”. É a Ela que é necessário se dirigir, porque “infunde o desejo de ir além dos erros e das feridas do passado, e de criar comunhão com todos, sem jamais ceder à tentação de se isolar e se impor”.

Nossa Senhora “não é dona e nem protagonista, mas Mãe e serva. Peçamos a graça de tornar nossa a sua simplicidade, a sua imaginação em servir ao necessitado, a beleza de dar a vida pelos demais, sem preferências e distinções”. Porque, conclui o Pontífice, “de pouco serve a passagem entre o antes e o depois de Cristo, caso permaneça apenas como uma data nos anais da história. Que possa se cumprir, para todos e para cada um, uma passagem interior, uma Páscoa do coração ao estilo divino encarnado por Maria: agir na pequenez e acompanhar de perto, com o coração simples e aberto”.

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