"Meu maior desafio? O escândalo dos pedófilos." Entrevista com Federico Lombardi

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14 Julho 2016

No trabalho pela purificação e a transparência a respeito do debate sobre os abusos sexuais cometidos pelo clero, "era preciso fazer a Igreja dar passos, em nível comunicativo, no sentido da verdade", afirma o padre Federico Lombardi.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 12-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Padre Lombardi, comecemos há 10 anos. Bento XVI lhe pediu para chefiar a Sala de Imprensa vaticana.

Foi o cardeal Sodano [então secretário de Estado] que me pediu, mais ou menos, digamos...

Em que sentido?

Foi uma conversa divertida. Ele me disse: "Prepare-se para dizer sim".

E o senhor disse sim imediatamente?

Eu tentei dizer não, mas depois disse sim. Era uma tarefa que eu não tinha buscado minimamente. Eu não me sentia a pessoa mais adequada para esse cargo. Eu manifestei ao cardeal Sodano essa objeção, mas depois eu aceitei.

Por que pensaram no senhor?

Seria preciso perguntar a eles. Em todo o caso, eu era uma pessoa inserida no campo da comunicação vaticana e conhecida das autoridades. Por muitos anos, eu tinha trabalhado na Rádio Vaticano, e eles pensavam que eu podia merecer confiança. Havia as premissas para que eu pudesse me inserir nessa tarefa, que não era fácil, depois da grande experiência de Navarro-Valls.

Qual foi o momento mais difícil?

Foi o trabalho pela purificação e a transparência a respeito do debate sobre os abusos sexuais cometidos pelo clero. Era preciso fazer a Igreja dar passos, em nível comunicativo, no sentido da verdade.

A renúncia ao pontificado de Ratzinger não foi um momento difícil?

Eu vivi esse momento com muito mais serenidade do que se imagina.

Estava preparado?

Eu não quero dizer nada a respeito, mas é preciso lembrar que, naquele momento de estupor e perturbação, eu estava sereno, em total sintonia com o papa.

O anúncio da renúncia veio no dia 11 de fevereiro de 2013. O que o senhor fez naquele dia?

Eu li o texto com o qual ele anunciava que iria renunciar e o achei verdadeiro, claro e abrangente, tanto que não tive dificuldade ao apresentá-lo como a explicação adequada daquilo que o papa tinha em mente, do espírito com que ele tomava essa decisão.

Depois, o senhor enfrentou os jornalistas.

Eu me lembro que entrei na Sala de Imprensa com três coisas: o texto do papa, o direito canônico com aquelas poucas linhas nas quais se fala da possibilidade da renúncia e a passagem da entrevista que Peter Seewald fez com o papa, que está contida no livro "Luz do mundo", na qual ele mesmo fala disso. Eu estava sereno, em sintonia com essa escolha. Não estava perturbado, de modo algum.

Desses 10 anos, qual a sua recordação mais bonita?

Eu diria, em geral, as viagens feitas com as papas. As Jornadas Mundiais da Juventude em Colônia e Madri com Bento, a do Rio de Janeiro com Francisco. Foram momentos de alegria que o povo de Deus viveu com o papa, e a alegria também era minha.

Quando Francisco chegou, o senhor pensou em deixar?

Sinceramente, sim. No sentido de que eu tinha imaginado que o meu esforço devia terminar com o pontificado anterior.

Mas as coisas correram de forma diferente.

Abriu-se uma nova etapa, também esta nada imaginada.

O que Francisco lhe disse?

Ele não disse nada de particular. Simplesmente, me informou que estava contente que eu continuasse. Em suma, que não tinha intenção de mudar. Ele sabia o que eu fazia e quem eu era, naturalmente. Mas não tinha coisas a me dizer em particular.

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